Base Aliada é racista? E uma palavrinha com Feliciano

Edson Pereira Filho

Pense, no Brasil o poder é dividido como uma pizza, não há princípios, apenas negócios entre os partidos. E também não há essa de homem bom ou ruim, honesto e desonesto ou qualquer polaridade que separe o bem do mal, já disse, são apenas negócios. Fosse o contrário, o pastor e deputado federal do PSC, Marco Feliciano, que responde por racismo, homofobia e estelionato, não seria eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Ocorre que na hora de dividirem a pizza, os partidos colocaram gente extremamente suspeita para ocuparem cargos importantes que pouco ou nada tinham haver com sua condição moral.

A Base Aliada do governo, elege o deputado federal do PMDB, Gabriel Chalita, para presidente da Comissão de Educação da Câmara. Só que ele está sendo acusado pelo Ministério Público de aceitar propina de um empresário paulista, dono das escola COC, quando era Secretário de Educação do Estado de São Paulo. Para não bater só nesta tecla, o presidente do Senado, Renan Calheiros, também é suspeito de várias falcatruas.

Talvez o caso mais escandaloso seja o do religioso e deputado, Feliciano. Falando de homens honestos e desonestos no Congresso, todos são iguais quando votam, mediante determinação da Base Aliada, num ser como este, cheio de mazelas e crimes, porque não dizer crimes, pois Feliciano fala absurdos e seus pares sequer o questionam legalmente. A tal Base Aliada deu para ele o cargo, ou seja, a pizza foi dividida de comum acordo, daí posso sim depreender que PMDB e PT, maiores partidos da base, estão de acordo com as posições ditas por Feliciano ao longo dos últimos dois anos.

Então o PT e o PMDB seriam racistas, por exemplo, penso que é preciso analisar sem muito cuidado, pois, como disse, são apenas negócios. Se é a maioria que decide quem ocupa o que no governo, a tal Base Aliada, através do voto consolidado, a votação foi no papel e não eletrônica, então, posso como cidadão depreender que isso é uma posição da Câmara dos Deputados, mais ainda, uma posição dos partidos que apoiam a presidente. Fica na consciência de cada um, a minha está bem tranquila a este respeito.

Uma palavrinha com Feliciano

Pelos seus vídeos no Youtube, bem se vê que o senhor não conhece a África, continente aliás, não país. Citar, em suas pregações, que na África até há brancos, especificamente na África do Sul, é não saber da colonização e da neocolonização. É não saber que há 4 mil anos antes de Cristo, griots (sábios que carregavam toda sabedoria da África, verdadeiras bibliotecas ambulantes), vagavam de tribo em tribo, assentavam-se na beira da aldeia, à sombra dos Baobás, para ensinar os pequenos sobre a história do Berço da Humanidade, sim, a África é onde tudo começou.

Aliás, Jesus, por levantamento científico, era negro, e aí o senhor vem me dizer isso: “africanos descendem de um ancestral amaldiçoado”. Será? Bantos, sudaneses e pigmeus fizeram as principais descobertas da humanidade, as três matizes da genealogia africana criaram as artes, danças, a metalurgia, as construções, sistemas de esgotos até hoje copiados e por aí vai. Quando leio e vejo vídeos do senhor pregando sobre o assunto dos negros e a tal maldição, ocorre-me uma imagem ruim, fico lembrando como brancos saqueadores invadiram e escravizaram o continente africano.

Depois de muito tentar, sem sucesso, dominar as tribos de negros, os brancos descobriram que se matassem os griots (a sabedoria) desestruturariam toda organização social africana. Pois lá, o conhecimento se dá mediante a oralidade. Pois é, seu discurso é desagregador, coloca a vida de jovens e famílias inteiras de negros em perigo no Brasil. Quer um dado, o governo que o senhor diz legislar e defender os Direitos Humanos, em uma propaganda televisiva na TV Gazeta, informa que todos os dias morrem um avião jumbo de jovens negros por conta da violência policial e social. Leia dados do Instituto Sangari a este respeito.

O senhor deveria abandonar o cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos, pois é uma ameaça para o conhecimento, a dignidade humana e, principalmente, uma ameaça a fé religiosa que o senhor diz professar. E só para acrescentar, o senhor chegou a Câmara dos Deputados, através do voto de cabresto, o que se tornou comum de uns tempos para cá entre os religiosos. Esta prática do voto de cabresto era muito comum entre os coronéis do Café e do nordeste. Eles apontavam com o dedo onde o cabra tinha que votar e a outra mão o coronel tinha um revolver apontado na cabeça do desgraçado.

Um convencimento e tanto, hoje, porém, seitas como a do senhor, devem, sei lá, avisar aos fiéis que se não votarem em tal pessoa, queimarão no reino do inferno, o qualquer coisa do gênero. Disse tudo isso, para lembrar ao senhor que não possui qualquer representatividade para aí estar, e no momento certo, estará fora daí.

