O discurso da diversidade na ciranda do racismo

Na foto: Dr. Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, pesquisadora da USP, responsável pela introdução da Educação Afro em todas escolas do País.

O ponto central das Olimpíadas talvez tenha sido o congraçamento entre os povos. Gente de todo mundo esteve no Rio. Muita gente falou da união na diversidade racial e multicultural. Para as telas de televisão até pode ter sido, uma espécie de segunda natureza criada pelos mídias, onde o mundo parece ser ideal, sem preconceitos.
O apresentador da televisão Rede Globo, Galvão Bueno, exultava em falar que somos o País da diversidade e Glória Maria ia no mesmo diapasão. Esqueceram os morros. O soldado da Guarda Nacional morto com um tiro na cabeça. Esqueceram a violência que graça no País contra negros. Enfim, deveriam ficar quietos a este respeito, seria mais educado. Por quê? Explico.
O mundo ideal dos mídias cai por terra, quando pensadores da Educação, como a professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, do Conselho Nacional de Educação, diz que a diversidade é o novo contorno do racismo. Segundo a estudiosa do tema, o fato de diluir todos os diferentes no discurso da diversidade, esconde algo perverso, que passa ao largo de gente que não sente na pele tais perseguições racistas.
O discurso da diversidade tira do indivíduo seu status de ser, em sua plenitude e formação individual. Não é de hoje que a Globo tenta apagar um passado não muito distante sobre como ela percebe os negros em sua telona, não vou aqui descrever, novelas inúmeras provam a tese do racismo velado da emissora, há inúmeras teses sobre este assunto mofando nos bancos universitários, quem quiser, que vá lá pesquisar.
O ponto principal em diluir a condição humana de cada um, tem por princípio não promover a identidade, os anseios e as buscas por mudanças nas condições sociais vigentes por parte dos discriminados, para as vítimas de preconceito. E nesse sentido, a emissora presta, novamente, um desserviço à sociedade brasileira.
É como numa ciranda, o discurso da diversidade mais lembra uma roda, onde os diversos giram uniformes, de acordo com a música tocada pelo estabelechiment. Enquanto no centro da roda, que parece estar vazia, encontra-se o vácuo deixado por nossas mentes, pouco ou nada afeitas a percepção do que realmente interessa, a percepção do outro, a percepção do que somos.

* Por Edson Pereira Filho, jornalista, pedagogo e professor de Língua Portuguesa.

