No Tribunal da Santa Inquisição com Belchior

Edson Pereira Filho

Sempre cantei Belchior desde que me conheço por gente.
Em várias serestas que fiz com os meus amigos Vilson, Chico e Betão.

Fotos: Belchior/Arquivo da família

Adoro cada música de Belchior, sua voz de padre Gregoriano, aliás, foi num colégio de padres que aprendeu a cantar deste jeito.

Seu tom nordestino nas canções, seco, feito navalha.
Nunca vou-me esquecer de uma vez em Pouso Alegre, quando ele foi lá cantar.

Eu dava aula de Jornalismo numa faculdade de lá.

Eu tinha uma certa capilaridade com os alunos e alunos, saímos todas as noites pela madrugada para tocar, beber, cantar e falar de música no Bar Risca Faca.

E na vitrola do boteco, que tocava com moedas, não podia faltar Belchior.

Aliás, em Minas, as mulheres falam com você como se estivessem fazendo um canto de ladainha. Lembrei disso, porque não há lugar melhor do mundo para se escutar Belchior. As rezadeiras cantam com Belchior, é grandioso.

Bom, como dizia, dava aula na faculdade de Pouso, e fui informado de que Belchior estava na cidade e faria uma apresentação especial no teatro.

Não tive dúvida, avisei os alunos que a aula seria no teatro. Ou seja, não haveria aula, pelo menos, as minhas.

Pedi para que o motorista tocasse pra faculdade sem eu.

A moçada chegou em peso no teatro e lá fui eu ouvir Belchior, em voz nua, literalmente à capela.

De repente tudo a minha volta se transformou, parecia estar num tribunal da inquisição da Idade Média.Todos pareciam estar vestidos de padres capuchinos.

Como se estivesse eu diante do livro de Umberto Eco, em O nome da Rosa.

Via velas e tochas na lateral. E ouvia a voz rouca, num baixo profundo de meu querido e inesquecível Belchior.

Foi um dos momentos mais singulares e mais belos da minha vida.

Um sonho real, ali, o cantor Gregoriano fazia meus olhos se derramarem com brilhos chamejantes na minha face.

Ali estava um ídolo que cantei toda minha juventude, enfim, em toda minha vida.

Beijos Belchior, muitas saudades, puxa, valeu e valerá cada canção, você embalou meu sonhos com as moças, em cada esquina, em cada bar e em cada sonho.

Por Edson Pereira Filho, professor, escritor e jornalista

Militante Celular destrói redes de televisão durante a Greve Geral

Edson Pereira Filho

Incrível, neste exato momento, milhões de celulares trocam mensagens sobre a greve nacional.

Lá e cá, em cada canto da nação, nasce a greve cibernética e silenciosa, cujos patrões, políticos e militares aturdidos, tentam encontrar o inimigo, o grevista, o baderneiro, mas não conseguem.

Este é o maior instrumento de luta política dos últimos tempos, tudo nas pontas dos dedos. Marshall McLuhan já sabia lá atrás que o meio era a mensagem, aliás, como extensão de nossas mãos.

A faxineira Sônia, com quem converso entre a ida para um escola e outra, confidenciou pelo Whatsapp que a mulherada parou para “tricotar” sobre Temer.

O tal do “zap”, como ela e eu tratamos o aplicativo, ficou lotado de mensagens contra o velho babão, como gosta de falar Sônia sobre o sujeito que “está” presidente.

Outra amiga, Fátima, manda um “zap” de Brasília, por volta da meia noite de ontem, quando manifestantes tomaram a frente do Palácio do Planalto, mas as televisões não deram.

De Sampa, chegam fotos de amigos sobre as barricadas de fogo nas marginais. Da Bahia, de Porto Alegre, de Minas vêm outras tantas informações.

O Celular, quem diria, virou um velho amigo (de luta também), de conversas e encontros, de desencontros, mas ajuda muito na organização.

Mostra fatos acontecendo. Organiza piquetes, distribui a organização das pessoas nos diversos enfrentamentos contra o sistema.

E o espaço público ocupa e desocupa-se num piscar de olhos, não sendo preciso gritar palavras de ordem, apenas basta teclar.

A horizontalização da comunicação chegou em boa hora, o capitalismo que pensava transformar todo esse ambiente em uma coisa insossa e líquida, sente agora o antídoto de seu veneno. Aliás, meu zap é (19) 99420 9678.

