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Câmara demite 250 comissionados a partir de amanhã

Por Edson Pereira Filho

Um total de 250 comissionados de 385 que trabalham nos gabinetes de 33 vereadores de Campinas vão para rua amanhã, dia 22/6, quarta-feira. A demissão foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), depois que a Câmara Municipal de Campinas entrou com recurso para tentar derrubar decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

O legislativo campineiro possui 168 funcionários efetivos concursados e 385 comissionados, ou seja, trabalhando por indicação.
Foto: Câmara de Campinas / Google Maps

O legislativo campineiro possui 168 funcionários efetivos concursados e 385 comissionados, ou seja, trabalhando por indicação. Os dados foram colhidos na Lei de Acesso à Informação, disponível no próprio site da Câmara.

A Procuradoria Geral de Justiça do Estado de São Paulo foi quem exigiu a demissão dos 250 funcionários, argumentando que tal excedente fere a Constituição Paulista. O TJ-SP acatou a questão.  A decisão da demissão dos comissionados, determinou ainda, que o número de 10 trabalhadores em comissão para cada um dos 33 vereadores, caia para quatro assessores nesta situação.
O drama nos corredores da Câmara de Campinas estava estampado na cara de possíveis demitidos. No espaço onde se serve café para o público em geral que trabalha e visita o prédio, ontem, as conversas giravam em torno de quem seria demitido em cada um dos gabinetes. O mal-estar era visível.

TJ manda fazer concurso público

De acordo com a presidência da Casa, o valor, cerca de R$ 14,2 milhões por ano – somando o custo atual de cada um dos 33 gabinetes – ficará no orçamento do Legislativo e poderá ser usado em concursos públicos para a contratação de novos funcionários. O concurso é uma decisão legal do TJ-SP, que além de exigir a demissão dos comissionados, determina que a Câmara promova imediatamente concurso público para provimento de cargos há muito tempo vagos.

Mirian Leitão mentiu, segundo carta de passageiro

Por Edson Pereira Filho
A jornalista e comentarista de economia da Rede Globo, Míriam Leitão declarou que foi agredida verbalmente por petistas, durante voo de Brasília para o Rio de Janeiro. A “violência” verbal foi praticada no último dia 3 de junho, porém só divulgada em nota pela jornalista hoje, 13/06.
Ela afirma que “foram duas horas de gritos, xingamentos, palavras de ordem contra mim e contra a TV Globo”, descreve. ”Não eram jovens militantes, eram homens e mulheres representantes partidários. Alguns já em seus cinquenta anos. Fui ameaçada, tive meu nome achincalhado e fui acusado de ter defendido posições que não defendo”.
Porém, um dos passageiros que estava no voo da jornalista, Rodrigo Mondego, publicou uma carta em seu Facebook (e um vídeo do voo) narrando oposto do que disse a jornalista, veja:

Cara Miriam Leitão,

A senhora está faltando com a verdade!

Eu estava no voo e ninguém lhe dirigiu diretamente a palavra, justamente para você não se vitimizar e tentar caracterizar uma injúria ou qualquer outro crime.

O que houve foram alguns poucos momentos de manifestação pacífica contra principalmente a empresa que a senhora trabalha e o que ela fez com o país. A senhora mente também ao dizer que isso durou as duas horas de vôo, ocorreu apenas antes da decolagem e no momento do pouso.

Se a carapuça serviu com os gritos de “golpista”, era só não ter apoiado a ação orquestrada por Eduardo Cunha e companhia, simples.

E seja sincera, a senhora odeia o Partido dos Trabalhadores e o atacou das mais diversas formas na última década, aceitando inclusive se aliar com os que antes foram seus algozes na ditadura militar.

Por ódio a Lula, ginecologista machuca paciente

Por Edson Pereira Filho

A dona de um restaurante no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, Branca Alves de Farias, foi agredida violentamente durante um exame ginecológico.

