Arquivo da categoria: Cultura

Cultura, teatro, música, cinema

Festa Junina já incendia nove estados nordestinos

Reportagem Edson Pereira Filho

A tradicional festa junina já incendeia  os noves estados nordestinos do Brasil neste mês de junho.

Centenas de quadrilhas se revezam em festas e campeonatos para a grande final nacional que será em julho.

Enquanto o campeonato nacional está distante, em Sergipe as quadrilhas (escolas) Unidos em Asa Branca e Pioneiros da Roça prometem muito arrasta-pé neste final de semana.

A grande final nordestina de quadrilhas em Sergipe termina neste domingo.

Sendo considerada uma das maiores São João do nordeste, Sergipe divide o título com Campina Grande (Paraíba) e Caruaru (Pernambuco). As festas juninas mobilizam milhões de pessoas, dia e noite, nos nove estados nordestinos do País.

O campeonato junino em Sergipe acontece no ginásio da cidade de Itabaiana, capital do agreste sergipano.

A estreia da Unidos em Assa Branca, no dia 1 deste mês, chamou a atenção pela beleza, coreografia e plasticidade.

Com 88 componentes, os quadrilheiros evitaram lances teatrais para não tirar o ritmo quente da dança. Já os Pioneiros, também se apresentaram com a mesma desenvoltura.

A final do campeonato estadual em Sergipe é amanhã, domingo.

A festa junina sergipana existe há pelo menos 35 anos, e concorrem 18 quadrilhas no grupo especial.

Festa Junina no Sergipe começa animada este ano.
Manoel Pedro, componente da Unidos em Asa Branca

As apresentações estão todas com lotação esgotada. Em cada apresentação, o público lota o ginásio, que tem capacidade para duas mil pessoas.

Um dos componentes da Unidos em Asa Branca, Manoel Pedro, informou que a temática da dança de sua escola este ano é Feitos da Fé. “Retrata o amor entre pessoas de religiões diferentes. Traz o respeito como elo central entre as personagens centrais, além de trazer elementos da cultura sergipana como o São Gonçalo”, acrescenta.

Após o campeonato estadual de Itabaiana, a festa continua com concursos de quadrilha pelo estado, estes de caráter local, em cidades e na própria capital sergipana, como Concurso de Itabaianinha, SESC, Jeremoabo, Rio Real, Centro de Criatividade, Gonzagão, Orla de Aracaju.

Unidos em Asa Branca e Pioneiros da Roça estão empatados 5 vezes em vitórias no campeonato estadual.

Em julho, acontece o campeonato da Rede Globo Nordeste, envolvendo os nove estados nordestinos. Logo depois, acontece o Campeonato Nacional, onde participam todos os estados do Brasil.

Leia também:

QUADRILHEIRO DANÇA DIA E NOITE NA FESTA DE SÃO JOÃO

‘Quadrilheiro’ dança dia e noite na Festa de São João

Reportagem Edson Pereira Filho

A reportagem da Folha Metrópole entrevistou Manoel Pedro, professor de Educação Física e aficionado pela dança de quadrilha.

Manoel Pedro, componente da Unidos em Asa Branca, Sergipe.

Ele contou como é a preparação da festa e como cada componente contribui com a temática, a dança, coreografia, teatralidade, vestimenta. Antes, é bom que se diga, o quadrilheiro, no Nordeste, é aquele que dança quadrilha, nada além disso.

Folha Metrópole (FM)- Sempre dançou quadrilha?
Manoel Pedro (MP) – Sim. Então, eu sou quadrilheiro. Aqui de Sergipe, apesar de ser baiano, do sertão (interior baiano). Mas moro já algum tempo aqui em Sergipe. Danço em uma das quadrilhas considerada grandes aqui no estado. Há inúmeras, Sergipe tem certa tradição.

FM- Quando começa o preparo da festa junina?
MP – Começamos ensair e nos preparar para o São João em novembro. São em média sete meses por ano nos preparando para dançarmos.

FM – A festa mesmo, quando começa?
MP – O mês de junho e julho, geralmente, que é a chamada temporada junina no nordeste.