Por Edson Pereira Filho, professor, jornalista e escritor.

Imposto Sindical é um mal necessário

Por Edson Pereira Filho

Só quem não conhece a Estrutura Sindical proporia o fim da contribuição sindical anual.

Nosso povo é analfabeto funcional, se você disser que a contribuição é coisa do diabo ele acredita.

Se você disser que é coisa de Deus ele também acredita.

Ou seja, até hoje não compreendeu para que serve sindicato.

Trabalhadores brasileiros, em sua esmagadora maioria, acreditam que a greve só não dá certo por causa do sindicato e quando a greve dá certo, bem, os louros são dos operários.

Sindicato é o trabalhador e o trabalhador é o sindicato. Se a categoria vai mal, vai mal o sindicato. Se a categoria vai bem, vai bem o sindicato.

Vejam os Metalúrgicos (do ABC) e os Bancários (Brasil), organizações sindicais fortes, participação política efetiva. Pergunte nestas bases sindicais se a maioria é contra o imposto sindical.

A maioria não é contra (bancários e metalúrgicos), até em assembleia quando se discute o orçamento do sindicato a cada eleição sindical, porque sabem que luta não se faz só com palavras de ordem.

Conheça a estrutura sindical, saiba porque ela foi montada desta maneira e entenda que a maioria de nossos trabalhadores são maria-vai-com-as-outras, por isso estão na condição que estão. São, sem sombra de dúvida, papagaios-de-piratas de seus patrões, se acham classe média e quando o calo aperta, culpam o sindicato.

Atuei como jornalista sindical durante anos. Apoiando mais de 32 sindicatos, escrevendo matérias na Central Única de Trabalhadores (CUT) e conheço, como ninguém, a cabecinha da maioria dos operários de meu País, nunca me enganei.

O sindicato precisa de estrutura, aliás muito dinheiro, para manter carros, funcionários, imprensa, advogados etc.

Só que o número de sindicalizados é ridículo, como sempre, todos os trabalhadores criticam a entidade de classe, mas são os primeiros a não participarem das assembleias, discussões e decisões, mesmo com maciças convocações.

Tirar o dinheiro da contribuição sindical, por exemplo, destruirá a Força Sindical em Sampa, no Sindicato dos Metalúrgicos. Seria ótimo para alguns, me incluo entre estes.

Agora, não é isso que deve acontecer, os metalúrgicos é que precisam tomar o sindicato de São Paulo, pois o sindicato é deles. E não tomam por quê, porque o sindicato é o espelho do caráter político da categoria, ou seja, pelega como nunca.

Olhar para o espelho é muito difícil. Pago meu sindicato e participo o quanto posso, mas reconheço que, por exemplo, 70% dos professores votaram em Alckmin para governador, este ganhou no primeiro turno.

Conheço esta história, de trás pra frente e de frente pra trás. Quando os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil souberem pensar por conta própria e assumirem seu papel no mundo sindical, sou a favor do fim da contribuição sindical, pois a sindicalização garantirá a vida do sindicato, que somos nós, repito.

Que tal então, acabarmos com o imposto sindical vinculado a uma questão: Se o trabalhador não for sindicalizado, qualquer conquista do sindicato, seja de condições de trabalho ou condições de salário, ele não recebe.

Agora, pergunta isso para os analfabetos funcionais, vê se eles topam. É a tal história, ninguém quer olhar para o espelho, ele incomoda, e como incomoda.

Por Edson Pereira Filho, professor, jornalista e escritor.

1807 – Catedral de Campinas – 2017

Interior da Igreja Matriz de Campinas/Fotos: Edson Pereira Filho

Repórter Edson Pereira Filho

A Catedral Metropolitana de Campinas comemora 210 anos do início de sua construção em 1807.  E os anjos negróides do artista e escultor Vitoriano dos Anjos Figueroa não cansam de ver reformas frequentes dentro e fora da matriz metropolitana desde então. Agora mesmo, santos desaparecem e reaparecem dentro dos oratórios da igreja, todos passando por limpezas e restauros.

A catedral une a Bahia de todos os Santos a Campinas. A Igreja Nosso Senhor do Bonfim se une a Igreja Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Campinas. E tudo através das mãos do negro escultor Vitoriano dos Anjos. Lá como cá, seu adro principal é lavado por yalorixás e babalorixás, mães de santos, filhas e filhos de santos.