A comerciante foi fazer exame de rotina na rede municipal de saúde de São Bernardo do Campo, região do Grande ABC, São Paulo.

Durante o exame, o médico perguntou sobre a profissão da paciente, quando ela respondeu que era proprietária do restaurante do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde Lula começou sua vida sindical é política. O “ginecologista ficou vermelho”, conta a Branca. Irritado, o médico aumentou o tom da voz e disse que ela precisava colocar chumbinho (veneno de rato) na comida de Lula, quando este aparecesse no sindicato.

O médico então, enfurecido durante o exame, passou a falar palavrões contra Luiz Inácio Lula da Silva.

Além disso, passou a agredi-la fisicamente, com o bastão de ultrassonografia, introduzido em sua vagina, durante o procedimento do exame. “Pensei que ele (médico) ia furar meu intestino, meu útero”, desabafou, entre lágrimas.

A denuncia feita por Branca a Revista Fórum na última sexta-feira, dia 9.

Segundo ela, o médico, várias vezes disse que Lula precisava morrer, arrematando as frases com xingamentos de baixíssimo nível.

O ginecologista, cutucava, agressivamente, as paredes do útero da paciente com a sonda, enquanto xingava Lula .

“Calma, doutor. Por favor”, implorava a vítima para o médico,  que estava transtornado.

“O meu medo era, com o aparelho lá dentro, de ele machucar alguma coisa, meu útero. Ele se transformou em um bicho”, contou, aos prantos, para a reportagem da TVT, da Revista Fórum.

O ginecologista é contratado por uma empresa terceirizada que presta serviço à prefeitura. A empresa se manifestou em nota sobre o episódio:

“Esclarecemos que conversamos com o médico e que o mesmo informou que o exame da cliente foi realizado dentro da norma e rotina padronizada, não havendo nenhuma intercorrência importante, exceto o incômodo inerente à realização do exame. Ressaltamos também que a eventual conversa relatada, transcorreu dentro da normalidade, apenas com intuito de interagir com a cliente, sem jamais pretender ofende-la ou ferir suas convicções”, a empresa pediu desculpa à paciente e acredita que houve “interpretação diferente por parte da cliente”, diz a nota.

Cultura da agressão médica

Estudantes da Universidade de Vila Velha, no Espírito Santo, no último mês de abril, tiraram fotos com as calças abaixadas, com a mãos simbolizando vaginas, numa clara alusão ao estupro. Os alunos divulgaram a foto nas redes sociais, o que provocou escândalo nacional. Os futuros médicos, no último ano de medicina naquela universidade, até agora não sofreram qualquer punição criminal.

Origem do ódio

A classe médica brasileira, em inúmeras manifestações contra o programa Mais Médico do Governo Federal, nos períodos Lula e Dilma Roussef, vem declarando, publicamente, seu ódio a política de saúde petista. Diversos episódios e manifestações colocaram em xeque o relacionamento do Partido dos Trabalhadores (PT) com a classe médica brasileira em todo País.

No Ceará, por exemplo, médicos se manifestaram ao gritos de “escravos” e “incompetentes”, contra um grupo de 96 médicos estrangeiros inscritos no programa Mais Médicos, do Governo Federal. Os profissionais estrangeiros – entre eles, 79 cubanos – participavam de uma solenidade de acolhimento organizada pelo Ministério da Saúde (MS). O ato, entre tantos outros, foi considerado xenófobo por parte de autoridades médicas dentro e fora do Brasil.

 

Deputado Rocha Loures perde foro para Serraglio

Por Edson Pereira Filho

O parlamentar Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) acaba de perder sua cadeira de deputado, com isso, perde também, a imunidade parlamentar e o foro privilegiado. A Polícia Federal agora, tem caminho aberto para efetuar a prisão do político envolvido em propinas e gravações com diretores da JBS.

Deputado Rocha Loures pode ser preso pela PF a qualquer momento.
Foto: Deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

Desde que foi visto carregando uma mala de R$500 mil de propina da JBS,  Loures vive seu inferno astral com os federais da Lava Jato no seu encalço.

