‘Quadrilheiro’ dança dia e noite na Festa de São João

Reportagem Edson Pereira Filho

A reportagem da Folha Metrópole entrevistou Manoel Pedro, professor de Educação Física e aficionado pela dança de quadrilha.

Manoel Pedro, componente da Unidos em Asa Branca, Sergipe.

Ele contou como é a preparação da festa e como cada componente contribui com a temática, a dança, coreografia, teatralidade, vestimenta. Antes, é bom que se diga, o quadrilheiro, no Nordeste, é aquele que dança quadrilha, nada além disso.

Folha Metrópole (FM)- Sempre dançou quadrilha?
Manoel Pedro (MP) – Sim. Então, eu sou quadrilheiro. Aqui de Sergipe, apesar de ser baiano, do sertão (interior baiano). Mas moro já algum tempo aqui em Sergipe. Danço em uma das quadrilhas considerada grandes aqui no estado. Há inúmeras, Sergipe tem certa tradição.

FM- Quando começa o preparo da festa junina?
MP – Começamos ensair e nos preparar para o São João em novembro. São em média sete meses por ano nos preparando para dançarmos.

FM – A festa mesmo, quando começa?
MP – O mês de junho e julho, geralmente, que é a chamada temporada junina no nordeste.

FM – Qual quadrilha você participa? Tem um nome? Quantos componentes?
MP – Unidos em Asa Branca. Esse ano estamos com 88 componentes dançando. Mais componentes do grupo musical, acho que são oito. Na direção da quadrilha, mas quatro pessoas. Tem também o pessoal da produção, cenário, bem, entre todos, dá uma 120 pessoas.

FM – Vocês possuem uma quadra, um local para ensaiar?
MP – Tem uma sede, mas é pequena, lá, geralmente, só fazemos reuniões e comemorações. Ensaiamos em espaços com os quais fechamos parcerias. Esse ano estamos ensaiando em uma escola do estado, um espaço da prefeitura municipal de Aracaju e uma quadra de num colégio particular. Então os ensaios acontecem no Colegio Sabino Ribeiro, na Escola Park (atual sede da guarda municipal de Aracaju) e no Colegio Particular Coesi. Nossa sede fica no Conjunto Leite Neto, em Aracaju.

FM – Quais são os preparativos feitos durante os ensaios?
MP – Então, primeiro começamos a montagem das coreografias, que são feitas pelo coreógrafo e marcador Waterlin. Depois juntamos coreografia com o grupo musical, para harmonizar os elementos coreográficos com o repertório. Há um tema, em que montamos a parte cênica e algumas das coreografias. O tema é o ponto chave do trabalho. É sobre ele que nos debruçamos. Há um trabalho teatral em cima também.

FM – O nome do tema este ano, pode me dizer?
MP – A temática este ano é “Feitos da Fé”. Retrata o amor entre pessoas de religiões diferentes. Traz o respeito como elo central entre as personagens centrais, além de trazer elementos da cultura sergipana como o São Gonçalo. Esse ano será um tema marcante. Este tema está relacionado a discussões fortes que vem acontecendo no país (com relação a intolerância religiosa).

FM – Você tem ideia de quantas quadrilhas participam do São João de Aracaju?
MP – São muitas. É porque há concursos, além do campeonato estadual, há quadrilhas em várias cidades do estado. Na divisão principal, geralmente, participam 20 quadrilhas, este ano tem 18. Mas há outros concursos que não há divisão. Mistura. Ai existem eliminatórias, semifinais e final. Concursos como o Centro de criatividade, Rua São Joao, Gonzagão. O principal campeonato é o estadual. Quem ganha, participa do “Rede Globo Nordeste de Quadrilhas”, é a principal competição do país. E participam as campeãs dos nove estados do nordeste.

FM – É um mês a festa, em junho?
MP – No nordeste o principal mês é junho. Nos outros estados (do país) as quadrilhas dançam mais em julho. Geralmente, começamos dançar na primeira semana de junho e dançamos praticamente todos os dias. Até a primeira ou segunda semana de julho. Um mês e um pouco mais dançando.

FM – Onde dançam?
MP – Alguns dias dançamos em 2 ou 3 lugares diferentes. É uma correria. Só nos dias dos principais concursos que só dançamos uma vez, geralmente, porque o esforço físico é muito forte. A pressão psicológica também conta. Há uma certa rivalidade entre as quadrilhas, o que, em certos momentos, chega a ser excessiva (ri).