Não vai ter Golpe? Sempre teve

Por Edson Pereira Filho*

Foto: Presidente João Goulart/Arquivo do Museu Nacional

João Goulart, presidente do Brasil, sabia que generais e militares brasileiros não valiam a saia de Kemp, sua secretária, aliás, disse isso para o comando militar brasileiro numa reunião.
Darcy Ribeiro, chefe da Casa Civil de Jango, apelido de João Goulart, conhecia os golpistas militares brasileiros, prostitutas que eram dos EUA, estes últimos atordoados com a Baia dos Porcos, a Guerra Fria e à sua porta batia a Revolução Cubana.
Nosso Dartagnan, Rubens Paiva, então deputado à época, protegia o presidente, fiel escudeiro que era da República. Depois seria morto pelos milicos.
Em 1930, bem antes do Golpe de 64, empresários e a eminência parda dos milicos, Golbery Couto e Silva, criavam o IPES e o IBAD, institutos que desbancariam o populismo de Vargas, só conseguido com seu suicídio.
Jango não apostava nem em radicais de esquerda e radicais de direita, para ele, como gostava de dizer, os indignos e os indignados possuem o mesmo peso na hora do confronto, qual seja, somem.
Pois bem, o IPES e o IBAD tentaram de todas as maneiras acabar com o governo Jango.
Jango acabou com o IBAD, porém o IPES, então centro de estudos dos militares e da direita assassina e torturadora, ficou até o Golpe.
Os militares tramaram o Golpe pelas costas e o IPES foi a senha horrorosa para se criar o SNI.
Em abril de 1964, navios norte-americanos costeavam praias brasileiras, o Golpe Militar era dado.
Jango já tinha partido para o exílio, em Montevidéu; militares brasileiros o queriam morto, mas não conseguiram
Darcy voou atrás, fez livros sobre a antropologia Charrua por lá, aliás o primeiro livro antropológico que se tem notícia no Uruguai.
Darcy fundou as melhores e mais importantes universidades e escolas pelo mundo, depois que foi também para o exílio.
Enquanto isso, os filhos de Darcy, aliás Darcy adorava mulheres, ficaram por aqui, sendo humilhados pela classe média, dentro das escolas, que gritava: Comunista! Filhos de comunista!
Mesmo assim, os filhos de Darcy até hoje adoram o pai, pois sabiam de suas idéias e ideais.
E os filhos de classe média, ignorantes de tudo, menos das torturas, mortes e desaparecimentos, aplaudiam tudo em nome de Deus e da TFP.
O país se estatizou nas mãos dos milicos, os empresários, que pensavam numa economia aberta, ficaram com a bandeira verde-amarela na mão, pois os militares queriam tudo para si.
Veio o tal bolo que ia crescer, segundo o gordinho e sacana ministro da Economia, Delfim Neto. Ele, o ministro, prometia que toda a riqueza iria ser dividida com os trabalhadores no final da década de 70.
No final dos anos 70, tínhamos mais desempregados (81% sem emprego) e doentes do que quando Jango era presidente.
Delfim se enricou, não distribuiu riquezas, e até hoje dá palestra, distribuindo cascatas econômicas, como quem sabe dizer alguma coisa sobre a dignidade do trabalho que faz a riqueza de um País, um pilantra.
E o que dizer de nossos milicos, prostitutas, só isso.
Passamos por Sarney, Itamar, Collor, FHC, Lula e estamos em Dilma, e o mesmo diapasão de nossa elite empresarial e política se mantêm, qual seja manter seus privilégios em detrimento da miséria, desemprego e fome da maioria.
O PMDB é e foi à prostituta dos presidentes citados pós-ditadura, faz o jogo da elite financeira inclusive.
Dilma está para ser frita, aliás, trata-se apenas de mudança da mesma máfia, qual seja nossa velha elite golpista.
Lula se lambuzou desta elite que se alia, conspira e depois toma tudo.
Dilma faz a mesma coisa.
Caso troquemos de presidente, lembre-se, quem estará lá não tem um projeto para a maioria deste País, portanto, não adianta cobrar obediência desta maioria.
Ah, e não é crime a livre organização social, sindical e política. Criminoso é esta gente que age nas sombras, o juiz Moro deveria ir atrás destes outros canalhas, mas não o faz por motivos óbvios demais.

*Por Edson Pereira Filho, jornalista, pedagogo e professor.

Oiá, Ginga e Mangueira

Por Edson Pereira Filho

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A Mangueira nos apresentou Oiá, e com tamanha sabedoria só podia ser campeã do Carnaval no Rio, após 13 anos à espera de um título.

Oiá e Iansã são a mesma coisa, dentro da Mitologia Iorubá, é a mulher que dominou 11 deuses, entre eles Xangô e Ogum, fazendo amor com eles e, esse era o seu ardil, amar sobre todas as coisas e quantos homens fosse possível.

Só que o amor de Oiá conseguia se apoderar de toda sabedoria de cada deus negro do olimpo.

Sua representante aqui na Terra, Maria Bethânia, que sempre cantou Oiá, quando disse que “Iansã tem um leque que venta, para abanar dia de calor. Iansã mora na pedreira, eu que ver meu pai Xângo”.

Filha de Oxum, Oiá teve nove filhos com Ogum, quando adquiriu os atributos da forja e da espada.

Com Oxaguiã, pôde usar o escudo do guerreiro.