(Fonte: Rádio Nacional – Agência Brasil)
Loures foi filmado pela PF carregando a mala de propina, ao sair de um restaurante, numa ação monitorada pela polícia. Mesmo devolvendo a mala de dinheiro para a polícia, os federais deram por falta de R$35 mil, dos R$500 mil que estavam na mala. Um dia depois de devolver parte do dinheiro, o político devolveu o restante da quantia que faltava.

O dinheiro na mala foi pago pela JBS, empresa de Wesley Batista, para pessoas ligadas ao presidente Michel Temer, segundo gravações da PF.

Agentes da Polícia Federal deixam o Congresso Nacional carregando malotes com apreensões feitas nos gabinetes dos senadores Aécio Neves e Zezé Perrela, e do deputado Rocha Loures (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Brasília – Agentes da Polícia Federal deixam o Congresso Nacional carregando malotes com apreensões feitas nos gabinetes dos senadores Aécio Neves e Zezé Perrela, e do deputado Rocha Loures (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O peemedebista ficou em pior situação agora, porque o ex-ministro da Justiça, Osmar Serraglio. resolveu não aceitar o convite do presidente Temer para assumir o cargo de ministro da Transparência.

O ex-ministro então, volta para Câmara como deputado e Loures perde o cargo, pois ocupava a cadeira vaga por Serraglio.

Serraglio aguarda agora, a publicação no Diário Oficial para assumir o cargo na Câmara do Deputados, o que deve acontecer amanhã.

O novo ministro da Justiça, Torquato Jardim, deixou sua pasta da Transparência para assumir o cargo vago por Serraglio. Quando todos contavam que Serraglio iria para o Ministério da Transparência, houve a surpresa dele dizer não, durante a manhã de hoje, para o presidente Temer.

Funcionários do Ministério da Transparência, ontem, fizeram protesto para que Serraglio não assumisse a pasta. Lideranças dos servidores argumentaram que seria incompatível um ministro acusado pela Lava Jato estar a frente do órgão.

Fachin abre inquéritos contra 83 políticos e manda quebrar sigilos

Edson Pereira Filho

Fotos: Ministro Edson Fachin/Acervo do STF

O juiz do Supremo Tribunal Federal e Relator da Lava Jato, Edson Fachin abriu inquéritos para que sejam feitas investigações de caixa dois contra  8 ministros do governo federal, 3 governadores, 24 senadores e 39 deputados federais. Estes foram citados por 78 ex-diretores da empreiteira Odebrecht.

O sigilo  foi retirado pelo juiz do STF de 74 dos 76 inquéritos abertos, totalizando mais de 83 políticos suspeitos em esquemas de corrupção.  Fachin informou à Agência Brasil que a quebra de sigilo se justifica por ser de “interesse público”.

“Com relação ao pleito de levantamento do sigilo dos autos, anoto que, como regra geral, a Constituição Federal veda a restrição à publicidade dos atos processuais, ressalvada a hipótese em que a defesa do interesse social e da intimidade exigir providência diversa”, escreveu o ministro.

Dentro do âmbito da investigação da Lava Jato, também foi aberto inquérito  contra o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rêgo Filho.

As investigações, nesta fase, contarão com coleta de provas, podendo haver operações da polícia, desde condução coercitiva e prisões de alguns dos citados, até retirada de documentos e objetos sob poder dos envolvidos em esquemas fraudulentos de corrupção.

Embora o STF mantenha entre os dias 12 e 13 de abril expediente normal, e no dia 14 a atividades parcialmente funcionando, espera-se para o dia 17 uma romaria de advogados com petições dos citados na Lava Jato, para tomar pé sobre as acusações imputadas nos diversos processos.

