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Opinião, interpretação, dedução

Release para a imprensa sobre meu livro

Escritor campineiro escreve ficção sobre legado de ditadores

No seu primeiro livro Generais, o escritor Edson Pereira Filho constrói uma ficção histórica a partir dos escombros sociais deixados pelas ditaduras militares na América Latina (AL). Longe de fazer um texto cheio de citações fascistas ou marxistas, o autor traz para o mundo das pessoas comuns, num texto despojado, o universo deixado por este tempo obscuro e violento. O livro, como faz questão de assinalar Pereira, fala do legado deixado pelos ditadores militares 25 anos depois destes apearem do poder.

Os capítulos do livro são recheados de histórias e dramas humanos, numa linguagem ágil, leve e extremamente desprendida do discurso político. “É uma história humanizada”, assinala Pereira. Uma viagem textual cheia de imbricações, ora em prosa, ora um texto jornalístico, ora uma crônica, ora um conto, ora romântica, ora cheia de drama, ora cheia de comédia, ora extremamente hilária, ora cheia de violência. O pano de fundo é o cidadão comum, que levanta cedo todos os dias, cumpre com suas obrigações, paga seus impostos, trabalha de sol a sol, mas não sabe o que acontece nas altas esferas do poder.

O personagem principal, Artur Serrilha, um jornalista, vai garimpando no seu dia a dia as desgraças sociais deixadas pelos ditadores 25 anos depois. O personagem analisa, através de causos da vida humana, o que aconteceu com a cultura, a liberdade de expressão, a educação, a violência, a miséria, o latifúndio, a religião, o poder entre outros temas. “É uma história humanizada, e não se pretende no livro uma análise política aprofundada, e sim a visão anônima de um cidadão comum”.

Lendo a obra se tem a ideia da resultante social deixada pelos militares, duas décadas e meia depois. “Acredito que somos o resultado do que vivenciamos e aprendemos no passado”, alinhava Pereira. Para ele, países da América Latina em dificuldades nos vários campos da vida em sociedade, são o que são devido às ditaduras do passado. “Até pela sua história escravagista”, arremata o autor. A violência de então, a ignorância escolar, a corrupção política, a dependência das classes mais abastadas com o poder central, a religião e seus descaminhos são alguns dos eixos que reforçam a história fictícia do escritor, ao mesmo tempo tão real.

Para quem quiser adquirir a obra, que só está à venda pela internet, basta acessar este endereço: http://www.perse.com.br/novoprojetope…/WF2_BookDetails.aspx…. A editora é a Perse, sediada em São Paulo. O escritor campineiro está realizando pequenos lançamentos da publicação. “As pessoas compram e marcam um evento qualquer e eu apareço para autografar o livro”, sugere. Seu livro já faz parte de algumas bibliotecas em escolas públicas. “Diretoras e diretores de escolas onde trabalhei estão adquirindo os livros para os alunos. Fiquei espantado com a repercussão, tomará que gostem do que escrevi”, torce.

Facebook: Fanpage do Livro Generais

O discurso da diversidade na ciranda do racismo

Na foto: Dr. Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, pesquisadora da USP, responsável pela introdução da Educação Afro em todas escolas do País.