FM – Há quadrilhas, ou melhor, grupos de quadrilhas que são conhecidos, respeitados e vitoriosos? Seu grupo mesmo, está na primeira divisão ou segunda?
MP – Sim. Somos a mais conhecida. Aqui são duas que, geralmente, são as mais vitoriosas, a Unidos em Asa Branca e os Pioneiros da Roça. Tem a Cangaceiros da Boa, mas, geralmente, o titulo fica entre Unidos em Asa Branca e Pioneiros da Roça.

FM – Há rivalidade?
MP – Sim, muita. Alguns quadrilheiros discutem, chegam a brigar. Há provocações, tipo torcida de futebol (ri). Nós temos a maior torcida com certeza.

FM – O Asa Branca existe há quanto tempo?
MP – Há 30 anos.

FM – A Festa Junina em Aracaju existe há quanto tempo você sabe?
MP – Há pelo menos 35 anos.

FM – As músicas de quadrilha são sempre as mesmas ou há também compositores?
MP – No caso da Unidos temos diversas composições próprias. Mas usamos músicas fora do meio junino e adaptamos também, depende do tema. Lembro de dois temas que marcaram: Eu sou Unidos e Nordestina da Bahia ao Maranhão.

FM – Você faz o quê, além de ser um quadrilheiro?
Sou professor de Educação Física da rede municipal de Socorro e do estado de Sergipe. Há muitos professores de diversas áreas que dançam na Unidos. Muita gente de teatro também. Da área de dança mesmo. E outras pessoas de diversas áreas.

FM – Quem apresenta a quadrilha para o público?
MP – As vezes, alguém da direção ou marcador (uma espécie de mestre de cerimônias, anfitriã do grupo e da festa). Há concursos que há pessoas para fazer as chamadas.

FM – Há a noiva? O pai da noiva? O casamento? Este enredo está em toda quadrilha? Ou o tema impõe outros enredos?
MP – Noiva e noivo sempre. Em 2014, a noiva não se vestia de noiva, porque Maria Bonita já era casada, então a união foi simbólica. Mas sempre há noivos. Muitas vezes a história fica em torno deles. Dependendo do tema, entram outras personagens. As vezes tem padre, outras não. A Unidos tem uma característica própria nesse sentido. Sergipe. geralmente, faz casamentos dançados, não tanto teatrais, como em outros estados do nordeste. Em outros estados o casamento tem mais ênfase. Em Sergipe não se faz isso, é curto, com música e coreografado (dançado).
A simbologia, tudo o que cerca, a história, e a própria releitura da dança. O que você sabe da origem da dança?
As quadrilhas vieram da corte francesa. E tiveram uma releitura e foram adapatadas para a cultura junina do nordeste. Depois de um tempo, foram se espalhando, se popularizando. Deixando de ser das elites e virando uma dança popular.

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FESTA JUNINA JÁ INCENDIA NOVE ESTADOS NORDESTINOS

Deputado Rocha Loures perde foro para Serraglio

Por Edson Pereira Filho

O parlamentar Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) acaba de perder sua cadeira de deputado, com isso, perde também, a imunidade parlamentar e o foro privilegiado. A Polícia Federal agora, tem caminho aberto para efetuar a prisão do político envolvido em propinas e gravações com diretores da JBS.

Deputado Rocha Loures pode ser preso pela PF a qualquer momento.
Foto: Deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

Desde que foi visto carregando uma mala de R$500 mil de propina da JBS,  Loures vive seu inferno astral com os federais da Lava Jato no seu encalço.

(Fonte: Rádio Nacional – Agência Brasil)
Loures foi filmado pela PF carregando a mala de propina, ao sair de um restaurante, numa ação monitorada pela polícia. Mesmo devolvendo a mala de dinheiro para a polícia, os federais deram por falta de R$35 mil, dos R$500 mil que estavam na mala. Um dia depois de devolver parte do dinheiro, o político devolveu o restante da quantia que faltava.

O dinheiro na mala foi pago pela JBS, empresa de Wesley Batista, para pessoas ligadas ao presidente Michel Temer, segundo gravações da PF.

Agentes da Polícia Federal deixam o Congresso Nacional carregando malotes com apreensões feitas nos gabinetes dos senadores Aécio Neves e Zezé Perrela, e do deputado Rocha Loures (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Brasília – Agentes da Polícia Federal deixam o Congresso Nacional carregando malotes com apreensões feitas nos gabinetes dos senadores Aécio Neves e Zezé Perrela, e do deputado Rocha Loures (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O peemedebista ficou em pior situação agora, porque o ex-ministro da Justiça, Osmar Serraglio. resolveu não aceitar o convite do presidente Temer para assumir o cargo de ministro da Transparência.

O ex-ministro então, volta para Câmara como deputado e Loures perde o cargo, pois ocupava a cadeira vaga por Serraglio.