Ministros
1. Moreira Franco, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República
2 – Bruno Araújo, ministro das Cidades
3 – Aloysio Nunes, ministro das Relações Exteriores
4 – Marcos Antônio Pereira, ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
5 – Blairo Maggi, Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
6 – Helder Barbalho, ministro da Integração Nacional
7 – Eliseu Padilha , ministro da Casa Civil
8 – Gilberto Kassab, ministro da Ciência e Tecnologia

Governadores
1 – Renan Filho, governador de Alagoas
2 – Robinson Faria, governador do Rio Grande do Norte
3 – Tião Viana, governador do Estado do Acre

Senadores
1. Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado
2. Romero Jucá (PMDB-RR)
3. Aécio Neves (PSDB-MG)
4. Renan Calheiros (PMDB-AL)
5. Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)
6. Paulo Rocha (PT-PA)
7. Humberto Costa (PT-PE)
8. Edison Lobão (PMDB-MA)
9. Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
10. Jorge Viana (PT-AC)
11. Lidice da Mata (PSB-BA)
12. Ciro Nogueira (PP-PI)
13. Dalírio Beber (PSDB-SC)
14. Ivo Cassol (PP-RO)
15. Lindbergh Farias (PT-RJ)
16. Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
17. Kátia Abreu (PMDB-TO)
18. Fernando Collor de Mello (PTC-AL)
19. José Serra (PSDB-SP)
20. Eduardo Braga (PMDB-AM)
21. Omar Aziz (PSD-AM)
22. Valdir Raupp (PMDB-RN)
23. Ricardo Ferraço (PSDB-ES)
24. Antonio Anastasia (PSDB-MG)

Deputados Federais
1 – Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara
2. Marco Maia (PT-RS)
3. Carlos Zarattini (PT-SP)
4. Paulinho da Força (SD-SP)
5. João Carlos Bacelar (PR-BA)
6. Milton Monti (PR-SP)
7. José Carlos Aleluia (DEM-BA)
8. Daniel Almeida (PCdoB-BA)
9. Mário Negromonte Jr. (PP-BA)
10. Nelson Pellegrino (PT-BA)
11. Jutahy Júnior (PSDB-BA)
12. Maria do Rosário (PT-RS)
13. Ônix Lorenzoni (DEM-RS)
14. Vicentinho (PT-SP)
15. Arthur Oliveira Maia (PPS-BA)
16. Yeda Crusius (PSDB-RS)
17. Paulo Henrique Lustosa (PP-CE)
18. José Reinaldo (PSB-MA)
19. João Paulo Papa (PSDB-SP)
20. Vander Loubet (PT-MS)
21. Rodrigo Garcia (DEM-SP)
22. Cacá Leão (PP-BA)
23. Celso Russomano (PRB-SP)
24. Dimas Fabiano Toledo (PP-MG)
25. Pedro Paulo (PMDB-RJ)
26. Lúcio Vieira Lima (PDMB-BA)
27. Daniel Vilela (PMDB-GO)
28. Alfredo Nascimento (PR-AM)
29. Zeca Dirceu (PT-SP)
30. Betinho Gomes (PSDB-PE)
31. Zeca do PT (PT-MS)
32. Vicente Cândido (PT-SP)
33. Júlio Lopes (PP-RJ)
34. Fábio Faria (PSD-RN)
35. Heráclito Fortes (PSB-PI)
36. Beto Mansur (PRB-SP)
37. Antônio Brito (PSD-BA)
38. Décio Lima (PT-SC)
39. Arlindo Chinaglia (PT-SP)

Governadores citados
1 – Paulo Hartung (Espírito Santo)
2 – Geraldo Alckmin (São Paulo)
3 – Fernando Pimentel (Minas Gerais)
4- Flávio Dino (Maranhão)
5 – Luiz Fernando Pezão (Rio de Janeiro)
6 – Raimundo Colombo (Santa Catarina)
7 – Marcelo Miranda (Tocantins)
8 – Beto Richa (Paraná)
9 – Marconi Perillo (Goiás)

Escritor fala sobre Generais e Ditadura

Contando histórias depois do período da ditadura militar, o livro Generais, do escritor Edson Pereira Filho, constrói uma ficção histórica a partir dos escombros sociais deixados pelas ditadores militares na América Latina (AL).

