Não vai ter Golpe? Sempre teve

Por Edson Pereira Filho*

Foto: Presidente João Goulart/Arquivo do Museu Nacional

João Goulart, presidente do Brasil, sabia que generais e militares brasileiros não valiam a saia de Kemp, sua secretária, aliás, disse isso para o comando militar brasileiro numa reunião.
Darcy Ribeiro, chefe da Casa Civil de Jango, apelido de João Goulart, conhecia os golpistas militares brasileiros, prostitutas que eram dos EUA, estes últimos atordoados com a Baia dos Porcos, a Guerra Fria e à sua porta batia a Revolução Cubana.
Nosso Dartagnan, Rubens Paiva, então deputado à época, protegia o presidente, fiel escudeiro que era da República. Depois seria morto pelos milicos.
Em 1930, bem antes do Golpe de 64, empresários e a eminência parda dos milicos, Golbery Couto e Silva, criavam o IPES e o IBAD, institutos que desbancariam o populismo de Vargas, só conseguido com seu suicídio.
Jango não apostava nem em radicais de esquerda e radicais de direita, para ele, como gostava de dizer, os indignos e os indignados possuem o mesmo peso na hora do confronto, qual seja, somem.
Pois bem, o IPES e o IBAD tentaram de todas as maneiras acabar com o governo Jango.
Jango acabou com o IBAD, porém o IPES, então centro de estudos dos militares e da direita assassina e torturadora, ficou até o Golpe.
Os militares tramaram o Golpe pelas costas e o IPES foi a senha horrorosa para se criar o SNI.
Em abril de 1964, navios norte-americanos costeavam praias brasileiras, o Golpe Militar era dado.
Jango já tinha partido para o exílio, em Montevidéu; militares brasileiros o queriam morto, mas não conseguiram
Darcy voou atrás, fez livros sobre a antropologia Charrua por lá, aliás o primeiro livro antropológico que se tem notícia no Uruguai.
Darcy fundou as melhores e mais importantes universidades e escolas pelo mundo, depois que foi também para o exílio.
Enquanto isso, os filhos de Darcy, aliás Darcy adorava mulheres, ficaram por aqui, sendo humilhados pela classe média, dentro das escolas, que gritava: Comunista! Filhos de comunista!
Mesmo assim, os filhos de Darcy até hoje adoram o pai, pois sabiam de suas idéias e ideais.
E os filhos de classe média, ignorantes de tudo, menos das torturas, mortes e desaparecimentos, aplaudiam tudo em nome de Deus e da TFP.
O país se estatizou nas mãos dos milicos, os empresários, que pensavam numa economia aberta, ficaram com a bandeira verde-amarela na mão, pois os militares queriam tudo para si.
Veio o tal bolo que ia crescer, segundo o gordinho e sacana ministro da Economia, Delfim Neto. Ele, o ministro, prometia que toda a riqueza iria ser dividida com os trabalhadores no final da década de 70.
No final dos anos 70, tínhamos mais desempregados (81% sem emprego) e doentes do que quando Jango era presidente.
Delfim se enricou, não distribuiu riquezas, e até hoje dá palestra, distribuindo cascatas econômicas, como quem sabe dizer alguma coisa sobre a dignidade do trabalho que faz a riqueza de um País, um pilantra.
E o que dizer de nossos milicos, prostitutas, só isso.
Passamos por Sarney, Itamar, Collor, FHC, Lula e estamos em Dilma, e o mesmo diapasão de nossa elite empresarial e política se mantêm, qual seja manter seus privilégios em detrimento da miséria, desemprego e fome da maioria.
O PMDB é e foi à prostituta dos presidentes citados pós-ditadura, faz o jogo da elite financeira inclusive.
Dilma está para ser frita, aliás, trata-se apenas de mudança da mesma máfia, qual seja nossa velha elite golpista.
Lula se lambuzou desta elite que se alia, conspira e depois toma tudo.
Dilma faz a mesma coisa.
Caso troquemos de presidente, lembre-se, quem estará lá não tem um projeto para a maioria deste País, portanto, não adianta cobrar obediência desta maioria.
Ah, e não é crime a livre organização social, sindical e política. Criminoso é esta gente que age nas sombras, o juiz Moro deveria ir atrás destes outros canalhas, mas não o faz por motivos óbvios demais.

*Por Edson Pereira Filho, jornalista, pedagogo e professor.