Queda de Temer abre caminho para eleição de Lula

Edson Pereira Filho

A transição será turbulenta depois da queda de Temer, o que penso ser uma questão de dias. As forças que hoje ocupam o Planalto tentam ganhar tempo para costurar uma saída que as mantenham ainda no poder.

Brasília – O presidente Michel Temer ( fotos da Agência Brasil)

Na linha de sucessão a Temer estão os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Renan Calheiros, respectivamente, porém, os dois padecem dos mesmos crimes e estão nas denuncias da JBS e da Odebrecht.

Brasília – Aécio Neves

Sobra então, Cármem Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), que ocupará o cargo até 2018, despreparada e sem qualquer tino de comando, basta lembrar do episódio em que Renan passou por cima de uma decisão do STF, sem ao menos ser questionado pela magistrada.

Com Cármem no comando, o País sangraria política e economicamente até outuro de 2018, quando acontecem novas eleições para presidente do Brasil. Pela segunda vez, desde a morte de Getúlio em 1954, políticos elegeriam, indiretamente, um presidente.

Tal possibilidade causa arrepio e indignação no mais neófito brasileiro em política no Brasil. O quadro é muito absurdo para deixar, como na fábula, que lobos tomem conta do galinheiro (o Congresso e o País) e decidam quem deve ser o rei da matilha.


Caso haja uma ruptura neste quadro então, sem obedecer à ordem Constitucional de eleição indireta, sobrariam cassetetes e bordoadas nas ruas aos manifestantes que defendessem eleições diretas.

E é o que parece que vai acontecer, uma emenda constitucional terá que ser elaborada às pressas para conter os ânimos e redirecionar o País no rumo da normalidade democrática.

A Rede Globo não quer o desmantelamento das forças conservadoras que hoje estão, seriamente, avariadas pelos bombardeios das denuncias bilionárias dos irmãos da JBS, exímios compradores de 1.890 políticos em todo País.

O chefão dos Marinho, Ali Kamel, tenta, por todos os meios, manter sobre as hostes das Organizações Globo o descortino de tais enredos para a eleição indireta, pois sabe que disso depende, em grande parte, a sobrevivência política da emissora.

Ali Kamel escondeu o mais que pôde o depoimento de Lula, assimilou a pancada, e vem agora, em doses homeopáticas, administrando a saída de Temer, não sem antes, dar estocadas em Lula.

Os irmãos da JBS ganham destaque da emissora, quando dizem que mantinham contas e extratos sobre seus poderes de contas milionárias de Lula e Dilma, sob a anuência do ex-ministro da Economia, Guido Mantega.

O que se observa, novamente, neste intento amalucado, é o mesmo enredo dos papéis de Moro (não assinado e outro rasurado). Quando muito, é a palavra de Lula contra as dos corruptores da JBS.

Há um racha no judiciário, isto ficou claro, quando à revelia de Moro, Temer e Aécio sofreram investigações monitoradas para comprovar seus ilícitos em tentar apagar os descaminhos do dinheiro fácil.

O ministro do STF, Edson Fachin e a Polícia Federal em Brasília, sequer disseram alguma coisa para Moro ou pediram sua ajuda, já que este tinha o senador Aécio Neves também sob sua mira.

Então, Cunha perdeu a mesada, e não ficará quieto. Aécio será preso. Outros políticos começaram a cair como moscas mortas nas celas da Papuda, aliás, presumo que faltará cadeia para este tipo de gente, os quais, definitivamente, não são cidadãos de segunda categoria.

Dou um exemplo básico disso, a casa de Andreia Neves, irmã do senador Aécio, não foi arrombada. Já que a mesma não queria abrir para os policiais cumprirem a ordem de prisão, foi chamado um chaveiro para proceder à abertura da porta. Fosse na periferia, bem, um pontapé e estaria tudo resolvido.

Sobram então, oito partidos com vieses de extrema-direita e extrema-esquerda dentro do Congresso Nacional, os quais, até o presente momento, não estão enredados nesta teia de propinas, segundo os corruptores Marcelo Odebrecht, Joesly e Wesley Batista.

Tal radicalização no perfil do que sobrou de um Congresso perdulário, vai de encontro ao mesmo perfil que grassa na sociedade brasileira, dividida entre coxinhas e mortadelas. Ou para além disso, estamos num dos momentos mais agudos e preocupantes de nossa vida política.

É preciso então, ir as ruas, defender eleição direta, e Lula precisa ser o candidato das forças democráticas que até então, vinham trazendo o País na linha do desenvolvimento, da inclusão social e de avanços, substanciais, na participação de setores, antes alijados, dos projetos que levassem em conta os que mais precisam.

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