Vitoriano que veio da Bahia para esculpir a totalidade das artes sacras que estão dentro da nave da igreja. Ele aprendera tais técnicas com artistas portugueses, e tratou de talhar características físicas de sua origem africana em anjos com lábios, rostos e testas proeminentes.

Entrar na Catedral é um evento. Os olhos querem abraçar todos os detalhes, querem entender cada parte da história, como se fez aquilo tudo com taipa de pilão e barro. É a maior construção em taipa de pilão da América Latina que se tem notícia.

Assusta o simples ato de ver, no canto do corredor, a peça mais antiga da Igreja Católica, o confessionário, onde padres sabiam da vida alheia e mandavam os fiéis pagarem penitências por seus pecados.

Há histórias contadas por filhos e filhas de antigos escravos, dando conta que em cada base da igreja, foram socados corpos de negros que morreram durante sua construção. Acreditava-se, segundo estas histórias, que as fundações ficariam mais sólidas. Verdade ou mentira do escravagismo, morreram centenas de escravos até o término e inauguração da matriz, em 1883.

E aqui cabe um parêntese. Vitoriano não recebeu um tostão por seu trabalho de entalhe, bem como dos personagens santos, muito menos dos oratórios. Depois de sua obra ser concluída, na parte interna da Catedral, foi jogado a própria sorte nas ruas de Campinas, onde foi encontrado morto e esquecido, era o ano de 1869. Suas obras da Igreja Nosso Senhor do Bonfim e da Catedral de Campinas deixam claro sua grandiosidade quanto ao estilo barroco que professava em seus entalhes. Campinas foi à última cidade do Brasil a abolir a escravatura, daí se tem a ideia exata do ódio da elite campineira contra negros e negras e o porquê do esquecimento de Vitoriano, aliás, proposital.

Vitoriano foi vítima do racismo e da escravidão de barões em Campinas. A necessidade de esconder o fato de ter sido um negro que construíra, internamente, todas as obras entalhadas dentro da catedral era algo premente entre a aristocracia local. Os barões se foram, Vitoriano está eterno em seu estilo barroco rococó, cheio de detalhes e arabescos, carregados de simbolismos e nuances.

Febre Amarela

Imagine uma cidade desaparecer e ficar inteiramente sem uma viva alma em suas ruas e alamedas, durante boa parte do dia e da noite, por causa da peste da febre amarela, Campinas viveu isto em 1889. A cidade que contava com dez mil habitantes em sua área urbana e outras 23 mil na área rural, foi reduzida, respectivamente, a três mil e cinco mil habitantes. E foi no consistório da Igreja Matriz de Campinas que os pobres, negros e miseráveis, atingidos pela doença, foram acolhidos.

Já os barões e outros nobres, trataram de se mudar para o que é hoje a Avenida Paulista, em São Paulo. Aliás, não fosse pela doença, Campinas seria a nova capital do Estado, algo que já estava nos planos da alta aristocracia campineira.

A doença foi implacável. Corpos eram enterrados durante a noite, depois dos caixões serem lacrados e aspergidos com ácido fênico, muito utilizado para limpeza de esgoto.

A cidade foi abandonada, quem pôde, deixou tudo para trás. Residências, lojas, repartições públicas e hotéis foram lacrados durante o surto; consultórios médicos permaneceram fechados. Dos 20 médicos que clinicavam, apenas três continuaram na cidade e dentre eles, um morreu devido à febre. Empresas e firmas comerciais foram transferidas para cidades ou vilas adjacentes.

Apesar do apoio dos clérigos da Matriz, das três mil pessoas que teriam permanecido na cidade, duas mil foram atingidas pela febre e, destas, 1.200 morreram.

Corrupção passiva é a marca registrada da Lava Jato

Edson Pereira Filho

Gosto de ser provocado, aceito explicar coisas que não são de todo perceptíveis na superfície dos fatos que enredam doravante a Lava Jato e seus personagens.

Brasília – Congresso Nacional/Agência Brasil- Fotos do cabeçalho também.

Há um personagem que passa incólume o tempo todo. Este ser engravatado, burocrata, que mostra o caminho das pedras (ou da grana) nos corredores dos prédios públicos.