Serraglio aguarda agora, a publicação no Diário Oficial para assumir o cargo na Câmara do Deputados, o que deve acontecer amanhã.

O novo ministro da Justiça, Torquato Jardim, deixou sua pasta da Transparência para assumir o cargo vago por Serraglio. Quando todos contavam que Serraglio iria para o Ministério da Transparência, houve a surpresa dele dizer não, durante a manhã de hoje, para o presidente Temer.

Funcionários do Ministério da Transparência, ontem, fizeram protesto para que Serraglio não assumisse a pasta. Lideranças dos servidores argumentaram que seria incompatível um ministro acusado pela Lava Jato estar a frente do órgão.

CBF deixa Globo fora da transmissão de jogos da Seleção

Por Edson Pereira Filho

A TV Brasil transmitirá os dois jogos amistosos da Seleção brasileira em Melbourne, nos dias 9 e 13 de junho. A equipe brasileira enfrentará Argentina e Austrália.

Atletas da Seleção Brasileira
Foto: Seleção Brasileira – Google

Nos bastidores televisivos, soube-se que não houve acordo financeiro entre a CBF e a família Marinho, proprietária da Rede Globo. A emissora teve exclusividade na transmissão (da arena) dos jogos da seleção, durante a Copa de 2014.

Contrato ultimando este acordo está sendo finalizado entre a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

A direção da CBF justifica que a entidade busca internacionalizar a marca Seleção Brasileira. Com esta atitude, a entidade máxima do futebol brasileiro tenta administrar todo bolo publicitário deste mercado.

Neymar jogará na Seleção sem transmissão da Globo
Foto: Neymar (Agência Brasil)

A confederação já pensa também, em internacionalizar o Brasileirão, aumentando com isso, os investimentos publicitários para clubes dentro e fora do Brasil.

A CBF ficará responsável por toda logística de transmissão e geração de imagens do jogo. Não serão veiculados durante toda partida comerciais de patrocinadores da CBF.

Como contrapartida, a TV Brasil, televisão pública e sem fins comerciais, cederá, por um valor simbólico, o espaço em sua grade de programação, entre 6h30 e 9h30.

A transmissão das partidas terá a narração de Nivaldo Prieto e os comentários serão feitos por Pelé e Denílson.

A Band ainda pode conseguir os direitos de transmissão para os jogos de junho, ao que se sabe ainda, o acordo não foi fechado.

A CBF também vai liberar para internet a transmissão dos jogos da Seleção.

Tite já convocou os jogadores para os dois amistosos, são eles:

Equipe da Seleção Brasileira

Goleiros:
Diego Alves – Valencia
Weverton – Atlético Paranaense
Ederson – Benfica
Zagueiros:
David Luiz – Chelsea
Gil – Shandong Luneng
Jemerson – Monaco
Rodrigo Caio – São Paulo
Thiago Silva – PSG
Laterais:
Alex Sandro – Juventus
Fagner – Corinthians
Filipe Luis – Atlético de Madrid
Rafinha – Bayern de Munique
Meio campistas:
Fernandinho – Manchester City
Giuliano – Zenit
Lucas Lima – Santos
Paulinho – Guangzhou Evergrande
Philippe Coutinho – Liverpool
Renato Augusto – Beijing Gouan
Rodriguinho – Corinthians
Willian – Chelsea
Atacantes:
Diego Souza – Sport
Douglas Costa – Bayern de Munique
Gabriel Jesus – Manchester City
Taison – Shakhtar Donetsk
CBF

Anonymous divulgam e-mails da JBS contra Temer

Por Edson Pereira Filho

O Coletivo Hacker Anonymous invadiu o banco de dados da Friboi (JBS), decifrando senhas e conteúdos de e-mails dos diretores e donos da empresa. Foram invadidos 280 contas de e-mail da empresa.

O site Tecmundo recebeu a carta virtual dos hackers com as ameaças.

Coletivo Anonymous avisa em carta que divulgará conteúdos contra o governo Temer esta semana- Foto: Divulgada na rede pelo grupo

A invasão nos servidores da empresa se deu no último dia 20, sábado.

Os hackers além de conseguirem senhas e dados da empresa, também monitoraram toda navegação feita por seus proprietários e diretores, em seus computadores.

A certa altura Anonymous declaram na carta que “estamos com suas senhas e acessos monitorados… Não se preocupem porque mudamos algumas etiquetas na sua área de produção e criamos alguns usuários dentro dos seus 9785″.

Em outro trecho, o Coletivo Anonymous ressalva “aos trabalhadores dessas empresas, saibam que o problema não é com vocês, e sim com essa corja de ladrões, corruptos e filhos da p*** que estão acabando com o nosso povo e nosso país”.