FM – Qual quadrilha você participa? Tem um nome? Quantos componentes?
MP – Unidos em Asa Branca. Esse ano estamos com 88 componentes dançando. Mais componentes do grupo musical, acho que são oito. Na direção da quadrilha, mas quatro pessoas. Tem também o pessoal da produção, cenário, bem, entre todos, dá uma 120 pessoas.

FM – Vocês possuem uma quadra, um local para ensaiar?
MP – Tem uma sede, mas é pequena, lá, geralmente, só fazemos reuniões e comemorações. Ensaiamos em espaços com os quais fechamos parcerias. Esse ano estamos ensaiando em uma escola do estado, um espaço da prefeitura municipal de Aracaju e uma quadra de num colégio particular. Então os ensaios acontecem no Colegio Sabino Ribeiro, na Escola Park (atual sede da guarda municipal de Aracaju) e no Colegio Particular Coesi. Nossa sede fica no Conjunto Leite Neto, em Aracaju.

FM – Quais são os preparativos feitos durante os ensaios?
MP – Então, primeiro começamos a montagem das coreografias, que são feitas pelo coreógrafo e marcador Waterlin. Depois juntamos coreografia com o grupo musical, para harmonizar os elementos coreográficos com o repertório. Há um tema, em que montamos a parte cênica e algumas das coreografias. O tema é o ponto chave do trabalho. É sobre ele que nos debruçamos. Há um trabalho teatral em cima também.

FM – O nome do tema este ano, pode me dizer?
MP – A temática este ano é “Feitos da Fé”. Retrata o amor entre pessoas de religiões diferentes. Traz o respeito como elo central entre as personagens centrais, além de trazer elementos da cultura sergipana como o São Gonçalo. Esse ano será um tema marcante. Este tema está relacionado a discussões fortes que vem acontecendo no país (com relação a intolerância religiosa).

FM – Você tem ideia de quantas quadrilhas participam do São João de Aracaju?
MP – São muitas. É porque há concursos, além do campeonato estadual, há quadrilhas em várias cidades do estado. Na divisão principal, geralmente, participam 20 quadrilhas, este ano tem 18. Mas há outros concursos que não há divisão. Mistura. Ai existem eliminatórias, semifinais e final. Concursos como o Centro de criatividade, Rua São Joao, Gonzagão. O principal campeonato é o estadual. Quem ganha, participa do “Rede Globo Nordeste de Quadrilhas”, é a principal competição do país. E participam as campeãs dos nove estados do nordeste.

FM – É um mês a festa, em junho?
MP – No nordeste o principal mês é junho. Nos outros estados (do país) as quadrilhas dançam mais em julho. Geralmente, começamos dançar na primeira semana de junho e dançamos praticamente todos os dias. Até a primeira ou segunda semana de julho. Um mês e um pouco mais dançando.

FM – Onde dançam?
MP – Alguns dias dançamos em 2 ou 3 lugares diferentes. É uma correria. Só nos dias dos principais concursos que só dançamos uma vez, geralmente, porque o esforço físico é muito forte. A pressão psicológica também conta. Há uma certa rivalidade entre as quadrilhas, o que, em certos momentos, chega a ser excessiva (ri).

FM – Há quadrilhas, ou melhor, grupos de quadrilhas que são conhecidos, respeitados e vitoriosos? Seu grupo mesmo, está na primeira divisão ou segunda?
MP – Sim. Somos a mais conhecida. Aqui são duas que, geralmente, são as mais vitoriosas, a Unidos em Asa Branca e os Pioneiros da Roça. Tem a Cangaceiros da Boa, mas, geralmente, o titulo fica entre Unidos em Asa Branca e Pioneiros da Roça.

FM – Há rivalidade?
MP – Sim, muita. Alguns quadrilheiros discutem, chegam a brigar. Há provocações, tipo torcida de futebol (ri). Nós temos a maior torcida com certeza.

FM – O Asa Branca existe há quanto tempo?
MP – Há 30 anos.