O ponto central das Olimpíadas talvez tenha sido o congraçamento entre os povos. Gente de todo mundo esteve no Rio. Muita gente falou da união na diversidade racial e multicultural. Para as telas de televisão até pode ter sido, uma espécie de segunda natureza criada pelos mídias, onde o mundo parece ser ideal, sem preconceitos.
O apresentador da televisão Rede Globo, Galvão Bueno, exultava em falar que somos o País da diversidade e Glória Maria ia no mesmo diapasão. Esqueceram os morros. O soldado da Guarda Nacional morto com um tiro na cabeça. Esqueceram a violência que graça no País contra negros. Enfim, deveriam ficar quietos a este respeito, seria mais educado. Por quê? Explico.
O mundo ideal dos mídias cai por terra, quando pensadores da Educação, como a professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, do Conselho Nacional de Educação, diz que a diversidade é o novo contorno do racismo. Segundo a estudiosa do tema, o fato de diluir todos os diferentes no discurso da diversidade, esconde algo perverso, que passa ao largo de gente que não sente na pele tais perseguições racistas.
O discurso da diversidade tira do indivíduo seu status de ser, em sua plenitude e formação individual. Não é de hoje que a Globo tenta apagar um passado não muito distante sobre como ela percebe os negros em sua telona, não vou aqui descrever, novelas inúmeras provam a tese do racismo velado da emissora, há inúmeras teses sobre este assunto mofando nos bancos universitários, quem quiser, que vá lá pesquisar.
O ponto principal em diluir a condição humana de cada um, tem por princípio não promover a identidade, os anseios e as buscas por mudanças nas condições sociais vigentes por parte dos discriminados, para as vítimas de preconceito. E nesse sentido, a emissora presta, novamente, um desserviço à sociedade brasileira.
É como numa ciranda, o discurso da diversidade mais lembra uma roda, onde os diversos giram uniformes, de acordo com a música tocada pelo estabelechiment. Enquanto no centro da roda, que parece estar vazia, encontra-se o vácuo deixado por nossas mentes, pouco ou nada afeitas a percepção do que realmente interessa, a percepção do outro, a percepção do que somos.

* Por Edson Pereira Filho, jornalista, pedagogo e professor de Língua Portuguesa.

Não vai ter Golpe? Sempre teve

Por Edson Pereira Filho*

Foto: Presidente João Goulart/Arquivo do Museu Nacional

João Goulart, presidente do Brasil, sabia que generais e militares brasileiros não valiam a saia de Kemp, sua secretária, aliás, disse isso para o comando militar brasileiro numa reunião.
Darcy Ribeiro, chefe da Casa Civil de Jango, apelido de João Goulart, conhecia os golpistas militares brasileiros, prostitutas que eram dos EUA, estes últimos atordoados com a Baia dos Porcos, a Guerra Fria e à sua porta batia a Revolução Cubana.
Nosso Dartagnan, Rubens Paiva, então deputado à época, protegia o presidente, fiel escudeiro que era da República. Depois seria morto pelos milicos.
Em 1930, bem antes do Golpe de 64, empresários e a eminência parda dos milicos, Golbery Couto e Silva, criavam o IPES e o IBAD, institutos que desbancariam o populismo de Vargas, só conseguido com seu suicídio.
Jango não apostava nem em radicais de esquerda e radicais de direita, para ele, como gostava de dizer, os indignos e os indignados possuem o mesmo peso na hora do confronto, qual seja, somem.
Pois bem, o IPES e o IBAD tentaram de todas as maneiras acabar com o governo Jango.
Jango acabou com o IBAD, porém o IPES, então centro de estudos dos militares e da direita assassina e torturadora, ficou até o Golpe.
Os militares tramaram o Golpe pelas costas e o IPES foi a senha horrorosa para se criar o SNI.
Em abril de 1964, navios norte-americanos costeavam praias brasileiras, o Golpe Militar era dado.
Jango já tinha partido para o exílio, em Montevidéu; militares brasileiros o queriam morto, mas não conseguiram
Darcy voou atrás, fez livros sobre a antropologia Charrua por lá, aliás o primeiro livro antropológico que se tem notícia no Uruguai.
Darcy fundou as melhores e mais importantes universidades e escolas pelo mundo, depois que foi também para o exílio.
Enquanto isso, os filhos de Darcy, aliás Darcy adorava mulheres, ficaram por aqui, sendo humilhados pela classe média, dentro das escolas, que gritava: Comunista! Filhos de comunista!
Mesmo assim, os filhos de Darcy até hoje adoram o pai, pois sabiam de suas idéias e ideais.
E os filhos de classe média, ignorantes de tudo, menos das torturas, mortes e desaparecimentos, aplaudiam tudo em nome de Deus e da TFP.
O país se estatizou nas mãos dos milicos, os empresários, que pensavam numa economia aberta, ficaram com a bandeira verde-amarela na mão, pois os militares queriam tudo para si.
Veio o tal bolo que ia crescer, segundo o gordinho e sacana ministro da Economia, Delfim Neto. Ele, o ministro, prometia que toda a riqueza iria ser dividida com os trabalhadores no final da década de 70.
No final dos anos 70, tínhamos mais desempregados (81% sem emprego) e doentes do que quando Jango era presidente.
Delfim se enricou, não distribuiu riquezas, e até hoje dá palestra, distribuindo cascatas econômicas, como quem sabe dizer alguma coisa sobre a dignidade do trabalho que faz a riqueza de um País, um pilantra.
E o que dizer de nossos milicos, prostitutas, só isso.
Passamos por Sarney, Itamar, Collor, FHC, Lula e estamos em Dilma, e o mesmo diapasão de nossa elite empresarial e política se mantêm, qual seja manter seus privilégios em detrimento da miséria, desemprego e fome da maioria.
O PMDB é e foi à prostituta dos presidentes citados pós-ditadura, faz o jogo da elite financeira inclusive.
Dilma está para ser frita, aliás, trata-se apenas de mudança da mesma máfia, qual seja nossa velha elite golpista.
Lula se lambuzou desta elite que se alia, conspira e depois toma tudo.
Dilma faz a mesma coisa.
Caso troquemos de presidente, lembre-se, quem estará lá não tem um projeto para a maioria deste País, portanto, não adianta cobrar obediência desta maioria.
Ah, e não é crime a livre organização social, sindical e política. Criminoso é esta gente que age nas sombras, o juiz Moro deveria ir atrás destes outros canalhas, mas não o faz por motivos óbvios demais.