Com Exu, teve a força da magia e do fogo, tendo o poder de realizar desejos seus e de seus protegidos.

Com Logum Edé, adquiriu a sabedoria da pesca.

Bem, foram 11 deuses, mas Obaluaê não quis saber de Oiá.

Ao final de tantas conquistas, Iansã foi se aquietar no Reino de Xangô.

Pois bem, com tamanha sedução Oiá entrou na Sapucaí, encantando os deuses da avenida. Não só os deuses, mas os jurados e juradas.

A guerreira apresentou sua filha “Maria Bethânia- a menina dos olhos de Oyá”, quando a escola homenageou a cantora na última segunda-feira (8/02) no sambódromo da Sapucaí.
Este passou a a ser o 18° título da escola, o qual ganhou pela última vez em 2002.

Treze anos depois, Oiá abriu os caminhos com sua espada e escudo. Soltou a magia de Exu e ganhou a todos na avenida.

Xangô e Ogum voltam para o Olimpo Iorubá com a deusa, satisfeitos, porém a guerra dos deuses pelo amor de Oiá continuará nas retretas dos céus.

A Mangueira foi impecável, irrepreensível. Jamelão aceitou o moço de Nossa Senhora, intérprete oficial da Mangueira, Ciganerey. Sincretismo puro e bate a cabeça no chão para o branco pensar que se salda a mãe branca, mas Oiá está debaixo da terra também.
Oiá olhou lá de cima com olhos marotos para o cantor da Mangueira, Ogum triscou a espada e Xangô quer tirar Iansã da casa de Ogum. A briga promete.

Como promete a história de uma mortal guerreira africana. Ginga, pois é, se fala tanto em ginga por aí, mas não se sabe a origem. Ginga foi uma guerreira africana de carne e osso, aliás, muita carne, que viveu durante 80 anos, construiu impérios e dominava boa parte do continente africano. Ora ela se vestia de homem, ora seus homens se vestiam de mulher nas batalhas. Era uma deusa sábia e rápida, assassina e doce, guerreira e mulher, alegre e triste, como são os mortais. Pois bem, foi com Ginga que nasceu toda nossa ancestralidade, nosso jeito de ser, do povo brasileiro ser. Lutar sem perder a sensualidade, a dignidade e a alegria, mesmo que tenha sangue, dor e tristeza, pontos tão antagônicos, mas que definem bem nossa genealogia e todos estes anos de luta de mangueirenses. Salve Oiá. Salve Ginga. Salve Mangueira, minha escola querida.
Por Edson Pereira Filho, jornalista, pedagogo e professor

Ser humano é negócio de branco

Foto: Poesta russo Vladimir Maiakovski/Arquivo do Museu da URSS

Edson Pereira Filho

Tempos atrás, gente da Globo News, canal fechado do Grupo Globo, resolveu ter, sem maiores explicações, um circunlóquio entre jornalistas sobre a questão racial. Participava de tal debate Ali Kamel, entre outros jornalistas da casa. Lá pelas tantas, os debatedores, que não sentem na pele a questão do racismo, que não são estudiosos no assunto, resumiram tudo numa fala carregada de obviedades: o importante é ser humano 365 dias do ano. O próprio cantor Ivan Lins também falou a mesma frase dia destes no Facebook.

Ouço muito este papo que somos humanos e que não seria necessário ter um dia dedicado à luta contra o racismo. Ouço de jornalistas. Ouço de juízes. Ouço de alunos. Ouço de policiais. Ouço de donas de casa. Ouço…ouço..ouço

O fato é que saído da condição de ser, ou seja, biológico, deixamos à condição humana quando a cultura, a cor da pele, a religião e o dinheiro delimitam nosso ser e, aí, nossa tal condição humana vai para o ralo literalmente.