A Friboi (JBS) se beneficiou com empréstimos da ordem de R$8 bilhões via Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Tal quantia, além de servir para o crescimento da empresa, também serviu de propina para cerca de 1900 políticos, em campanhas eleitorais e para enriquecimento ilícito. A JBS S.A existe desde 1953.

O presidente Michel Temer e Aécio Neves foram delatados por Joesly e Wesley, donos da JBS, a Lava Jato. Gilberto Kassab (PSD), ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI), denunciado também no esquema, recebeu R$ 5,5 milhões da JBS por meio de notas frias.

Anonumous faz manifesto informando a invasão de servidores da JBS
Screenshot do manifesto postado online via Tec Mundo

Anonymous divulgou a carta num Pastebin online, site que publica textos por um tempo determinado. O documento já foi retirado da rede pelo coletivo.

Os hackers, conhecidos desde as Primaveras de 2103, que varreram com protestos políticos o mundo, desde 2013, prometeram denunciar os conteúdos dos e-mails, pouco a pouco, esta semana.

Taxativos disseram: “Não vamos sossegar. Vocês podem pegar 1, 2, 3, 4 de nós, mas nunca conseguirão deter todos nós”. A ameaça chegou pelo Tecmundo através de e-mail, com a assinatura do Anonymous e o link para o site da carta.

Bar é uma sinfonia social

Bar, estreito espaço onde a vida ganha sentido.

Lugar onde há encontros e desencontros.

Bar, para o prefeito de Campinas, Jonas Donizette, precisa ser fechado às 23h, por quê?

Bar de Campinas terá que fechar 23h
Fotos: Free Google

O bar é o lugar onde se pode até arrumar emprego.

Pode-se arrumar a namorada, ou um encontro furtivo.

Bar, ponto de distensionamento para assalariados, único ponto de lazer na periferia.

Pois bem, um especialista qualquer em segurança, deve ter sentado com o prefeito e dito que boteco fechado garante a tranquilidade, com menos crimes, menos assassinados, menos isso, menos aquilo.

Como se o Bar, fechado no horário determinado, melhora-se a falta de médicos, de remédios, de emprego, de dinheiro, de oportunidade naquela universidade e vai longe esta conversa.

No bar se escuta a piada de fim de noite, se leva o amigo japonês, cambaleante, para seu prédio.

Segue-se feliz pelo caminho, no silêncio da madrugada que começa, lembrando dos alunos e das aulas do dia que se inicia.

O bar é o aconchego também, dos desvalidos pela sorte.

Do corno que não terá a mulher em casa quando voltar da bebedeira..

Das moças flácidas que vagam pela noite buscando um copo amigo.

Das mocinhas também, hoje novinhas, que falam palavrões a cada gole e riem, com os velhacos assustados, observando, como são as mulheres dos tempos de então.

No boteco ainda, vem o pastor, meio acabrunhado, fingir que toma água, num copo americano cheio.

Tem a viúva que rouba um beijo meu, e diz que anda curtindo a vida.

Bar também do chapeiro, do garçom, do caixa, do dono narigudo e cordial.

E em Campinas querem acabar com o maior e mais humano ponto de encontro depois das 23h. Querem acabar com o lazer da maioria.

Façamos o seguinte então: vamos tomar uma cachaça na porta da casa do prefeito, de lá não saímos até que o prefeito libere o horário, talvez diante de tantos botequeiros abandonados, ele deixe a festa seguir noite a dentro.

Aliás, bar é uma sinfonia social, é a voz mais real da sociedade. Em cada canto de mesa, há quem veja neste lugar o prazer em estar vivo, bebendo com os amigos de bem, sem se preocupar se Campinas tem prefeito ou não tem.

Por Edson Pereira Filho, jornalista, escritor e professor.

Infiltrados comandaram incêndios em Brasília

Edson Pereira Filho

As manifestações pelo “Fora Temer” ontem em Brasília, deixaram além do rastro de destruição e incêndios, a suspeita de que tais atos foram provocados por pessoas estranhas ao movimento sindical e social.

Manifestantes incendeiam pedaços de tapume no Fora Temer, em Brasília
Brasília – Centrais sindicais realizam manifestação em Brasília. Destalhe para a bandeira brasileira, não muito comum nas manifestações do movimento sindical, mais usada por movimentos que apoiam Temer (Agência Brasil)

Imagens foram colhidas em frente aos ministérios da Agricultura e da Fazenda, que tiveram seus prédios depredados e incendiados, para conhecer quem de fato provocou tamanha destruição.