*Por Edson Pereira Filho, jornalista, pedagogo e professor.

Oiá, Ginga e Mangueira

Por Edson Pereira Filho

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A Mangueira nos apresentou Oiá, e com tamanha sabedoria só podia ser campeã do Carnaval no Rio, após 13 anos à espera de um título.

Oiá e Iansã são a mesma coisa, dentro da Mitologia Iorubá, é a mulher que dominou 11 deuses, entre eles Xangô e Ogum, fazendo amor com eles e, esse era o seu ardil, amar sobre todas as coisas e quantos homens fosse possível.

Só que o amor de Oiá conseguia se apoderar de toda sabedoria de cada deus negro do olimpo.

Sua representante aqui na Terra, Maria Bethânia, que sempre cantou Oiá, quando disse que “Iansã tem um leque que venta, para abanar dia de calor. Iansã mora na pedreira, eu que ver meu pai Xângo”.

Filha de Oxum, Oiá teve nove filhos com Ogum, quando adquiriu os atributos da forja e da espada.

Com Oxaguiã, pôde usar o escudo do guerreiro.

Com Exu, teve a força da magia e do fogo, tendo o poder de realizar desejos seus e de seus protegidos.

Com Logum Edé, adquiriu a sabedoria da pesca.

Bem, foram 11 deuses, mas Obaluaê não quis saber de Oiá.

Ao final de tantas conquistas, Iansã foi se aquietar no Reino de Xangô.

Pois bem, com tamanha sedução Oiá entrou na Sapucaí, encantando os deuses da avenida. Não só os deuses, mas os jurados e juradas.

A guerreira apresentou sua filha “Maria Bethânia- a menina dos olhos de Oyá”, quando a escola homenageou a cantora na última segunda-feira (8/02) no sambódromo da Sapucaí.
Este passou a a ser o 18° título da escola, o qual ganhou pela última vez em 2002.

Treze anos depois, Oiá abriu os caminhos com sua espada e escudo. Soltou a magia de Exu e ganhou a todos na avenida.

Xangô e Ogum voltam para o Olimpo Iorubá com a deusa, satisfeitos, porém a guerra dos deuses pelo amor de Oiá continuará nas retretas dos céus.