Não falo de lobistas, de gente que leva papéis de um andar para o outro, no sentido de se beneficiar, rapidamente, do beneplácito que só o poder público pode promover em suas vidas.

Muito menos de assessores parlamentares e até de empresários, falo mesmo de funcionários públicos de carreira, gente concursada, que tem papel crucial na defesa do interesse público.

Uma situação que tem se repetido na Lava Jato é a corrupção passiva, quando o servidor facilita para que haja propinas, esta dividida com o próprio funcionário público, empresário e político.

Emílio Odebrecht chegou a dizer, em resumo, que compra com propina servidores públicos desde a Ditadura Militar. E até troça: Isso sempre aconteceu. Por que só agora vocês (juízes) resolveram investigar?

E é esta pergunta que tenho feito para eu mesmo. Como que policiais federais só viram isto agora, já que o esquema existe há 30 anos? Como juízes do Tribunal de Contas da União (TCU) não viram isso até agora? Como o povo não ficou sabendo disso até agora?

Ensaiando respostas

O povo não ficou sabendo disso até agora, porque, segundo Emílio Odebrecht, a ex-grande imprensa sempre soube desta história, mas nunca noticiou. E aí deduzo, dedução minha, que a ex-grande imprensa mamava na mesma teta da corrupção.
Há apenas um juiz do TCU citado, Vital do Rêgo Filho. Então, querem me dizer que os milhares de aditivos para pôr mais dinheiro nas obras da Odebrecht não chamaram à atenção desta gente especializada em fiscalizar o desvio de dinheiro em obras públicas? Só quem não baba nas pontas dos pés quando ereto sabe que tais juízes compactuavam e compactuam com o furto do erário.

E a Polícia Federal teve um roupante de idoneidade agora, de brios atingidos; seriam jovens policiais, ou sei lá? Fato é que a PF não fez nada para acabar com o maior e mais bem azeitado esquema de corrupção dos últimos 30 ou 40 anos, até mais, se pensarmos desde a fundação da Petrobras.

O funcionalismo em seus altos escalões, em seus cargos de decisão técnica e de fiscalização, precisam passar pelo crivo policial e judicial. O Estatuto do Servidor Público Federal precisa ser acionado em sua totalidade contra estes servidores que se beneficiaram de tais artimanhas nos atos de corrupção passiva. Precisam ser colocados na rua, sem aposentadoria e sem direito algum.

Quanto aos políticos e setor empresarial, as empreiteiras especialmente, cabem dizer quem são estes párias que infestam a máquina publica e meter todos atrás das grades. As delações na Lava Jato precisam levar em conta isso, caso contrário, o esquema estará mantido para outras gerações de políticos.

 

Fachin abre inquéritos contra 83 políticos e manda quebrar sigilos

Edson Pereira Filho

Fotos: Ministro Edson Fachin/Acervo do STF

O juiz do Supremo Tribunal Federal e Relator da Lava Jato, Edson Fachin abriu inquéritos para que sejam feitas investigações de caixa dois contra  8 ministros do governo federal, 3 governadores, 24 senadores e 39 deputados federais. Estes foram citados por 78 ex-diretores da empreiteira Odebrecht.

O sigilo  foi retirado pelo juiz do STF de 74 dos 76 inquéritos abertos, totalizando mais de 83 políticos suspeitos em esquemas de corrupção.  Fachin informou à Agência Brasil que a quebra de sigilo se justifica por ser de “interesse público”.

“Com relação ao pleito de levantamento do sigilo dos autos, anoto que, como regra geral, a Constituição Federal veda a restrição à publicidade dos atos processuais, ressalvada a hipótese em que a defesa do interesse social e da intimidade exigir providência diversa”, escreveu o ministro.

Dentro do âmbito da investigação da Lava Jato, também foi aberto inquérito  contra o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rêgo Filho.

As investigações, nesta fase, contarão com coleta de provas, podendo haver operações da polícia, desde condução coercitiva e prisões de alguns dos citados, até retirada de documentos e objetos sob poder dos envolvidos em esquemas fraudulentos de corrupção.

Embora o STF mantenha entre os dias 12 e 13 de abril expediente normal, e no dia 14 a atividades parcialmente funcionando, espera-se para o dia 17 uma romaria de advogados com petições dos citados na Lava Jato, para tomar pé sobre as acusações imputadas nos diversos processos.