O senador Lindbergh Farias chegou, ontem mesmo, a denunciar no Senado os atos de vandalismos, os quais teriam sidos provocados por agentes infiltrados na manifestação “Ocupa Brasília”, organizada pelas centrais sindicais.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, não tardou em pedir a intervenção do exército nas ruas do Distro Federal tomadas pelos manifestantes.  Maia, que é acusado na Lava Jato, é conhecido na delação dos executivos da empreiteira Oldebrecht por Botafogo.

Botafogo, apelido sugestivo para o que aconteceu ontem, diante do Congresso Nacional. O Fora Temer foi seguido de quebra-quebra e vários focos de incêndio pela esplanada dos ministérios.

E os tais ministérios que já citei aqui, queimaram sem proteção alguma, sem sequer a presença maciça de manifestantes, apenas um grupo de encapuzados e fortemente abastecidos com coquetéis molotov (garrafas carregadas de gasolina, com mexas embebidas e incendiadas com o combustível).

Mas a polícia militar não chegou lá, mesmo com um efetivo, naquele momento, de mil homens. Não tardou então, para que suspeitas recaíssem sobre o comando militar da área, já que tais grupos agiam sem resistência alguma.

O general Sérgio Etchegoyen, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional do Brasil, é conhecido por encarar movimentos sociais, em especial, os sem-terra, como terroristas. E as suspeitas então, passaram a tomar corpo, no sentido de saber quem estaria acobertando tais ações.

Segundo o comandante, os generais encaram desta forma o tema: “Não regulamos ainda o crime de terrorismo no país para não atingir os movimentos sociais. É preciso cuidar da preservação da coesão social e olhar aqueles que saem da legitimidade”. Esta declaração foi feita pelo militar para a Folha de São Paulo, no dia de sua posse como ministro de Temer.

Etchegoyem prometeu em sua posse ainda, que pretendia fazer um sério levantamento sobre os movimentos de esquerda, passando a monitorar tais grupos.

Fora Temer para Amorin

O jornalista Paulo Henrique Amorin, em seu blog Conversa Afiada, ontem mesmo, disse suspeitar de infiltrações, entre os manifestantes sociais e sindicais, de agentes ligados a outros interesses, os quais queimaram os prédios dos ministérios da Fazenda e da Agricultura, se aproveitando do protesto legítimo da sociedade que quer diretas já. O jornalista desconfia que tal ato dos infiltrados foi para apagar arquivos comprometedores do governo Temer.

Por Edson Pereira Filho, professor, jornalista e escritor.

Queda de Temer abre caminho para eleição de Lula

Edson Pereira Filho

A transição será turbulenta depois da queda de Temer, o que penso ser uma questão de dias. As forças que hoje ocupam o Planalto tentam ganhar tempo para costurar uma saída que as mantenham ainda no poder.

Brasília – O presidente Michel Temer ( fotos da Agência Brasil)

Na linha de sucessão a Temer estão os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Renan Calheiros, respectivamente, porém, os dois padecem dos mesmos crimes e estão nas denuncias da JBS e da Odebrecht.

Brasília – Aécio Neves

Sobra então, Cármem Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), que ocupará o cargo até 2018, despreparada e sem qualquer tino de comando, basta lembrar do episódio em que Renan passou por cima de uma decisão do STF, sem ao menos ser questionado pela magistrada.

Com Cármem no comando, o País sangraria política e economicamente até outuro de 2018, quando acontecem novas eleições para presidente do Brasil. Pela segunda vez, desde a morte de Getúlio em 1954, políticos elegeriam, indiretamente, um presidente.

Tal possibilidade causa arrepio e indignação no mais neófito brasileiro em política no Brasil. O quadro é muito absurdo para deixar, como na fábula, que lobos tomem conta do galinheiro (o Congresso e o País) e decidam quem deve ser o rei da matilha.


Caso haja uma ruptura neste quadro então, sem obedecer à ordem Constitucional de eleição indireta, sobrariam cassetetes e bordoadas nas ruas aos manifestantes que defendessem eleições diretas.

E é o que parece que vai acontecer, uma emenda constitucional terá que ser elaborada às pressas para conter os ânimos e redirecionar o País no rumo da normalidade democrática.

A Rede Globo não quer o desmantelamento das forças conservadoras que hoje estão, seriamente, avariadas pelos bombardeios das denuncias bilionárias dos irmãos da JBS, exímios compradores de 1.890 políticos em todo País.

O chefão dos Marinho, Ali Kamel, tenta, por todos os meios, manter sobre as hostes das Organizações Globo o descortino de tais enredos para a eleição indireta, pois sabe que disso depende, em grande parte, a sobrevivência política da emissora.

