Na Era Digital, mestres correm sérios riscos

Edson Pereira Filho*

Se me permite, caro leitor, vou divagar, é domingo, penso que tenho este direito. Primeiro dizer que a base (escolar) está naquela base, se é que você pode me entender. Dia destes, lia um teórico marxista dizendo que a rede (Internet) é o novo instrumento de luta dos explorados, lá pelas tantas, ele vaticinava que a rede irá derrubar este capitalismo digital, o qual criou a internet.

Lembro de Mao, na China, durante a Revolução Cultural, quando mandou que os jovens arrancassem das escolas seus mestres. Lembro da contracultura americana, do movimento hippie, que também ia na mesma linha, ou seja, não confiar em ninguém com mais de 30 anos. O duro é que sempre surgem estes líderes que sabem manipular, especialmente, a juventude, por motivos óbvios, estas são presas fáceis. A rede de computadores tem imbecilizado nossos jovens, salvo engano, pois nem na aula eles querem ficar mais, não os culpo, também não ficaria diante de um conteúdo do século XXIV, com professores no século XX e alunos no século XXI.

Certo que a rede possibilitou o escárnio público das grandes corporações (Lava Jato é um exemplo) de políticos e de tudo que se escondia por interesses escusos. Nossos jovens, vítimas deste processo, estão devolvendo o mesmo veneno que os condena a própria sorte há décadas. Só espero que não matem seus mestres nesta Era Digital e escolham melhor seus algozes.

Na China e nos EUA, após a Revolução Cultural e Riponga, não mais do que 10 anos depois de terem balançado as estruturas da sociedade, a população destes países descobriu estarrecida que havia destruído o conhecimento amealhado durante décadas e séculos. Esta destruição resultou num aumento substancial da violência e da corrupção em tais países. Certo que na China e nos EUA, bandido não tem vez.

 

Edson Pereira Filho é jornalista, pedagogo e professor de Língua Portuguesa.