FM – A Festa Junina em Aracaju existe há quanto tempo você sabe?
MP – Há pelo menos 35 anos.

FM – As músicas de quadrilha são sempre as mesmas ou há também compositores?
MP – No caso da Unidos temos diversas composições próprias. Mas usamos músicas fora do meio junino e adaptamos também, depende do tema. Lembro de dois temas que marcaram: Eu sou Unidos e Nordestina da Bahia ao Maranhão.

FM – Você faz o quê, além de ser um quadrilheiro?
Sou professor de Educação Física da rede municipal de Socorro e do estado de Sergipe. Há muitos professores de diversas áreas que dançam na Unidos. Muita gente de teatro também. Da área de dança mesmo. E outras pessoas de diversas áreas.

FM – Quem apresenta a quadrilha para o público?
MP – As vezes, alguém da direção ou marcador (uma espécie de mestre de cerimônias, anfitriã do grupo e da festa). Há concursos que há pessoas para fazer as chamadas.

FM – Há a noiva? O pai da noiva? O casamento? Este enredo está em toda quadrilha? Ou o tema impõe outros enredos?
MP – Noiva e noivo sempre. Em 2014, a noiva não se vestia de noiva, porque Maria Bonita já era casada, então a união foi simbólica. Mas sempre há noivos. Muitas vezes a história fica em torno deles. Dependendo do tema, entram outras personagens. As vezes tem padre, outras não. A Unidos tem uma característica própria nesse sentido. Sergipe. geralmente, faz casamentos dançados, não tanto teatrais, como em outros estados do nordeste. Em outros estados o casamento tem mais ênfase. Em Sergipe não se faz isso, é curto, com música e coreografado (dançado).
A simbologia, tudo o que cerca, a história, e a própria releitura da dança. O que você sabe da origem da dança?
As quadrilhas vieram da corte francesa. E tiveram uma releitura e foram adapatadas para a cultura junina do nordeste. Depois de um tempo, foram se espalhando, se popularizando. Deixando de ser das elites e virando uma dança popular.

Leia também:

FESTA JUNINA JÁ INCENDIA NOVE ESTADOS NORDESTINOS

Percussão à francesa mexe com público da Sinfônica de Campinas

Reportagem Edson Pereira Filho

A Orquestra Sinfônica de Campinas, ontem, fez uma das mais belas apresentações envolvendo instrumentos de percussão. Os músicos franceses Sylvie Reynart, na Marimba, e Emmanuel Séjourné, no Vibrafone, monstraram aos presentes tons e semitons de seus instrumentos, os quais realçaram, sobremaneira, vários instrumentos da orquestra, numa espécie de moldura sonora.

Foto: Divulgação

As música tocada foi Concerto Duplo para Marimba, Vibrafone e Orquestra, o que fez a audiência bater palmas por alguns minutos, obrigando o retorno dos músicos ao palco. O casal então, resolveu dar uma colher de chá, devido os aplausos de “mais um vez”, tocando em solo, sem o aparato orquestral.

A acústica do Teatro Castro Mendes de Campinas ajuda e o público ficou paralisado ouvindo e vendo a habilidade dos músicos franceses em tocar até com quatro baquetas,  duas em cada uma das mãos. A peça de três movimentos, foi tão rápida, que algumas pessoas da plateia chegaram a pedir que se repetisse.

(A filmagem foi autorizada pelo maestro)
O maestro da Sinfônica de Campinas, Victor Hugo Toro abriu, após o intervalo, as apresentações, com a orquestra, Reisado do Pastoreiro, de Oscar Lorenzo Fenándes (1897-1948); Danças do balé “Estâncias”, Op 8 a, de Alberto Ginastera (1916-1983).

O regente antes de iniciar tais apresentações, aproveitou para falar dos instrumentos de percussão na orquestra para a audiência presente, ao lembrar que tais instrumentos são cruéis quando o instrumentista não conta certo o número de compassos, podendo atravessar toda orquestra. “Quando isto acontece, todo mundo lembra do erro da percussão (e não de toda apresentação da orquestra)”, lembrou sorrindo, quando se ouviu risos na plateia.