Ali Kamel escondeu o mais que pôde o depoimento de Lula, assimilou a pancada, e vem agora, em doses homeopáticas, administrando a saída de Temer, não sem antes, dar estocadas em Lula.

Os irmãos da JBS ganham destaque da emissora, quando dizem que mantinham contas e extratos sobre seus poderes de contas milionárias de Lula e Dilma, sob a anuência do ex-ministro da Economia, Guido Mantega.

O que se observa, novamente, neste intento amalucado, é o mesmo enredo dos papéis de Moro (não assinado e outro rasurado). Quando muito, é a palavra de Lula contra as dos corruptores da JBS.

Há um racha no judiciário, isto ficou claro, quando à revelia de Moro, Temer e Aécio sofreram investigações monitoradas para comprovar seus ilícitos em tentar apagar os descaminhos do dinheiro fácil.

O ministro do STF, Edson Fachin e a Polícia Federal em Brasília, sequer disseram alguma coisa para Moro ou pediram sua ajuda, já que este tinha o senador Aécio Neves também sob sua mira.

Então, Cunha perdeu a mesada, e não ficará quieto. Aécio será preso. Outros políticos começaram a cair como moscas mortas nas celas da Papuda, aliás, presumo que faltará cadeia para este tipo de gente, os quais, definitivamente, não são cidadãos de segunda categoria.

Dou um exemplo básico disso, a casa de Andreia Neves, irmã do senador Aécio, não foi arrombada. Já que a mesma não queria abrir para os policiais cumprirem a ordem de prisão, foi chamado um chaveiro para proceder à abertura da porta. Fosse na periferia, bem, um pontapé e estaria tudo resolvido.

Sobram então, oito partidos com vieses de extrema-direita e extrema-esquerda dentro do Congresso Nacional, os quais, até o presente momento, não estão enredados nesta teia de propinas, segundo os corruptores Marcelo Odebrecht, Joesly e Wesley Batista.

Tal radicalização no perfil do que sobrou de um Congresso perdulário, vai de encontro ao mesmo perfil que grassa na sociedade brasileira, dividida entre coxinhas e mortadelas. Ou para além disso, estamos num dos momentos mais agudos e preocupantes de nossa vida política.

É preciso então, ir as ruas, defender eleição direta, e Lula precisa ser o candidato das forças democráticas que até então, vinham trazendo o País na linha do desenvolvimento, da inclusão social e de avanços, substanciais, na participação de setores, antes alijados, dos projetos que levassem em conta os que mais precisam.

Percussão à francesa mexe com público da Sinfônica de Campinas

Reportagem Edson Pereira Filho

A Orquestra Sinfônica de Campinas, ontem, fez uma das mais belas apresentações envolvendo instrumentos de percussão. Os músicos franceses Sylvie Reynart, na Marimba, e Emmanuel Séjourné, no Vibrafone, monstraram aos presentes tons e semitons de seus instrumentos, os quais realçaram, sobremaneira, vários instrumentos da orquestra, numa espécie de moldura sonora.

Foto: Divulgação

As música tocada foi Concerto Duplo para Marimba, Vibrafone e Orquestra, o que fez a audiência bater palmas por alguns minutos, obrigando o retorno dos músicos ao palco. O casal então, resolveu dar uma colher de chá, devido os aplausos de “mais um vez”, tocando em solo, sem o aparato orquestral.

A acústica do Teatro Castro Mendes de Campinas ajuda e o público ficou paralisado ouvindo e vendo a habilidade dos músicos franceses em tocar até com quatro baquetas,  duas em cada uma das mãos. A peça de três movimentos, foi tão rápida, que algumas pessoas da plateia chegaram a pedir que se repetisse.

(A filmagem foi autorizada pelo maestro)
O maestro da Sinfônica de Campinas, Victor Hugo Toro abriu, após o intervalo, as apresentações, com a orquestra, Reisado do Pastoreiro, de Oscar Lorenzo Fenándes (1897-1948); Danças do balé “Estâncias”, Op 8 a, de Alberto Ginastera (1916-1983).

O regente antes de iniciar tais apresentações, aproveitou para falar dos instrumentos de percussão na orquestra para a audiência presente, ao lembrar que tais instrumentos são cruéis quando o instrumentista não conta certo o número de compassos, podendo atravessar toda orquestra. “Quando isto acontece, todo mundo lembra do erro da percussão (e não de toda apresentação da orquestra)”, lembrou sorrindo, quando se ouviu risos na plateia.

Como sempre tem acontecido nas últimas aparições da orquestra de Campinas, o maestro Toro precisa dar um jeito de terminar as apresentações, já que a plateia insiste com palmas para que ele toque mais uma vez.