Ministros
1. Moreira Franco, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República
2 – Bruno Araújo, ministro das Cidades
3 – Aloysio Nunes, ministro das Relações Exteriores
4 – Marcos Antônio Pereira, ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
5 – Blairo Maggi, Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
6 – Helder Barbalho, ministro da Integração Nacional
7 – Eliseu Padilha , ministro da Casa Civil
8 – Gilberto Kassab, ministro da Ciência e Tecnologia

Governadores
1 – Renan Filho, governador de Alagoas
2 – Robinson Faria, governador do Rio Grande do Norte
3 – Tião Viana, governador do Estado do Acre

Senadores
1. Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado
2. Romero Jucá (PMDB-RR)
3. Aécio Neves (PSDB-MG)
4. Renan Calheiros (PMDB-AL)
5. Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)
6. Paulo Rocha (PT-PA)
7. Humberto Costa (PT-PE)
8. Edison Lobão (PMDB-MA)
9. Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
10. Jorge Viana (PT-AC)
11. Lidice da Mata (PSB-BA)
12. Ciro Nogueira (PP-PI)
13. Dalírio Beber (PSDB-SC)
14. Ivo Cassol (PP-RO)
15. Lindbergh Farias (PT-RJ)
16. Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
17. Kátia Abreu (PMDB-TO)
18. Fernando Collor de Mello (PTC-AL)
19. José Serra (PSDB-SP)
20. Eduardo Braga (PMDB-AM)
21. Omar Aziz (PSD-AM)
22. Valdir Raupp (PMDB-RN)
23. Ricardo Ferraço (PSDB-ES)
24. Antonio Anastasia (PSDB-MG)

Deputados Federais
1 – Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara
2. Marco Maia (PT-RS)
3. Carlos Zarattini (PT-SP)
4. Paulinho da Força (SD-SP)
5. João Carlos Bacelar (PR-BA)
6. Milton Monti (PR-SP)
7. José Carlos Aleluia (DEM-BA)
8. Daniel Almeida (PCdoB-BA)
9. Mário Negromonte Jr. (PP-BA)
10. Nelson Pellegrino (PT-BA)
11. Jutahy Júnior (PSDB-BA)
12. Maria do Rosário (PT-RS)
13. Ônix Lorenzoni (DEM-RS)
14. Vicentinho (PT-SP)
15. Arthur Oliveira Maia (PPS-BA)
16. Yeda Crusius (PSDB-RS)
17. Paulo Henrique Lustosa (PP-CE)
18. José Reinaldo (PSB-MA)
19. João Paulo Papa (PSDB-SP)
20. Vander Loubet (PT-MS)
21. Rodrigo Garcia (DEM-SP)
22. Cacá Leão (PP-BA)
23. Celso Russomano (PRB-SP)
24. Dimas Fabiano Toledo (PP-MG)
25. Pedro Paulo (PMDB-RJ)
26. Lúcio Vieira Lima (PDMB-BA)
27. Daniel Vilela (PMDB-GO)
28. Alfredo Nascimento (PR-AM)
29. Zeca Dirceu (PT-SP)
30. Betinho Gomes (PSDB-PE)
31. Zeca do PT (PT-MS)
32. Vicente Cândido (PT-SP)
33. Júlio Lopes (PP-RJ)
34. Fábio Faria (PSD-RN)
35. Heráclito Fortes (PSB-PI)
36. Beto Mansur (PRB-SP)
37. Antônio Brito (PSD-BA)
38. Décio Lima (PT-SC)
39. Arlindo Chinaglia (PT-SP)

Governadores citados
1 – Paulo Hartung (Espírito Santo)
2 – Geraldo Alckmin (São Paulo)
3 – Fernando Pimentel (Minas Gerais)
4- Flávio Dino (Maranhão)
5 – Luiz Fernando Pezão (Rio de Janeiro)
6 – Raimundo Colombo (Santa Catarina)
7 – Marcelo Miranda (Tocantins)
8 – Beto Richa (Paraná)
9 – Marconi Perillo (Goiás)

Doutor Jekyll na pele do BBB Marcos, em O Médico e o Monstro

Foto: Reprodução no pay per view do BBB

Edson Pereira Filho

No pay per view do BBB se vê Marcos, o namorado da Emily, ou Emilly, a namorada do Marcos. Tanto faz, ou não. Ou então, vê-se a vida como uma ferida aberta, sem rodeios, sem pompas e sem circunstâncias.