Ainda bem que somos limitados por tais fatores sociológicos, diriam alguns, pois assim teríamos com o que nos preocupar para transpor tais obstáculos. O detalhe sórdido é que a cor da pele não se pode mudar em larga escala, um cantor americano fez isso, e os meios hiperbáricos que usou custaram caro a sua pele, quiçá a sua vida.

Então, tais condições humanas, ao que parecem, são imutáveis, e acredito mesmo que não devam ser mudadas. Mudar a cor da pele é antes de tudo uma violência, não uma evolução, como quiseram fazer acreditar seguidores de Levis Strauss.

Voltamos ao ponto inicial. Quando o poeta cubista russo Vladimir Maiakovski disse:

“Oh, sábios que tocais ternos violinos

Não podei-vos fazer como eu,

Virar-vos pelo avesso

Para ser todo lábios”

Antes de qualquer coisa, a tradução do poema é minha, então peço paciência, Campos traduz quase do mesmo jeito. Feito a ressalva, o poeta diz, literalmente, que se virássemos a pele pelo avesso, todos, seríamos lábios. Lógico, Maiakovski fala de sentimento em sua poética, algo que poucos carregam dentro de si. Mas retomando o conceito básico, somos vermelhos, temos vísceras e, somos sim, viscerais, dependendo de nossa armadura cultural, nossa grana, nossos conceitos e preconceitos. Pois bem, o humano está resolvido, ou seja, ele vai até o feto, quando este deixa a barriga da mãe tem que carregar o DNA da cultura que será imposta a ele.
O racismo e a discriminação, a violência premeditada contra a população negra, seja ela pobre ou rica; seja ela branquinizada ou não, ganha fortes contornos fora da barriga da mãe.

A branquinização, processo adotado pelo negro como subserviência ao branco para com isso ser “aceito” socialmente, é um dos últimos caquéticos bastiões do racismo abrasileirado.

Como bem assinala a ministra Nilma Gomes, nobre reitora, e sua colega Petronilha, pesquisadora renomada em Educação pela USP, autoridade do Currículo Nacional de Ensino, o racismo vive inventando novas formas e discursos. O último deles, mais falado por brancos e negros (até dito consciente politicamente) é o Discurso da Diversidade. Segundo as pesquisadoras citadas, a diversidade é o novo discurso do racismo. Em síntese, segundo as estudiosas, a diversidade dilui a luta de grupos (gays, lésbicas, negros, mulheres etc.), fazendo com que estes percam sua identidade e tino para questões específicas. Numa frase Petronilha diz:

“O discurso da diversidade é o novo contorno do racismo”

Então, pessoas globais dizendo isso, não é algo para se espantar, faz parte de uma orquestração muito maior. Embora admire o programa de Regina Casé, por exemplo, o chamado Esquenta, sei que tal discurso tem como pano de fundo o abrandamento das questões de proa do movimento negro. O episódio envolvendo a PM e a morte do bailarino da apresentadora, foi esclarecedor no quesito: não queremos confusão com o Establishment.

Após 389 anos trabalhando sem receber salários, sem condições de trabalho, tortura, espancamentos, homicídios entre outras atrocidades, negros não precisam de 365 dias de humanidade, precisam, antes de tudo, receber em dinheiro, as tais cotas abominadas por alguns, por um longo tempo, a fortuna que construíram para brancos ociosos, para ser educado. E os jornalistas globais que dizem sobre tal humanidade, precisam parar de macaquear o que seus patrões mandam dizer.

Edson Pereira Filho é jornalista, professor e escritor.

Na Era Digital, mestres correm sérios riscos

Edson Pereira Filho*

Se me permite, caro leitor, vou divagar, é domingo, penso que tenho este direito. Primeiro dizer que a base (escolar) está naquela base, se é que você pode me entender. Dia destes, lia um teórico marxista dizendo que a rede (Internet) é o novo instrumento de luta dos explorados, lá pelas tantas, ele vaticinava que a rede irá derrubar este capitalismo digital, o qual criou a internet.