Desta vez, o regente pegou pelo braço seu violinista principal, o qual afina toda a orquestra com seu violino antes do início das músicas, e o levou para a coxia do teatro rapidamente, não faltaram risos.

Mais detalhes

A professora de percussão no Conservatório de Estrasburgo, Sylvie Reynaert é uma musicista eclética. Seus trabalhos mais significativos estão voltados à música de câmara, com projetos que transitam por várias vertentes artísticas. Entre os prêmios recebidos estão o Concurso Europeu de Música de Câmara e o Concurso Internacional de Música de Câmara da UFAM. Em 2010, Sylvie Reynart criou o duo com Emmanuel Séjourné.

Compositor e musicista francês, Emmanuel Séjourné traz referências da música popular (jazz, rock, música étnica) como também do repertório tradicional. Como instrumentista recebeu prêmio da Academia de Álbuns Franceses por suas interpretações de Debussy, Ibert e Milhaud com o saxofonista Philippe Geiss. Em seu repertório estão concertos, música de câmara e obras para instrumento solo. Atualmente, é responsável pelo Departamento Pedagógico de Percussão do Conservatório de Estrasburgo e da Academia Superior de Música e Artes de Rhin.

A apresentação com o Concerto duplo para Marimba, Vibrafone e Orquestra, de Emmanuel Séjourné, tem inspiração na música folclórica dos Balcãs. Esta está presente na sonoridade potente, energética, rítmica e cheia de vida.

Na sequência, os músicos interpretaram “Reisado do Patoreio”, de Lorenzo Fernández. Trata-se de uma suíte de três danças – Reisado, Toada e Batuque. Essa obra faz referência às celebrações natalinas campesinas do interior do Brasil. Os temas utilizados foram todos inspirados na música popular brasileira. Seu último movimento é o mais conhecido. Os batuques no País tiveram sua origem na música africana.

Para finalizar, a Sinfônica executou as “Danças do Balé Estâncias, Op. 8a”, de Alberto Ginastera. A obra de Ginastera é reconhecida como uma das mais criativas e originais da América Latina. O compositor utiliza de temas melódicos e ritmos nacionais com elementos da música tradicional europeia. Entre um de seus alunos está o também argentino Astor Piazzolla.

O balé “Estâncias” foi baseado em cenas diárias da vida argentina. Assim, pode construir uma imagem rica da tradição gaúcha do país. Baseado no épico de Martín Fierro, a criação de uma identidade nacional é o intuito da obra que põe o herói gaúcho como centro, antes colocado em uma posição marginalizada.

Égorger para liberté, egalité e fraternité

Edson Pereira Filho

Em que pese a Queda da Bastilha na França ter oito guardas e apenas um preso na masmorra, fato é que cabeças rolaram, e quem discordava abaixou a cabeça para defensores da Liberté, Egalité, Fraternité (Liberdade, igualdade, fraternidade, em português do francês). Caso não fizessem isso, os que teimassem em servir ao rei, seriam degolados. Érgorger primeiro, ou seja, sem degola não haveria mudanças.

Fotos e Gravuras: Museu do Louvre, França, Paris.

Fato é, que nas maiores mudanças históricas do mundo cabeças rolaram, nem sempre literalmente, mas rolaram.

A história mostra aqui e lá fora, que os que quiseram continuar servindo ao opressor, trabalhando, foram violentamente, muitas das vezes, rechaçados.

Se alguém tem a ilusão que paralisar pessoas é como num sinaleiro para carros, esqueça.

Metalúrgicos (do ABCD) e Bancários, por exemplo, são o que são hoje graças a paralisações onde a força foi empregada por seus militantes, caso contrário, tais trabalhadores não teriam as condições de trabalho e de salário que hoje gozam, sem falar da estabilidade alcançada com as comissões de trabalhadores formadas nestes locais.

Muita gente confunde, ou faz questão de confundir, sindicato com uma entidade inalcançável aos olhos do trabalhador, como se cada um fosse único, quando na verdade o sindicato é o trabalhador e o trabalhador é o sindicato. Se um vai mal, o outro também. Se não concorda com a direção sindical, tire-a formando chapas e elegendo quem de direito.

Então, bobo daquele que achar manifestações domingueiras, como nossa classe media andava promovendo via MBL, vão atrapalhar os planos desta gente no poder.

Ainda bem que a classe média ficou incomodada com as manifestações do dia 28 de abril, afinal, a greve é dos trabalhadores, não é um passeio de domingo no parque.

Manifestação durante a semana, com bastante tumulto, exigindo mudanças efetivas, aí sim estes senhores começam a pensar.
Tanto, que já há algo sintomático em Brasília, embora pequeno, o atraso nas votações das reformas, por exemplo.