Ieda, senhora de setenta e poucos anos dorme durante o dia no mesmo quarto, no mesmo horário, em que Marcos e Emilly fazem sexo debaixo do edredom, com sussurros, gritos e uivos sem a menor cerimônia. Aliás, sexo de manhã, à tarde, à noite e de madrugada. O rala e rola era frequente, sem se importar com quem estava por perto, fosse a que hora fosse, até em locais poucos recomendados. O dia do dedo na cara de Emilly, em que Marcos teria a agredido, também teve sexo logo em seguida.

Marcos se diz médico cirurgião, tanto no pay per view quanto em uma das intervenções frente ao apresentador Tiago Leifter (ao vivo). Até aí nenhuma novidade, o médico, em uma das intervenções, alega que deixou de atender em pronto-socorro porque não aguentava ver mais pessoas morrendo, dar notícias de pacientes que não sobreviveriam mais a seus familiares.

O médico Marcos é dono de três clínicas de cirurgia plástica, e viaja de um canto ao outro, para atender e fazer cirurgias em suas unidades, passa uma semana em cada lugar. Pelo menos estas são as informações que chegam pelo pay per view.

Até aí, nenhuma novidade, mas o que chama a atenção, é que no pay per view ele não cita, em momento algum, que participa de congressos, especializações ou algo do gênero. É muito comum entre médicos do gênero, e até de outras especialidades, essas constantes viagens dentro e fora do Brasil para se gabaritar melhor, conhecer novas técnicas, enfim, se aperfeiçoar. Todavia, Marcos nunca tocou no assunto, mesmo quando falava de seu ato de fazer cirurgias.

No último domingo, se bem me lembro, Marcos esculpia em pedras de sabão o boneco cibernético do BBB. Pegou um sabão, fez o braço. Pegou outro sabão, outro braço. E foi fazendo as partes do robô pouco a pouco. Até chegar à cabeça, de cor azul escura, bem, fez os olhos, colocou uma espécie de mascará preta sobre os olhos, uma túnica na cabeça, lembrando um soldado do Estado Islâmico. Foi quando a direção do programa o proibiu de continuar a escultura (do cirurgião plástico).

Depois, dá-lhe sexo com Emilly, enquanto isso lá fora, o pai da garota que também adquirira o pay per view, via filha se relacionando como uma cadela no cio. E o médico, ‘respeitoso’, mais velho, mais sabido (não vou chamá-lo de sábio), embarcava nos prazeres da carne, sem cerimônias, o negócio era … Chegou a segredar a Emilly, depois de escapar de um dos últimos paredões a seguinte frase: Vamos fazer amor depois disso.

Sei que podem me taxar de moralista, de defensor disto ou daquilo, mas como pai, fico só imaginando como funciona esta situação na cabeça de milhões de pais. Como funciona isto para a família, pais, mães e filhos assistindo cada vulgaridade desta.

O pai assistindo a tudo isso. Marcos que ficara o tempo todo, praticamente desde o início do reality show, caçando Emilly em toda parte da casa, enquanto essa não cedesse aos seus desejos. Emilly que não queria nada com Marcos no início do reality.

A menina que depois passou a ter uma dependência estranha e a minar a presença de qualquer das trintonas ou quarentonas que chegassem perto de tão promissor “cirurgião”, desculpe-me pelas aspas, mas sinto que há algo errado com este moço. Algo não encaixa nesta história.

Explico. O tom monocórdio de Marcos, comum aos médicos, ganha contornos estapafúrdios quando este assume a postura de agressor, sim, agrediu a moça, ao marcá-la no antebraço, com um de seus apertos, insistindo para que ela acatasse suas observações. Em uma de suas conversas com a beldade, o rapagão de 37 anos, ela com 20 anos, chega a dizer que a moçoila não vestirá as roupinhas que as deixam seminua, quando saírem do programa.

A moça sucumbe aos desígnios do rapaz, a própria família aqui fora chegou a dar entrevista sobre o assunto, dizendo que Emilly teria namorado um rapaz nas mesmas condições, com o mesmo grau de servilidade, sem se aperceber de sua condição de vítima.

