O discurso da diversidade na ciranda do racismo

Na foto: Dr. Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, pesquisadora da USP, responsável pela introdução da Educação Afro em todas escolas do País.

O ponto central das Olimpíadas talvez tenha sido o congraçamento entre os povos. Gente de todo mundo esteve no Rio. Muita gente falou da união na diversidade racial e multicultural. Para as telas de televisão até pode ter sido, uma espécie de segunda natureza criada pelos mídias, onde o mundo parece ser ideal, sem preconceitos.
O apresentador da televisão Rede Globo, Galvão Bueno, exultava em falar que somos o País da diversidade e Glória Maria ia no mesmo diapasão. Esqueceram os morros. O soldado da Guarda Nacional morto com um tiro na cabeça. Esqueceram a violência que graça no País contra negros. Enfim, deveriam ficar quietos a este respeito, seria mais educado. Por quê? Explico.
O mundo ideal dos mídias cai por terra, quando pensadores da Educação, como a professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, do Conselho Nacional de Educação, diz que a diversidade é o novo contorno do racismo. Segundo a estudiosa do tema, o fato de diluir todos os diferentes no discurso da diversidade, esconde algo perverso, que passa ao largo de gente que não sente na pele tais perseguições racistas.
O discurso da diversidade tira do indivíduo seu status de ser, em sua plenitude e formação individual. Não é de hoje que a Globo tenta apagar um passado não muito distante sobre como ela percebe os negros em sua telona, não vou aqui descrever, novelas inúmeras provam a tese do racismo velado da emissora, há inúmeras teses sobre este assunto mofando nos bancos universitários, quem quiser, que vá lá pesquisar.
O ponto principal em diluir a condição humana de cada um, tem por princípio não promover a identidade, os anseios e as buscas por mudanças nas condições sociais vigentes por parte dos discriminados, para as vítimas de preconceito. E nesse sentido, a emissora presta, novamente, um desserviço à sociedade brasileira.
É como numa ciranda, o discurso da diversidade mais lembra uma roda, onde os diversos giram uniformes, de acordo com a música tocada pelo estabelechiment. Enquanto no centro da roda, que parece estar vazia, encontra-se o vácuo deixado por nossas mentes, pouco ou nada afeitas a percepção do que realmente interessa, a percepção do outro, a percepção do que somos.

* Por Edson Pereira Filho, jornalista, pedagogo e professor de Língua Portuguesa.