Longe de fazer um texto cheio de citações fascistas ou marxistas, o autor traz para o mundo das pessoas comuns, num texto despojado, o universo deixado por este tempo obscuro e violento.

O livro, como faz questão de assinalar Pereira, fala do legado deixado pelos ditadores militares 25 anos depois destes apearem do poder.

Os capítulos do livro são recheados de histórias e dramas humanos, numa linguagem ágil, leve e extremamente desprendida do discurso político. “É uma história humanizada”, assinala Pereira.

Uma viagem textual cheia de imbricações, ora em prosa, ora um texto jornalístico, ora uma crônica, ora um conto, ora romântica, ora cheia de drama, ora cheia de comédia, ora extremamente hilária, ora cheia de violência. “A ditadura espelha o que aconteceu, anos depois, com a sociedade”,  descreve Pereira.

O pano de fundo é o cidadão comum, que levanta cedo todos os dias, cumpre com suas obrigações, paga seus impostos, trabalha de sol a sol, mas não sabe o que acontece nas altas esferas do poder. “Já não sabia na época da ditadura, agora, pelo visto muito menos”, compara o autor, ao falar da crise política que o País enfrenta.

Livro Generais mostra herança da ditadura militar na América Latina.
O escritor Edson Pereira Filho lança livro Generais em Sarau do DIC 4, em Campinas/Fotos: Rafael Renan

O personagem principal, Artur Serrilha, um jornalista, vai garimpando no seu dia a dia as desgraças sociais deixadas pelos ditadores 25 anos depois.

Para o escritor, a ditadura deixou um legado de destruição moral, pois desarticulou as organizações básicas da sociedade brasileira, como o Congresso Nacional. Segundo ele, os conflitos entre “coxinhas” e “mortadelas” que assistimos hoje expõem a ferida da falta do debate democrático entre as pessoas. “A ditadura plantou o ódio social entre classes”, assinala.

O personagem analisa, através de causos da vida humana, o que aconteceu com a cultura, a liberdade de expressão, a educação, a violência, a miséria, o latifúndio, a religião, o bar, o poder entre outros temas.

“É uma história humanizada, e não se pretende no livro uma análise política aprofundada, e sim a visão anônima de um cidadão comum”.

Lendo a obra se tem a ideia da resultante social deixada pelos militares, duas décadas e meia depois. “Acredito que somos o resultado do que vivenciamos e aprendemos no passado”, alinhava Pereira.

Para ele, países da América Latina em dificuldades nos vários campos da vida em sociedade, são o que são devido às ditaduras do passado.

“Até pela sua história escravagista”, arremata o autor.

A violência de então, a ignorância escolar, a corrupção política, a dependência das classes mais abastadas com o poder central, a religião e seus descaminhos são alguns dos eixos que reforçam a história fictícia do escritor, ao mesmo tempo tão real.

Para quem quiser adquirir a obra, que só está à venda pela internet, basta clicar aqui. A editora é a Perse, sediada em São Paulo. O escritor campineiro está realizando pequenos lançamentos da publicação. “As pessoas compram e marcam um evento qualquer e eu apareço para autografar o livro”, sugere.

Seu livro já faz parte de algumas bibliotecas em escolas públicas. “Diretoras e diretores de escolas onde trabalhei estão adquirindo os livros para os alunos. Fiquei espantado com a repercussão, tomará que gostem do que escrevi”, torce.

Trump ganha eleição pelo andróide e os mídias chupam o dedo

Foto: Donald Trump/Assessoria da campanha

Edson Pereira Filho*

Não acredito neste poder dos mídias, sempre tive sinceras duvidas sobre isso. Acredito, ultimamente, no poder do Andróide, bem na extensão dos dedos, bem ao estilo “o meio é a mensagem”. A mídia que conhecíamos se foi, seus sobreviventes sabem disso, apesar de alguns não admitirem.