A Delegacia da Mulher do Rio entrou na história, e decidiu abrir processo por lesão corporal contra Marcos, que foi retirado do programa imediatamente. A fala da agressão deixa exposto uma suposta briga corriqueira de casal, porém pelas frases, se vê que tais episódios eram constantes, se não deduza você mesmo:

“Presta atenção! Presta atenção! Você só está comigo, presta atenção, só mais um pouquinho. Você só está comigo porque eu quero que você ganhe, é isso?”, pergunta Marcos.
Depois, na parte externa da casa, Emilly reclama de dor no punho:
“Eu não quero saber. Olha aqui, tu me beliscou de novo, Marcos. Tu apertou meu pulso, tá doendo”.
Marcos argumenta: “Tá, peraí, toda vez que você mostra isso eu tenho que mostrar as vezes que você me unhou”.
Emilly rebate: “Foi uma vez”.

Ao observar tais cenas, é preciso deixar claro que tais personagens perderam a noção de estarem sendo vistos, depois de um longo tempo privados da realidade externa. Só que a Lei Maria da Penha não prevê em seus artigos, pelo menos que eu saiba, tal situação de laboratório humano. Nestes locais, porém, as pessoas costumam mostrar o que realmente pensam ou fariam, devido estarem à flor da pele, com estresse no máximo, devido à situação de privação de sua liberdade momentânea de ir e vir.

Todavia, durante o último domingo, Marcos passou a observar mais as câmeras, a olhar sempre de soslaio para cada uma delas, nos diversos pontos da casa, como se tivesse dado conta de suas ações, agressões verbais e intimidações junto a outras participantes da casa.

Um sujeito metódico, com olhar sempre de dúvida, sempre milimétrico no falar e nas ações, mas que explode deixando entrever para todos que pode cometer algo mais sério. Tanto isso aconteceu, que muitos, durante o programa, evitavam ficar por perto. No pay per view, diariamente, isto ia ganhando novos contornos, foi quando a direção do programa, avisada pela polícia e já se apercebendo de um comportamento fora dos padrões globais, risos, resolveu tirar o moço de cena.

Dito isso, o resultado deste BBB, pouco importa, penso. Acompanho reality, pois gosto de saber o que pensa a média dos brasileiros e brasileiras. Como agem, em determinadas situações, gente das classes A, B ou C. Como são as mulheres brasileiras. Como são os homens. O que cada um pensa da condição humana. O que há de ética entre estas pessoas. E fica claro, pelo menos para mim, o porquê de nosso País caminhar a passos largos para a lama, para sua falta de bom senso, para não preocupação com outro, pelo não respeito à defesa da vida, pelo desrespeito à mulher.

A imagem que se vê dentro e fora do BBB é tão singular, tão profunda e também tão enfática, sobre nossa real situação moral, nosso ato de pensar e agir diante de fatos e pessoas. E isto incomoda, incomoda olhar para tal espelho, um País sem escrúpulos, de pessoas sem um pingo de discernimento e pouco ou nada comprometidas consigo mesmas. Um País que cisma em não dar certo.

Edson Pereira Filho é professor, escritor jornalista

Caixa amplia horário para saque do FGTS

Repórter Edson Pereira Filho

Foto: Agência central da Caixa em Campinas, muitas pessoas e atendimento demorado no último sábado/ Foto: Edson Pereira Filho

As agências da Caixa abrem mais cedo nesta terça-feira e amanhã (12/4), a partir de 9 h, embora o horário normal de atendimento é sempre a partir das 11h. Os trabalhadores devem trazer a carteira de trabalho para tirar dúvidas, como sacar dinheiro das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Em algumas cidades do País, onde o atendimento é, normalmente, às 10h, será feito a partir das 8h. Todas as agências fecharão uma hora mais tarde (17h). Caso ainda, o trabalhador alegue que tem direito, mesmo tendo consultado via internet seu saldo negativo, deve levar a recisão de contrato de trabalho, para conferir possíveis equívocos nos lançamentos da conta inativa.
Serão 3.412 agências atendendo em todo País, porém não terão horários especiais os 837 postos de atendimento e as oito unidades móveis (caminhões) da Caixa. As agências lotaram no último sábado, e em vista disso, a direção da Caixa resolveu aumentar o horário de atendimento para os 7,7 milhões de trabalhadores nascidos em março, abril, e maio, são os que estão em condições de sacar neste momento.