O presidente Temer até prorrogou alguns prazos, parte de sua base, os fiéis 308 que voltavam com ele, alguns resolveram abandonar o barco depois da greve do dia 28 de abril.

Temer então, volta a carga, está negociando pacotes de “bondade” com tais deputados que bateram em retirada, oferecendo a estes cerca de R$800 milhões em emendas e, mesmo assim, as resistências continuam.

As centrais de trabalhadores já planejam uma grande invasão em Brasília, com dezenas de milhares de trabalhadores. Outros setores, antes alheios, começam a se engajar nesta próxima manifestação, ainda sem data marcada, devido os atrasos do governo que aqui citei.

O que chama a atenção como última conversa, é a Igreja Católica ter apoiado a Greve Geral, mesmo tumultuada, já os evangélicos foram até Temer, dia primeiro passado, apoiar as reformas e pedir algum, grana mesmo.

Quem pensa que mudanças, mudanças mesmo, vão cair do céu, é só olhar pelo retrovisor da história, elas, em suas esmagadora maioria, foram violentas e sanguinárias.

Por ***Edson Pereira Filho, jornalista, professor e escritor.

*** Em tempo, para quem quiser:

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Uma uva e meia: a revolução de Cármem Lúcia

Edson Pereira Filho

A presidente do STF Cármem Lúcia diz que estamos vivendo uma revolução social no País. Revolução de costumes, de mudanças de rumos.

Carmem Lucia, presidente do STF/Banco de imagens do STF

Um novo paradigma social, enfim, não se trata apenas de uma limpeza de esgoto a Lava Jato, ao explicar o papel revolucionário da Força Tarefa de Curitiba.

Lógico, Cármem jogou com imagens em sua fala, dizendo que esta está sendo a postura não só da Lava Jato, mas da sociedade, do povo, das pessoas, que desejam ter mertiolate nos postos de saúde, entre outras imagens simplórias e desconexas.

Desculpe o mau-humor, mas desde o episódio da determinação judicial do afastamento de Renan Calheiros do Senado, por ordem do STF, perdi minha paciência com o Supremo. Como todos sabem, o Justiça, como é conhecido Renan no mundo da propina, não foi afastado, ele simplesmente passou por cima da decisão do STF.

Voltando à revolução de Cármem, quem disse que se tratava apenas de uma limpeza de esgoto foi a roqueira Rita Lee,

Carmem pensa que não, é algo além disso, mudança de rumo mesmo da sociedade brasileira.

No mundo de Cármem, porém, não há a revolta na rua por emprego, direitos trabalhistas e previdenciário. Não há a Greve Geral, ah, o programa Conversa com Bial foi gravado no dia 1 de maio de 2017, portanto, depois das manifestações que se seguiram País afora, no último dia 28 de abril.

Nenhuma palavra sobre o estudante de Goiânia, que teve a face destruída e parte do cérebro também, por uma porrada do capitão Augusto Sampaio, subcomandante da 37ª Companhia Independente.

Sampaio é o mais fresco covarde que a PM produziu nas últimas horas.

Falemos de Revolução de Cármem então. Não entendo ser de bom tom uma juíza participar de um talk show para falar da vida alheia, mesmo de réus, ainda não condenados, quando muito, julgados por ela, quando ainda tudo está em primeira instância.

É essa a postura que deve ter alguém que julga pessoas? Participar de programa de televisão, dizer, mesmo que informalmente, o que pensa sobre seus futuros réus, sem se assentar nos autos do processo, é isso mesmo?

Afinal, era este o script, para que a classe media se deleitasse com a Carmem sedutora, cheia de picardia e rapapés, mais parecia um encontro de marocas.

Uma palavrinha sobre Bial

Vendo Bial me lembrei de Justus e Britto Júnior, este último levou o pé na bunda da Fazenda, o BBB da Record, porque o velhaco de madeixas brancas tinha os patrocínios sobre sua tutela. Não preciso dizer no que deu a Fazenda.

Cármem de Bizet

E Bizet de Cármem se viu ultrapassado pela Cármem, a sedutora dos trópicos, que convive com os homens, não querendo saber o que estes pensam ou andam fazendo. Ela disse que este é um conselho de mãe, o qual segue regiamente.

E com uma uva e meia de Cármem, sua refeição diária, pergunto-me: temos um novo regime para homens e mulheres.

Basta o povo agora comer uma uva e meia, mostrando seu lado austero, e aguardar esta tal revolução que, pelo visto, interessa a este teatro de horrores em que se transformou o STF.

Por Edson Pereira Filho, jornalista, professor e escritor.