Como sempre tem acontecido nas últimas aparições da orquestra de Campinas, o maestro Toro precisa dar um jeito de terminar as apresentações, já que a plateia insiste com palmas para que ele toque mais uma vez.

Desta vez, o regente pegou pelo braço seu violinista principal, o qual afina toda a orquestra com seu violino antes do início das músicas, e o levou para a coxia do teatro rapidamente, não faltaram risos.

Mais detalhes

A professora de percussão no Conservatório de Estrasburgo, Sylvie Reynaert é uma musicista eclética. Seus trabalhos mais significativos estão voltados à música de câmara, com projetos que transitam por várias vertentes artísticas. Entre os prêmios recebidos estão o Concurso Europeu de Música de Câmara e o Concurso Internacional de Música de Câmara da UFAM. Em 2010, Sylvie Reynart criou o duo com Emmanuel Séjourné.

Compositor e musicista francês, Emmanuel Séjourné traz referências da música popular (jazz, rock, música étnica) como também do repertório tradicional. Como instrumentista recebeu prêmio da Academia de Álbuns Franceses por suas interpretações de Debussy, Ibert e Milhaud com o saxofonista Philippe Geiss. Em seu repertório estão concertos, música de câmara e obras para instrumento solo. Atualmente, é responsável pelo Departamento Pedagógico de Percussão do Conservatório de Estrasburgo e da Academia Superior de Música e Artes de Rhin.

A apresentação com o Concerto duplo para Marimba, Vibrafone e Orquestra, de Emmanuel Séjourné, tem inspiração na música folclórica dos Balcãs. Esta está presente na sonoridade potente, energética, rítmica e cheia de vida.

Na sequência, os músicos interpretaram “Reisado do Patoreio”, de Lorenzo Fernández. Trata-se de uma suíte de três danças – Reisado, Toada e Batuque. Essa obra faz referência às celebrações natalinas campesinas do interior do Brasil. Os temas utilizados foram todos inspirados na música popular brasileira. Seu último movimento é o mais conhecido. Os batuques no País tiveram sua origem na música africana.

Para finalizar, a Sinfônica executou as “Danças do Balé Estâncias, Op. 8a”, de Alberto Ginastera. A obra de Ginastera é reconhecida como uma das mais criativas e originais da América Latina. O compositor utiliza de temas melódicos e ritmos nacionais com elementos da música tradicional europeia. Entre um de seus alunos está o também argentino Astor Piazzolla.

O balé “Estâncias” foi baseado em cenas diárias da vida argentina. Assim, pode construir uma imagem rica da tradição gaúcha do país. Baseado no épico de Martín Fierro, a criação de uma identidade nacional é o intuito da obra que põe o herói gaúcho como centro, antes colocado em uma posição marginalizada.

1807 – Catedral de Campinas – 2017

Interior da Igreja Matriz de Campinas/Fotos: Edson Pereira Filho

Repórter Edson Pereira Filho

A Catedral Metropolitana de Campinas comemora 210 anos do início de sua construção em 1807.  E os anjos negróides do artista e escultor Vitoriano dos Anjos Figueroa não cansam de ver reformas frequentes dentro e fora da matriz metropolitana desde então. Agora mesmo, santos desaparecem e reaparecem dentro dos oratórios da igreja, todos passando por limpezas e restauros.

A catedral une a Bahia de todos os Santos a Campinas. A Igreja Nosso Senhor do Bonfim se une a Igreja Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Campinas. E tudo através das mãos do negro escultor Vitoriano dos Anjos. Lá como cá, seu adro principal é lavado por yalorixás e babalorixás, mães de santos, filhas e filhos de santos.

Vitoriano que veio da Bahia para esculpir a totalidade das artes sacras que estão dentro da nave da igreja. Ele aprendera tais técnicas com artistas portugueses, e tratou de talhar características físicas de sua origem africana em anjos com lábios, rostos e testas proeminentes.

