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Trump ganha eleição pelo andróide e os mídias chupam o dedo

Foto: Donald Trump/Assessoria da campanha

Edson Pereira Filho*

Não acredito neste poder dos mídias, sempre tive sinceras duvidas sobre isso. Acredito, ultimamente, no poder do Andróide, bem na extensão dos dedos, bem ao estilo “o meio é a mensagem”. A mídia que conhecíamos se foi, seus sobreviventes sabem disso, apesar de alguns não admitirem.

Outra coisa, todos os institutos americanos diziam que Trump perderia a eleição, apertada, porém perderia. A imprensa se serviu destas informações e foi atrás. Só para ilustrar, nos EUA os jornais costumam dizer abertamente, até em editorial, qual candidato estão apoiando para a presidência, é uma prática corriqueira por lá, a mídia tem posição naquelas paragens.

Já aqui, bem, há a dissimulação, donos de jornais fincam pés nas canoas eleitorais que puderem. E se não der, os mídias por aqui fecham até com o diabo se ele for eleito, nossa imprensa não tem cara, não diz a que veio, e por isso não existe para leitores mais argutos.

Concordo com uma frase de Mauro Borja Lopes, o cartunista Borjalo, quando este diz “não podemos culpar a existência da paisagem pela existência da janela”. Ou seja, não é o quadrante da janela que vai dizer o que é a paisagem, e muito menos a paisagem vai nos influenciar pela angulação que observamos a imagem. Também não acredito que a televisão tenha este poder mais.

Sempre pensei que o ser humano é plural, não singular, ele não gosta só de uma coisa o tempo todo, ele não lê a mesma coisa o tempo todo, ele não concorda o tempo todo. O que aconteceu é que os diretamente atingidos pela crise econômica, pobres, aliás, decidiram votar num salvador da pátria, num cara que vai tirar a ferrugem da fivela do cinturão das cidades automobilísticas fantasmas americanas.

Então, o que aconteceu?

Tudo bem, sei que quem nos trouxe a esta quadra da história, em grande parte, foi a crise financeira mundial, agravada pelo crash da Bolsa de 2008. Um crasch desses demora até 25 anos, veja o Crash de 1929, seus efeitos só foram parar depois de um acordo internacional celebrado em 1944. Lógico, no meio destes 25 anos, apareceram salvadores da pátria, os populistas e ditadores, além de uma guerra mundial. Hitler, Vargas, Mussolini e vai longe à lista. É a velha crise cíclica do capitalismo.

O mundo aderna para a direita, muito por causa desta situação econômica. Porém, tenho que concordar que chegamos a esta quadra também, porque a esquerda se comportou como direita no poder, por exemplo, aqui no Brasil, aliás, da pior espécie, quanto aos acordos financeiros envolvendo propinas, e de presente para o povo, a receita foi à mesma da Crise de 29, algumas migalhas.

Em síntese: A esquerda foi uma mãe para os bancos, políticos e empresários, e um pai para o povo no Brasil. A pergunta é simples: Quem dá mais para o filho, a mãe ou o pai? Como dizia meu velho avô: A esquerda no poder (no Brasil) é a direita.

Já Trump, é um empresário fracassado do setor imobiliário, o mesmo setor que provocou o Crash de 2008, com os papéis podres do subprime. É a velha elite americana, conservadora, esgueirando-se pelos cantos, tentando alçar voo, em meio a uma tormenta econômica ainda não aquilatada. Podemos aqui, por exemplo, inferir que Wall Street mudou de pátria, ou melhor, que a economia americana já tenha mudado de mãos.

Será que ela foi para China? Será que Ratan Tatá comprou parte do poder americano na área de tecnologia? Será que a família Bin Laden não comprou todas as empresas falidas americanas com seus testas-de-ferro? Enfim, sabemos que o capital mundial está mudando de mãos, pode estar na China, neste momento. O professor doutor da Evolução Mundial Econômica, Miguel Arturo, especialista neste assunto, vem afirmando que Wall Street mudou de bandeira e de país.

Trump, o que é?

Trump é a vitória do fracasso americano, redivivo, dando espasmos, um paciente terminal. Pior, vem acompanhado de arrogância e belicismo, segundo alguns especialistas americanos.

*Edson Pereira Filho é jornalista, escritor e professor.

Carta a Hugo Chávez

Edson Pereira Filho

Sei do jogo sujo americano para transformar a América Latina num novo quintal do Tio Sam. Eles armaram a Colômbia até os dentes com a desculpa de combater o narcotráfico. Invadem a política de países soberanos, tentam desagregar nossa união latina pelo Mercosul. Hoje a Colômbia é o país. belicamente, mais armado da América Latina. Os americanos fizeram isso no Oriente Médio, precisamente, no Iraque e Israel, com a velha desculpa de levar a liberdade para outros povos. Querem mesmo é tomar o negócio do petróleo para si.

O comandante Hugo Chávez, só para encher a paciência, decidiu vender a gasolina venezuelana a US$0,4 cents de dólar em território americano. Na Venezuela, frota com maioria de blasers e caminhonetes, o litro da gasolina não chega a US$0,10 cents de dólar. Os EUA tentam formar uma cabeça de praia, uma espécie de posto avançado de seu capitalismo saqueador e bandido na Colômbia. O adido militar americano, expulso há poucos dias da Venezuela, infiltrou-se no meio militar venezuelano para saber da possibilidade de um levante contra Chávez.

O mundo da energia, não mais da luta de classes como via conjunturalmente Karl Marx, tem no seu maior expoente e inimigo os EUA, que insiste em desrespeitar a soberania dos povos. Tentaram, de todas as maneiras derrubar o comandante Chávez, impuseram-lhe quase uma dezena de referendos para tentar fulminá-lo, o povo o reconduziu ao lugar que sempre esteve, no centro da luta bolivariana.

Estamos desarmados aqui embaixo do mapa. O Brasil tem um exército carreirista, preocupado em manter castas e famílias inteiras há séculos nos mais altos escalões, gente barriguda que não serve para nada. Mas, a despeito de tudo isso comandante, como poucos que vi na face da terra, soube como Fidel enfrentar o maior cerco econômico, político e com várias tentativas do Tio Sam em isolar a Venezuela. Agora veremos como funciona a tal democracia americana, os próximos capítulos não são nada animadores.