Lembro de Mao, na China, durante a Revolução Cultural, quando mandou que os jovens arrancassem das escolas seus mestres. Lembro da contracultura americana, do movimento hippie, que também ia na mesma linha, ou seja, não confiar em ninguém com mais de 30 anos. O duro é que sempre surgem estes líderes que sabem manipular, especialmente, a juventude, por motivos óbvios, estas são presas fáceis. A rede de computadores tem imbecilizado nossos jovens, salvo engano, pois nem na aula eles querem ficar mais, não os culpo, também não ficaria diante de um conteúdo do século XXIV, com professores no século XX e alunos no século XXI.

Certo que a rede possibilitou o escárnio público das grandes corporações (Lava Jato é um exemplo) de políticos e de tudo que se escondia por interesses escusos. Nossos jovens, vítimas deste processo, estão devolvendo o mesmo veneno que os condena a própria sorte há décadas. Só espero que não matem seus mestres nesta Era Digital e escolham melhor seus algozes.

Na China e nos EUA, após a Revolução Cultural e Riponga, não mais do que 10 anos depois de terem balançado as estruturas da sociedade, a população destes países descobriu estarrecida que havia destruído o conhecimento amealhado durante décadas e séculos. Esta destruição resultou num aumento substancial da violência e da corrupção em tais países. Certo que na China e nos EUA, bandido não tem vez.

 

Edson Pereira Filho é jornalista, pedagogo e professor de Língua Portuguesa.

Base Aliada é racista? E uma palavrinha com Feliciano

Edson Pereira Filho

Pense, no Brasil o poder é dividido como uma pizza, não há princípios, apenas negócios entre os partidos. E também não há essa de homem bom ou ruim, honesto e desonesto ou qualquer polaridade que separe o bem do mal, já disse, são apenas negócios. Fosse o contrário, o pastor e deputado federal do PSC, Marco Feliciano, que responde por racismo, homofobia e estelionato, não seria eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Ocorre que na hora de dividirem a pizza, os partidos colocaram gente extremamente suspeita para ocuparem cargos importantes que pouco ou nada tinham haver com sua condição moral.

A Base Aliada do governo, elege o deputado federal do PMDB, Gabriel Chalita, para presidente da Comissão de Educação da Câmara. Só que ele está sendo acusado pelo Ministério Público de aceitar propina de um empresário paulista, dono das escola COC, quando era Secretário de Educação do Estado de São Paulo. Para não bater só nesta tecla, o presidente do Senado, Renan Calheiros, também é suspeito de várias falcatruas.

Talvez o caso mais escandaloso seja o do religioso e deputado, Feliciano. Falando de homens honestos e desonestos no Congresso, todos são iguais quando votam, mediante determinação da Base Aliada, num ser como este, cheio de mazelas e crimes, porque não dizer crimes, pois Feliciano fala absurdos e seus pares sequer o questionam legalmente. A tal Base Aliada deu para ele o cargo, ou seja, a pizza foi dividida de comum acordo, daí posso sim depreender que PMDB e PT, maiores partidos da base, estão de acordo com as posições ditas por Feliciano ao longo dos últimos dois anos.

Então o PT e o PMDB seriam racistas, por exemplo, penso que é preciso analisar sem muito cuidado, pois, como disse, são apenas negócios. Se é a maioria que decide quem ocupa o que no governo, a tal Base Aliada, através do voto consolidado, a votação foi no papel e não eletrônica, então, posso como cidadão depreender que isso é uma posição da Câmara dos Deputados, mais ainda, uma posição dos partidos que apoiam a presidente. Fica na consciência de cada um, a minha está bem tranquila a este respeito.