Outra coisa, todos os institutos americanos diziam que Trump perderia a eleição, apertada, porém perderia. A imprensa se serviu destas informações e foi atrás. Só para ilustrar, nos EUA os jornais costumam dizer abertamente, até em editorial, qual candidato estão apoiando para a presidência, é uma prática corriqueira por lá, a mídia tem posição naquelas paragens.

Já aqui, bem, há a dissimulação, donos de jornais fincam pés nas canoas eleitorais que puderem. E se não der, os mídias por aqui fecham até com o diabo se ele for eleito, nossa imprensa não tem cara, não diz a que veio, e por isso não existe para leitores mais argutos.

Concordo com uma frase de Mauro Borja Lopes, o cartunista Borjalo, quando este diz “não podemos culpar a existência da paisagem pela existência da janela”. Ou seja, não é o quadrante da janela que vai dizer o que é a paisagem, e muito menos a paisagem vai nos influenciar pela angulação que observamos a imagem. Também não acredito que a televisão tenha este poder mais.

Sempre pensei que o ser humano é plural, não singular, ele não gosta só de uma coisa o tempo todo, ele não lê a mesma coisa o tempo todo, ele não concorda o tempo todo. O que aconteceu é que os diretamente atingidos pela crise econômica, pobres, aliás, decidiram votar num salvador da pátria, num cara que vai tirar a ferrugem da fivela do cinturão das cidades automobilísticas fantasmas americanas.

Então, o que aconteceu?

Tudo bem, sei que quem nos trouxe a esta quadra da história, em grande parte, foi a crise financeira mundial, agravada pelo crash da Bolsa de 2008. Um crasch desses demora até 25 anos, veja o Crash de 1929, seus efeitos só foram parar depois de um acordo internacional celebrado em 1944. Lógico, no meio destes 25 anos, apareceram salvadores da pátria, os populistas e ditadores, além de uma guerra mundial. Hitler, Vargas, Mussolini e vai longe à lista. É a velha crise cíclica do capitalismo.

O mundo aderna para a direita, muito por causa desta situação econômica. Porém, tenho que concordar que chegamos a esta quadra também, porque a esquerda se comportou como direita no poder, por exemplo, aqui no Brasil, aliás, da pior espécie, quanto aos acordos financeiros envolvendo propinas, e de presente para o povo, a receita foi à mesma da Crise de 29, algumas migalhas.

Em síntese: A esquerda foi uma mãe para os bancos, políticos e empresários, e um pai para o povo no Brasil. A pergunta é simples: Quem dá mais para o filho, a mãe ou o pai? Como dizia meu velho avô: A esquerda no poder (no Brasil) é a direita.

Já Trump, é um empresário fracassado do setor imobiliário, o mesmo setor que provocou o Crash de 2008, com os papéis podres do subprime. É a velha elite americana, conservadora, esgueirando-se pelos cantos, tentando alçar voo, em meio a uma tormenta econômica ainda não aquilatada. Podemos aqui, por exemplo, inferir que Wall Street mudou de pátria, ou melhor, que a economia americana já tenha mudado de mãos.

Será que ela foi para China? Será que Ratan Tatá comprou parte do poder americano na área de tecnologia? Será que a família Bin Laden não comprou todas as empresas falidas americanas com seus testas-de-ferro? Enfim, sabemos que o capital mundial está mudando de mãos, pode estar na China, neste momento. O professor doutor da Evolução Mundial Econômica, Miguel Arturo, especialista neste assunto, vem afirmando que Wall Street mudou de bandeira e de país.

Trump, o que é?

Trump é a vitória do fracasso americano, redivivo, dando espasmos, um paciente terminal. Pior, vem acompanhado de arrogância e belicismo, segundo alguns especialistas americanos.

*Edson Pereira Filho é jornalista, escritor e professor.