A Mangueira foi impecável, irrepreensível. Jamelão aceitou o moço de Nossa Senhora, intérprete oficial da Mangueira, Ciganerey. Sincretismo puro e bate a cabeça no chão para o branco pensar que se salda a mãe branca, mas Oiá está debaixo da terra também.
Oiá olhou lá de cima com olhos marotos para o cantor da Mangueira, Ogum triscou a espada e Xangô quer tirar Iansã da casa de Ogum. A briga promete.

Como promete a história de uma mortal guerreira africana. Ginga, pois é, se fala tanto em ginga por aí, mas não se sabe a origem. Ginga foi uma guerreira africana de carne e osso, aliás, muita carne, que viveu durante 80 anos, construiu impérios e dominava boa parte do continente africano. Ora ela se vestia de homem, ora seus homens se vestiam de mulher nas batalhas. Era uma deusa sábia e rápida, assassina e doce, guerreira e mulher, alegre e triste, como são os mortais. Pois bem, foi com Ginga que nasceu toda nossa ancestralidade, nosso jeito de ser, do povo brasileiro ser. Lutar sem perder a sensualidade, a dignidade e a alegria, mesmo que tenha sangue, dor e tristeza, pontos tão antagônicos, mas que definem bem nossa genealogia e todos estes anos de luta de mangueirenses. Salve Oiá. Salve Ginga. Salve Mangueira, minha escola querida.
Por Edson Pereira Filho, jornalista, pedagogo e professor

Ser humano é negócio de branco

Foto: Poesta russo Vladimir Maiakovski/Arquivo do Museu da URSS

Edson Pereira Filho

Tempos atrás, gente da Globo News, canal fechado do Grupo Globo, resolveu ter, sem maiores explicações, um circunlóquio entre jornalistas sobre a questão racial. Participava de tal debate Ali Kamel, entre outros jornalistas da casa. Lá pelas tantas, os debatedores, que não sentem na pele a questão do racismo, que não são estudiosos no assunto, resumiram tudo numa fala carregada de obviedades: o importante é ser humano 365 dias do ano. O próprio cantor Ivan Lins também falou a mesma frase dia destes no Facebook.

Ouço muito este papo que somos humanos e que não seria necessário ter um dia dedicado à luta contra o racismo. Ouço de jornalistas. Ouço de juízes. Ouço de alunos. Ouço de policiais. Ouço de donas de casa. Ouço…ouço..ouço

O fato é que saído da condição de ser, ou seja, biológico, deixamos à condição humana quando a cultura, a cor da pele, a religião e o dinheiro delimitam nosso ser e, aí, nossa tal condição humana vai para o ralo literalmente.

Ainda bem que somos limitados por tais fatores sociológicos, diriam alguns, pois assim teríamos com o que nos preocupar para transpor tais obstáculos. O detalhe sórdido é que a cor da pele não se pode mudar em larga escala, um cantor americano fez isso, e os meios hiperbáricos que usou custaram caro a sua pele, quiçá a sua vida.

Então, tais condições humanas, ao que parecem, são imutáveis, e acredito mesmo que não devam ser mudadas. Mudar a cor da pele é antes de tudo uma violência, não uma evolução, como quiseram fazer acreditar seguidores de Levis Strauss.

Voltamos ao ponto inicial. Quando o poeta cubista russo Vladimir Maiakovski disse:

“Oh, sábios que tocais ternos violinos

Não podei-vos fazer como eu,

Virar-vos pelo avesso

Para ser todo lábios”

Antes de qualquer coisa, a tradução do poema é minha, então peço paciência, Campos traduz quase do mesmo jeito. Feito a ressalva, o poeta diz, literalmente, que se virássemos a pele pelo avesso, todos, seríamos lábios. Lógico, Maiakovski fala de sentimento em sua poética, algo que poucos carregam dentro de si. Mas retomando o conceito básico, somos vermelhos, temos vísceras e, somos sim, viscerais, dependendo de nossa armadura cultural, nossa grana, nossos conceitos e preconceitos. Pois bem, o humano está resolvido, ou seja, ele vai até o feto, quando este deixa a barriga da mãe tem que carregar o DNA da cultura que será imposta a ele.
O racismo e a discriminação, a violência premeditada contra a população negra, seja ela pobre ou rica; seja ela branquinizada ou não, ganha fortes contornos fora da barriga da mãe.