Entrar na Catedral é um evento. Os olhos querem abraçar todos os detalhes, querem entender cada parte da história, como se fez aquilo tudo com taipa de pilão e barro. É a maior construção em taipa de pilão da América Latina que se tem notícia.

Assusta o simples ato de ver, no canto do corredor, a peça mais antiga da Igreja Católica, o confessionário, onde padres sabiam da vida alheia e mandavam os fiéis pagarem penitências por seus pecados.

Há histórias contadas por filhos e filhas de antigos escravos, dando conta que em cada base da igreja, foram socados corpos de negros que morreram durante sua construção. Acreditava-se, segundo estas histórias, que as fundações ficariam mais sólidas. Verdade ou mentira do escravagismo, morreram centenas de escravos até o término e inauguração da matriz, em 1883.

E aqui cabe um parêntese. Vitoriano não recebeu um tostão por seu trabalho de entalhe, bem como dos personagens santos, muito menos dos oratórios. Depois de sua obra ser concluída, na parte interna da Catedral, foi jogado a própria sorte nas ruas de Campinas, onde foi encontrado morto e esquecido, era o ano de 1869. Suas obras da Igreja Nosso Senhor do Bonfim e da Catedral de Campinas deixam claro sua grandiosidade quanto ao estilo barroco que professava em seus entalhes. Campinas foi à última cidade do Brasil a abolir a escravatura, daí se tem a ideia exata do ódio da elite campineira contra negros e negras e o porquê do esquecimento de Vitoriano, aliás, proposital.

Vitoriano foi vítima do racismo e da escravidão de barões em Campinas. A necessidade de esconder o fato de ter sido um negro que construíra, internamente, todas as obras entalhadas dentro da catedral era algo premente entre a aristocracia local. Os barões se foram, Vitoriano está eterno em seu estilo barroco rococó, cheio de detalhes e arabescos, carregados de simbolismos e nuances.

Febre Amarela

Imagine uma cidade desaparecer e ficar inteiramente sem uma viva alma em suas ruas e alamedas, durante boa parte do dia e da noite, por causa da peste da febre amarela, Campinas viveu isto em 1889. A cidade que contava com dez mil habitantes em sua área urbana e outras 23 mil na área rural, foi reduzida, respectivamente, a três mil e cinco mil habitantes. E foi no consistório da Igreja Matriz de Campinas que os pobres, negros e miseráveis, atingidos pela doença, foram acolhidos.

Já os barões e outros nobres, trataram de se mudar para o que é hoje a Avenida Paulista, em São Paulo. Aliás, não fosse pela doença, Campinas seria a nova capital do Estado, algo que já estava nos planos da alta aristocracia campineira.

A doença foi implacável. Corpos eram enterrados durante a noite, depois dos caixões serem lacrados e aspergidos com ácido fênico, muito utilizado para limpeza de esgoto.

A cidade foi abandonada, quem pôde, deixou tudo para trás. Residências, lojas, repartições públicas e hotéis foram lacrados durante o surto; consultórios médicos permaneceram fechados. Dos 20 médicos que clinicavam, apenas três continuaram na cidade e dentre eles, um morreu devido à febre. Empresas e firmas comerciais foram transferidas para cidades ou vilas adjacentes.

Apesar do apoio dos clérigos da Matriz, das três mil pessoas que teriam permanecido na cidade, duas mil foram atingidas pela febre e, destas, 1.200 morreram.

Orquestra arrasa em apresentação sobre o cinema italiano em Campinas

Repórter Edson Pereira Filho

A Orquestra Sinfônica de Campinas foi aplaudida de pé neste domingo (09/04) pela manhã várias vezes, depois de apresentar trilhas musicais do cinema italiano, especialmente, de Ennio Morricone e Nino Rota.

O maestro Victor Hugo Toro e o contrabaixista e solista Pedro Gadelha tiveram que dar até uma canja a mais na apresentação. A música que chamou a atenção da plateia foi Westerns, de Morricone, quase no final da apresentação.

O teatro Castro Mendes, onde tudo aconteceu, estava praticamente lotado em sua capacidade (para 760 lugares).