Carta a Hugo Chávez

Edson Pereira Filho

Sei do jogo sujo americano para transformar a América Latina num novo quintal do Tio Sam. Eles armaram a Colômbia até os dentes com a desculpa de combater o narcotráfico. Invadem a política de países soberanos, tentam desagregar nossa união latina pelo Mercosul. Hoje a Colômbia é o país. belicamente, mais armado da América Latina. Os americanos fizeram isso no Oriente Médio, precisamente, no Iraque e Israel, com a velha desculpa de levar a liberdade para outros povos. Querem mesmo é tomar o negócio do petróleo para si.

O comandante Hugo Chávez, só para encher a paciência, decidiu vender a gasolina venezuelana a US$0,4 cents de dólar em território americano. Na Venezuela, frota com maioria de blasers e caminhonetes, o litro da gasolina não chega a US$0,10 cents de dólar. Os EUA tentam formar uma cabeça de praia, uma espécie de posto avançado de seu capitalismo saqueador e bandido na Colômbia. O adido militar americano, expulso há poucos dias da Venezuela, infiltrou-se no meio militar venezuelano para saber da possibilidade de um levante contra Chávez.

O mundo da energia, não mais da luta de classes como via conjunturalmente Karl Marx, tem no seu maior expoente e inimigo os EUA, que insiste em desrespeitar a soberania dos povos. Tentaram, de todas as maneiras derrubar o comandante Chávez, impuseram-lhe quase uma dezena de referendos para tentar fulminá-lo, o povo o reconduziu ao lugar que sempre esteve, no centro da luta bolivariana.

Estamos desarmados aqui embaixo do mapa. O Brasil tem um exército carreirista, preocupado em manter castas e famílias inteiras há séculos nos mais altos escalões, gente barriguda que não serve para nada. Mas, a despeito de tudo isso comandante, como poucos que vi na face da terra, soube como Fidel enfrentar o maior cerco econômico, político e com várias tentativas do Tio Sam em isolar a Venezuela. Agora veremos como funciona a tal democracia americana, os próximos capítulos não são nada animadores.

Amoedo Farm fica em Ipanema

Edson Pereira Filho é jornalista do site Região Brasil

Edson Pereira Filho – Crônica

O Rio de Janeiro continua lindo, sem dúvida. E educado também. Imagine estar no metro quadrado mais caro do País, Ipanema, na rua Amoedo Farm, desembolsar R$14,60 no Sucos Beach por um prato de filet com fritas e três opções de sucos. Ou ali do lado, comer com pauzinhos (hachi) uma boa comida japonesa e desembolsar R$20,00. Impensável esta situação aqui em Campinas, na periferia mesmo, onde um prato com fritas não sai por menos de R$22,00, detalhe, sem suco. Ah, antes que eu me esqueça, tem o restaurante Nectar, também na Farm, preço bom e lugar delicioso.
A rua Amoedo Farm, esquina com a Avenida Visconde do Pirajá é o point dos gays cariocas. Sem preconceito e querendo sempre frequentar lugares mais limpos e educados, a visita na rua desemboca na barraca do Nélio, nas areias do Posto 9 de Ipanema, onde se vê fincado lá a bandeira do movimento gay.
A areia é limpinha. Gente educada e discreta, boas conversas no burburinho entre os guardas-sóis, gente linda. Minha filha, já com 21 anos, olha desalentada os corpos torneados de rapazes gays e tasca a pergunta na minha direção e de minha esposa: Pode?!!! Deixo ela conversando com mãe, prefiro descansar à sombra do guarda-sol, numa cadeira apropriada para um boa soneca. A areia estava fria, os pés tendo o descanso merecido, a proximidade das barracas evita que a areia fique quente.
Minutos depois, sou acordado por um moço, de 1,80m, corpo atlético, oferecendo um copo gelado de açaí por R$10,00, minha filha, sempre chata quando o assunto é dinheiro, consegue tirar R$2,00 e eu assisto a tudo com graça. Resolvo então, pular na água, arrefecer o calor, o sol de 34 graus já está quase na linha do horizonte.
Assisto atônito, gays se beijando, mulher com mulher e homem com homem, lembro de Tim Maia. Só não vale o que mesmo Tim? Deixa pra lá, não me incomodo, vejo tudo como uma evolução, embora localizada, no trecho de areia mais famoso do mundo. Interessante, em terra (ou na areia), os gays são discretos, na água, são mais calorosos, não muito diferente dos casais héteros.
Continuo na minha, aproveito as ondas, fico duas horas ali pulando ou mergulhando para não levar nenhum caldo (ou jacaré, gíria). Quando decido deixar a água, percebo que estava distante do ponto em que entrei, uns 100 metros. Começo a caminhar entre os guardas-sóis, não mais entre os gays, mas entre a população comum, quando vejo lixo, brigas e toda sorte de falta de bom senso para apreciar um dia de sol. Gente enterrando garrafas na areia, jogando comida e toda sorte de sujeira. Quanta falta de educação em poucos metros de caminhada.
Não via a hora de chegar no local onde estavam, numa boa, conversando minha filha e esposa. Jantamos no final da tarde. Praia, sol, boa comida e gente educada é, sem dúvida, um ótimo local para curtir um dia de lazer.