A branquinização, processo adotado pelo negro como subserviência ao branco para com isso ser “aceito” socialmente, é um dos últimos caquéticos bastiões do racismo abrasileirado.

Como bem assinala a ministra Nilma Gomes, nobre reitora, e sua colega Petronilha, pesquisadora renomada em Educação pela USP, autoridade do Currículo Nacional de Ensino, o racismo vive inventando novas formas e discursos. O último deles, mais falado por brancos e negros (até dito consciente politicamente) é o Discurso da Diversidade. Segundo as pesquisadoras citadas, a diversidade é o novo discurso do racismo. Em síntese, segundo as estudiosas, a diversidade dilui a luta de grupos (gays, lésbicas, negros, mulheres etc.), fazendo com que estes percam sua identidade e tino para questões específicas. Numa frase Petronilha diz:

“O discurso da diversidade é o novo contorno do racismo”

Então, pessoas globais dizendo isso, não é algo para se espantar, faz parte de uma orquestração muito maior. Embora admire o programa de Regina Casé, por exemplo, o chamado Esquenta, sei que tal discurso tem como pano de fundo o abrandamento das questões de proa do movimento negro. O episódio envolvendo a PM e a morte do bailarino da apresentadora, foi esclarecedor no quesito: não queremos confusão com o Establishment.

Após 389 anos trabalhando sem receber salários, sem condições de trabalho, tortura, espancamentos, homicídios entre outras atrocidades, negros não precisam de 365 dias de humanidade, precisam, antes de tudo, receber em dinheiro, as tais cotas abominadas por alguns, por um longo tempo, a fortuna que construíram para brancos ociosos, para ser educado. E os jornalistas globais que dizem sobre tal humanidade, precisam parar de macaquear o que seus patrões mandam dizer.

Edson Pereira Filho é jornalista, professor e escritor.

Na Era Digital, mestres correm sérios riscos

Edson Pereira Filho*

Se me permite, caro leitor, vou divagar, é domingo, penso que tenho este direito. Primeiro dizer que a base (escolar) está naquela base, se é que você pode me entender. Dia destes, lia um teórico marxista dizendo que a rede (Internet) é o novo instrumento de luta dos explorados, lá pelas tantas, ele vaticinava que a rede irá derrubar este capitalismo digital, o qual criou a internet.

Lembro de Mao, na China, durante a Revolução Cultural, quando mandou que os jovens arrancassem das escolas seus mestres. Lembro da contracultura americana, do movimento hippie, que também ia na mesma linha, ou seja, não confiar em ninguém com mais de 30 anos. O duro é que sempre surgem estes líderes que sabem manipular, especialmente, a juventude, por motivos óbvios, estas são presas fáceis. A rede de computadores tem imbecilizado nossos jovens, salvo engano, pois nem na aula eles querem ficar mais, não os culpo, também não ficaria diante de um conteúdo do século XXIV, com professores no século XX e alunos no século XXI.

Certo que a rede possibilitou o escárnio público das grandes corporações (Lava Jato é um exemplo) de políticos e de tudo que se escondia por interesses escusos. Nossos jovens, vítimas deste processo, estão devolvendo o mesmo veneno que os condena a própria sorte há décadas. Só espero que não matem seus mestres nesta Era Digital e escolham melhor seus algozes.

Na China e nos EUA, após a Revolução Cultural e Riponga, não mais do que 10 anos depois de terem balançado as estruturas da sociedade, a população destes países descobriu estarrecida que havia destruído o conhecimento amealhado durante décadas e séculos. Esta destruição resultou num aumento substancial da violência e da corrupção em tais países. Certo que na China e nos EUA, bandido não tem vez.

 

Edson Pereira Filho é jornalista, pedagogo e professor de Língua Portuguesa.