Os aplausos foram tantos, que o regente depois de inúmeras reverências ao público presente, fez gesto com as mãos em sinal de término do espetáculo, finalizando com outro gesto de estar comendo com o garfo, pois já passava da hora do almoço, a plateia riu.

Céu de Querubins no MIS de Campinas

Edson Pereira Filho

Aécio Sarti/Reprodução fotográfica Edson Pereira Filho

Quando se sabe da arte de Aécio Sarti, o quanto de humanidade que ela carrega, se tem a noção exata de sua necessidade. O artista plástico de Parati, Rio de Janeiro, resolveu pintar em lona de caminhão. Lona que testemunha pelas estradas toda vivência humana, sempre debaixo do céu abrasador, estrelado ou escuro. A lona surrada, depois de rodar milhares de quilômetros pelo País afora, é pintada com querubins, deixando seu conceito apenas utilitário de proteger a carga do caminhão, transformando-se então, em arte.
Céu de Querubins, nome da exposição de Sarti no Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas, é feita de anjos que testemunharam a travessia dos caminhoneiros que cruzam as rodovias do País. Em sua boleia, a carga, no caso, vasos de barro novos, trocados por velhos em casebres do sertão de Sergipe. Vasos velhos estes, que são levados para os grandes centros urbanos, quando lá deixam de ser mera cacimba de água, e assumem com suas marcas do tempo, algo também que toca os espíritos humanos, arte primitiva, sem retoques necessários.
A lona da arte, depois de fazer todo este trajeto com os querubins, está agora exposta no MIS, junto com quadros e fotos das mulheres que fazem os potes de barro. A exposição está no térreo do museu, e conta com um grande espaço para acolher a lona que se transformara em arte.

A saga de Sarti em pintar a lona que viajou com os caminhoneiros também virou documentário, vale conferir a saga dos potes de barro. Sarti é de Aracajú, formado pelo Colorado Institute of Arts (EUA), pinta o belo em suas representações humanas. Seja através de um trabalho rico em detalhes e cores ou de pinceladas soltas, grafitadas, monocromáticas, ele mostra a beleza de seus retratados em uma atmosfera muito particular. Uma atmosfera descomprometida com o olhar do outro, criada pelo artista para dar sentido à sua própria vida. Sua carreira começou aos 14 anos de idade, com a mesma intensidade de hoje. Trata-se de um artista que nasceu artista e que passou a vida retratando pessoas.

Serviço

Local: Museu da Imagem e do Som de Campinas
Dias: De terça a sábado, sempre das 9h às 18h.

Hip-Hop terá museu em Campinas, amostra no MIS lança ideia

Andrea Mendes, curadora da amostra e o cantor de rap Fred/Foto: Edson Pereira Filho

Repórter Edson Pereira Filho

O Movimento Hip-Hop Interior lança hoje o primeiro passo para o museu permanente deste gênero musical em Campinas. A iniciativa também, é considerada inédita no Brasil por seus organizadores. O lançamento das memórias de MCs e rappers se dará no Museu da Imagem e do Som de Campinas (MIS). A curadora da amostra, Andrea Mendes, conta que a ideia é resgatar toda cultura do movimento, através da dança, arte e música. A exposição de 30 anos de Hip-Hop começa hoje às 19 horas.

O MIS já cedeu uma sala para que a exposição permaneça por tempo indeterminado no espaço, enquanto tratativas entre o Movimento Hip-Hop campineiro estão sendo feitas com a Prefeitura de Campinas para arrumar um local definitivo para o museu temático. “A ideia não é só resgatar o Movimento Hip-Hop de Campinas, a gente fala que queremos abranger todas as cidades da região que possuem DDD 19 nesta história”, explica Andrea.

Fotos: Rap/Edson Pereira Filho

O projeto da exposição tem financiamento público do Proac SP. A amostra conta com fotos dos autores que gestaram e mantiveram a cultura do movimento na região de Campinas. Haverá também imagens de bailes da época, com fotos da dança break, além de toca fitas, fitas cassetes, vinil. Há histórias documentais que os rappers do movimento guardaram desta época, cedidas em definitivo para a amostra, as quais farão parte do futuro museu do gênero.