Estão nos cofres do banco cerca de R$11,2 bilhões, 26% de todo quantia que a Caixa pretende liberar aos brasileiros. Os trabalhadores terão até o dia 31 de julho para sacar o dinheiro, que podem ainda, receber automaticamente em suas contas.
Desde sábado (8), 7,7 milhões de brasileiros nascidos em março, abril e maio podem sacar os recursos das contas inativas do FGTS. Esses trabalhadores têm até 31 de julho para fazer o saque, caso não recebam automaticamente em conta. Mesmo trabalhadores que tenham pedido demissão até o dia 31 de dezembro de 2015, tem contas inativas para retirada do dinheiro.

Ataque de insetos põe fim a República

 

Foto do Laboratório da Fio Cruz/RJ

Edson Pereira Filho

A história começou quando o jornalista Arthur Serrilha viu as histórias de leões que comem gente na África. E descobriu-se que os felinos faziam isso porque religiosos muçulmanos não comiam mais porcos do mato. Com a grande concentração de suínos perto dos casebres das tribos, os leões passaram a frequentar o local e, só para variar o prato, a comer também humanos.
Todo mundo sabe que porcos do mato existem em toda África, entretanto, o simples fato de não comê-los, tornou-se um inferno para uma comunidade banto, na região Central da África.
Arthur ficou assuntando tudo aquilo. Perguntando como é que teria começado a história do ataque de insetos contra congressistas de seu país.
Dengue, chikungunya e microcefalia num único e diminuto inseto, mais letal do que bombas estrondosas e do que metralhadoras de última geração. Pois bem, grupos organizados na periferia tiveram a ideia de levar tais insetos, ainda em forma de pupa (larvas), para próximo das casas e apartamentos dos políticos.
Uma vingança contra o descaso com a saúde pública, algo criado por alguma mente doentia ou quiçá revoltada com tanto descaso dos poderosos para com os miseráveis. Ou um acúmulo de coisas, entre elas, fome, desemprego, miséria, violência, ignorância e muito mais. Levas inteiras de miseráveis acorrendo às grandes mansões da classe política, deixando recipientes cheios de larvas. Tudo isso, ficava flutuando na cabeça de Arthur como um ponto de interrogação.
Não tardou muito, mortes e o Congresso se esvaziou por completo. A presidência da casa ainda, resmungava impropérios contra terroristas armados de pupas, atacando, aqui e acolá, seres indefesos em ferraris, porches e lanborghinis. Clamava aos céus de sua tribuna, esquecendo por segundos, que o estado é laico.
E num tom desesperador gritava no microfone: Senhor, por que me abandonas-te.
O presidente do país, taciturno, olhava o jardim em forma de estrela, deixado por sua antecessora. Via chusmas de insetos balouçando nas veredas iracundas do gramado, chamuscadas por holofotes.
O homem estava ensacado, por assim dizer, dentro de uma célula de sobrevivência para pacientes, um quarto de plástico, cuja silhuetas dos seguranças da presidência pareciam derreter. Aliás, tudo a volta da presidência derretia literalmente.
O país em rebuliço total. A morte também se estendeu para outros cantos. Os insetos, assim como a poluição, não conhecem pátria, território ou leis. Imagine, cumpre-se então a sina científica no fim dos tempos, quando os insetos serão os únicos a testemunhar o fim de tudo.

Por Edson Pereira Filho, professor, jornalista e pedagogo.

Orquestra arrasa em apresentação sobre o cinema italiano em Campinas

Repórter Edson Pereira Filho

A Orquestra Sinfônica de Campinas foi aplaudida de pé neste domingo (09/04) pela manhã várias vezes, depois de apresentar trilhas musicais do cinema italiano, especialmente, de Ennio Morricone e Nino Rota.

O maestro Victor Hugo Toro e o contrabaixista e solista Pedro Gadelha tiveram que dar até uma canja a mais na apresentação. A música que chamou a atenção da plateia foi Westerns, de Morricone, quase no final da apresentação.

O teatro Castro Mendes, onde tudo aconteceu, estava praticamente lotado em sua capacidade (para 760 lugares).

Os aplausos foram tantos, que o regente depois de inúmeras reverências ao público presente, fez gesto com as mãos em sinal de término do espetáculo, finalizando com outro gesto de estar comendo com o garfo, pois já passava da hora do almoço, a plateia riu.