Uma palavrinha com Feliciano

Pelos seus vídeos no Youtube, bem se vê que o senhor não conhece a África, continente aliás, não país. Citar, em suas pregações, que na África até há brancos, especificamente na África do Sul, é não saber da colonização e da neocolonização. É não saber que há 4 mil anos antes de Cristo, griots (sábios que carregavam toda sabedoria da África, verdadeiras bibliotecas ambulantes), vagavam de tribo em tribo, assentavam-se na beira da aldeia, à sombra dos Baobás, para ensinar os pequenos sobre a história do Berço da Humanidade, sim, a África é onde tudo começou.

Aliás, Jesus, por levantamento científico, era negro, e aí o senhor vem me dizer isso: “africanos descendem de um ancestral amaldiçoado”. Será? Bantos, sudaneses e pigmeus fizeram as principais descobertas da humanidade, as três matizes da genealogia africana criaram as artes, danças, a metalurgia, as construções, sistemas de esgotos até hoje copiados e por aí vai. Quando leio e vejo vídeos do senhor pregando sobre o assunto dos negros e a tal maldição, ocorre-me uma imagem ruim, fico lembrando como brancos saqueadores invadiram e escravizaram o continente africano.

Depois de muito tentar, sem sucesso, dominar as tribos de negros, os brancos descobriram que se matassem os griots (a sabedoria) desestruturariam toda organização social africana. Pois lá, o conhecimento se dá mediante a oralidade. Pois é, seu discurso é desagregador, coloca a vida de jovens e famílias inteiras de negros em perigo no Brasil. Quer um dado, o governo que o senhor diz legislar e defender os Direitos Humanos, em uma propaganda televisiva na TV Gazeta, informa que todos os dias morrem um avião jumbo de jovens negros por conta da violência policial e social. Leia dados do Instituto Sangari a este respeito.

O senhor deveria abandonar o cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos, pois é uma ameaça para o conhecimento, a dignidade humana e, principalmente, uma ameaça a fé religiosa que o senhor diz professar. E só para acrescentar, o senhor chegou a Câmara dos Deputados, através do voto de cabresto, o que se tornou comum de uns tempos para cá entre os religiosos. Esta prática do voto de cabresto era muito comum entre os coronéis do Café e do nordeste. Eles apontavam com o dedo onde o cabra tinha que votar e a outra mão o coronel tinha um revolver apontado na cabeça do desgraçado.

Um convencimento e tanto, hoje, porém, seitas como a do senhor, devem, sei lá, avisar aos fiéis que se não votarem em tal pessoa, queimarão no reino do inferno, o qualquer coisa do gênero. Disse tudo isso, para lembrar ao senhor que não possui qualquer representatividade para aí estar, e no momento certo, estará fora daí.

Carta a Hugo Chávez

Edson Pereira Filho

Sei do jogo sujo americano para transformar a América Latina num novo quintal do Tio Sam. Eles armaram a Colômbia até os dentes com a desculpa de combater o narcotráfico. Invadem a política de países soberanos, tentam desagregar nossa união latina pelo Mercosul. Hoje a Colômbia é o país. belicamente, mais armado da América Latina. Os americanos fizeram isso no Oriente Médio, precisamente, no Iraque e Israel, com a velha desculpa de levar a liberdade para outros povos. Querem mesmo é tomar o negócio do petróleo para si.

O comandante Hugo Chávez, só para encher a paciência, decidiu vender a gasolina venezuelana a US$0,4 cents de dólar em território americano. Na Venezuela, frota com maioria de blasers e caminhonetes, o litro da gasolina não chega a US$0,10 cents de dólar. Os EUA tentam formar uma cabeça de praia, uma espécie de posto avançado de seu capitalismo saqueador e bandido na Colômbia. O adido militar americano, expulso há poucos dias da Venezuela, infiltrou-se no meio militar venezuelano para saber da possibilidade de um levante contra Chávez.