Serviço

Curadoria: Andrea Mendes.

Local: Museu da Imagem e do Som/Campinas

Período: A partir das 19h. Durante a semana: Terça a sábado, das 9h às 18h, de 08 a 20 de abril

Entrada Gratuita

Escritor fala sobre Generais e Ditadura

Contando histórias depois do período da ditadura militar, o livro Generais, do escritor Edson Pereira Filho, constrói uma ficção histórica a partir dos escombros sociais deixados pelas ditadores militares na América Latina (AL).

Longe de fazer um texto cheio de citações fascistas ou marxistas, o autor traz para o mundo das pessoas comuns, num texto despojado, o universo deixado por este tempo obscuro e violento.

O livro, como faz questão de assinalar Pereira, fala do legado deixado pelos ditadores militares 25 anos depois destes apearem do poder.

Os capítulos do livro são recheados de histórias e dramas humanos, numa linguagem ágil, leve e extremamente desprendida do discurso político. “É uma história humanizada”, assinala Pereira.

Uma viagem textual cheia de imbricações, ora em prosa, ora um texto jornalístico, ora uma crônica, ora um conto, ora romântica, ora cheia de drama, ora cheia de comédia, ora extremamente hilária, ora cheia de violência. “A ditadura espelha o que aconteceu, anos depois, com a sociedade”,  descreve Pereira.

O pano de fundo é o cidadão comum, que levanta cedo todos os dias, cumpre com suas obrigações, paga seus impostos, trabalha de sol a sol, mas não sabe o que acontece nas altas esferas do poder. “Já não sabia na época da ditadura, agora, pelo visto muito menos”, compara o autor, ao falar da crise política que o País enfrenta.

Livro Generais mostra herança da ditadura militar na América Latina.
O escritor Edson Pereira Filho lança livro Generais em Sarau do DIC 4, em Campinas/Fotos: Rafael Renan

O personagem principal, Artur Serrilha, um jornalista, vai garimpando no seu dia a dia as desgraças sociais deixadas pelos ditadores 25 anos depois.

Para o escritor, a ditadura deixou um legado de destruição moral, pois desarticulou as organizações básicas da sociedade brasileira, como o Congresso Nacional. Segundo ele, os conflitos entre “coxinhas” e “mortadelas” que assistimos hoje expõem a ferida da falta do debate democrático entre as pessoas. “A ditadura plantou o ódio social entre classes”, assinala.

O personagem analisa, através de causos da vida humana, o que aconteceu com a cultura, a liberdade de expressão, a educação, a violência, a miséria, o latifúndio, a religião, o bar, o poder entre outros temas.

“É uma história humanizada, e não se pretende no livro uma análise política aprofundada, e sim a visão anônima de um cidadão comum”.

Lendo a obra se tem a ideia da resultante social deixada pelos militares, duas décadas e meia depois. “Acredito que somos o resultado do que vivenciamos e aprendemos no passado”, alinhava Pereira.

Para ele, países da América Latina em dificuldades nos vários campos da vida em sociedade, são o que são devido às ditaduras do passado.

“Até pela sua história escravagista”, arremata o autor.

A violência de então, a ignorância escolar, a corrupção política, a dependência das classes mais abastadas com o poder central, a religião e seus descaminhos são alguns dos eixos que reforçam a história fictícia do escritor, ao mesmo tempo tão real.

Para quem quiser adquirir a obra, que só está à venda pela internet, basta clicar aqui. A editora é a Perse, sediada em São Paulo. O escritor campineiro está realizando pequenos lançamentos da publicação. “As pessoas compram e marcam um evento qualquer e eu apareço para autografar o livro”, sugere.

Seu livro já faz parte de algumas bibliotecas em escolas públicas. “Diretoras e diretores de escolas onde trabalhei estão adquirindo os livros para os alunos. Fiquei espantado com a repercussão, tomará que gostem do que escrevi”, torce.