O mundo da energia, não mais da luta de classes como via conjunturalmente Karl Marx, tem no seu maior expoente e inimigo os EUA, que insiste em desrespeitar a soberania dos povos. Tentaram, de todas as maneiras derrubar o comandante Chávez, impuseram-lhe quase uma dezena de referendos para tentar fulminá-lo, o povo o reconduziu ao lugar que sempre esteve, no centro da luta bolivariana.

Estamos desarmados aqui embaixo do mapa. O Brasil tem um exército carreirista, preocupado em manter castas e famílias inteiras há séculos nos mais altos escalões, gente barriguda que não serve para nada. Mas, a despeito de tudo isso comandante, como poucos que vi na face da terra, soube como Fidel enfrentar o maior cerco econômico, político e com várias tentativas do Tio Sam em isolar a Venezuela. Agora veremos como funciona a tal democracia americana, os próximos capítulos não são nada animadores.

Amoedo Farm fica em Ipanema

Edson Pereira Filho é jornalista do site Região Brasil

Edson Pereira Filho – Crônica

O Rio de Janeiro continua lindo, sem dúvida. E educado também. Imagine estar no metro quadrado mais caro do País, Ipanema, na rua Amoedo Farm, desembolsar R$14,60 no Sucos Beach por um prato de filet com fritas e três opções de sucos. Ou ali do lado, comer com pauzinhos (hachi) uma boa comida japonesa e desembolsar R$20,00. Impensável esta situação aqui em Campinas, na periferia mesmo, onde um prato com fritas não sai por menos de R$22,00, detalhe, sem suco. Ah, antes que eu me esqueça, tem o restaurante Nectar, também na Farm, preço bom e lugar delicioso.
A rua Amoedo Farm, esquina com a Avenida Visconde do Pirajá é o point dos gays cariocas. Sem preconceito e querendo sempre frequentar lugares mais limpos e educados, a visita na rua desemboca na barraca do Nélio, nas areias do Posto 9 de Ipanema, onde se vê fincado lá a bandeira do movimento gay.
A areia é limpinha. Gente educada e discreta, boas conversas no burburinho entre os guardas-sóis, gente linda. Minha filha, já com 21 anos, olha desalentada os corpos torneados de rapazes gays e tasca a pergunta na minha direção e de minha esposa: Pode?!!! Deixo ela conversando com mãe, prefiro descansar à sombra do guarda-sol, numa cadeira apropriada para um boa soneca. A areia estava fria, os pés tendo o descanso merecido, a proximidade das barracas evita que a areia fique quente.
Minutos depois, sou acordado por um moço, de 1,80m, corpo atlético, oferecendo um copo gelado de açaí por R$10,00, minha filha, sempre chata quando o assunto é dinheiro, consegue tirar R$2,00 e eu assisto a tudo com graça. Resolvo então, pular na água, arrefecer o calor, o sol de 34 graus já está quase na linha do horizonte.
Assisto atônito, gays se beijando, mulher com mulher e homem com homem, lembro de Tim Maia. Só não vale o que mesmo Tim? Deixa pra lá, não me incomodo, vejo tudo como uma evolução, embora localizada, no trecho de areia mais famoso do mundo. Interessante, em terra (ou na areia), os gays são discretos, na água, são mais calorosos, não muito diferente dos casais héteros.
Continuo na minha, aproveito as ondas, fico duas horas ali pulando ou mergulhando para não levar nenhum caldo (ou jacaré, gíria). Quando decido deixar a água, percebo que estava distante do ponto em que entrei, uns 100 metros. Começo a caminhar entre os guardas-sóis, não mais entre os gays, mas entre a população comum, quando vejo lixo, brigas e toda sorte de falta de bom senso para apreciar um dia de sol. Gente enterrando garrafas na areia, jogando comida e toda sorte de sujeira. Quanta falta de educação em poucos metros de caminhada.
Não via a hora de chegar no local onde estavam, numa boa, conversando minha filha e esposa. Jantamos no final da tarde. Praia, sol, boa comida e gente educada é, sem dúvida, um ótimo local para curtir um dia de lazer.