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Sarau de poetas e artistas conhece livro Generais

Edson Pereira Filho

O escritor Edson Pereira Filho lança livro Generais em Sarau do DIC 4, em Campinas/Fotos: Rafael Renan

O Sarau do Borque no DIC IV  em Campinas foi antes de qualquer coisa um show popular para todas as idades e gostos. Fui lá para fazer mais um dos inúmeros lançamentos que estão previstos do meu livro Generais. E a surpresa foi enorme, diante de várias manifestações culturais.

Palhaço, dançarinas, músicos, poetas, muitos livros espalhados pelo chão, estes sobre cobertas coloridas. A criançada se divertindo no pula-pula. Eu me revezando com poetas, ora falando do meu livro, ora escultando poesias.

Como anfitrião da festa Bene Moraes, amigo de muito anos, embrenhado na defesa da cultura, com seu grupo de dança. Com suas constantes e criativas festas populares a céu aberto. Sempre com um sorriso no rosto, atento, acolhendo a todos com distinção e respeito. Tudo isso, feito sempre de maneira abnegada e dedicada, muitas vezes sem espaço para poder levar tal experiência para uma cidade que não cultiva muito seu legado cultural, principalmente e essencialmente, a Cultura Popular.

E o moço das fotos, Rafael Renam, sobrinho de Bene, caprichou, fez milagre ao me fotografar. Sempre gentil, a maneira do tio, respeitoso sempre querendo ajudar além da conta. Ele cedeu tais fotos para que eu aqui publicasse.
Muito mais do que falar do meu livro, partilhei com Bene, artistas e pessoas da comunidade uma tarde e tanto do último domingo (02/4). E só agora falo do meu livro,  como prometi ao pessoal no Sarau, poria aqui o endereço da Editora Perse na internet, onde meu livro pode ser adquirido, já que não está à venda nas melhores e piores livrarias do Brasil. Quem quiser, é só clicar aqui. Para quem quiser visitar a fanpage do Facebook do livro Generais, clique aqui.

Escritor fala sobre Generais e Ditadura

Contando histórias depois do período da ditadura militar, o livro Generais, do escritor Edson Pereira Filho, constrói uma ficção histórica a partir dos escombros sociais deixados pelas ditadores militares na América Latina (AL).

Longe de fazer um texto cheio de citações fascistas ou marxistas, o autor traz para o mundo das pessoas comuns, num texto despojado, o universo deixado por este tempo obscuro e violento.

O livro, como faz questão de assinalar Pereira, fala do legado deixado pelos ditadores militares 25 anos depois destes apearem do poder.

Os capítulos do livro são recheados de histórias e dramas humanos, numa linguagem ágil, leve e extremamente desprendida do discurso político. “É uma história humanizada”, assinala Pereira.

Uma viagem textual cheia de imbricações, ora em prosa, ora um texto jornalístico, ora uma crônica, ora um conto, ora romântica, ora cheia de drama, ora cheia de comédia, ora extremamente hilária, ora cheia de violência. “A ditadura espelha o que aconteceu, anos depois, com a sociedade”,  descreve Pereira.

O pano de fundo é o cidadão comum, que levanta cedo todos os dias, cumpre com suas obrigações, paga seus impostos, trabalha de sol a sol, mas não sabe o que acontece nas altas esferas do poder. “Já não sabia na época da ditadura, agora, pelo visto muito menos”, compara o autor, ao falar da crise política que o País enfrenta.

Livro Generais mostra herança da ditadura militar na América Latina.
O escritor Edson Pereira Filho lança livro Generais em Sarau do DIC 4, em Campinas/Fotos: Rafael Renan

O personagem principal, Artur Serrilha, um jornalista, vai garimpando no seu dia a dia as desgraças sociais deixadas pelos ditadores 25 anos depois.

Para o escritor, a ditadura deixou um legado de destruição moral, pois desarticulou as organizações básicas da sociedade brasileira, como o Congresso Nacional. Segundo ele, os conflitos entre “coxinhas” e “mortadelas” que assistimos hoje expõem a ferida da falta do debate democrático entre as pessoas. “A ditadura plantou o ódio social entre classes”, assinala.

O personagem analisa, através de causos da vida humana, o que aconteceu com a cultura, a liberdade de expressão, a educação, a violência, a miséria, o latifúndio, a religião, o bar, o poder entre outros temas.

“É uma história humanizada, e não se pretende no livro uma análise política aprofundada, e sim a visão anônima de um cidadão comum”.

Lendo a obra se tem a ideia da resultante social deixada pelos militares, duas décadas e meia depois. “Acredito que somos o resultado do que vivenciamos e aprendemos no passado”, alinhava Pereira.

Para ele, países da América Latina em dificuldades nos vários campos da vida em sociedade, são o que são devido às ditaduras do passado.

“Até pela sua história escravagista”, arremata o autor.

A violência de então, a ignorância escolar, a corrupção política, a dependência das classes mais abastadas com o poder central, a religião e seus descaminhos são alguns dos eixos que reforçam a história fictícia do escritor, ao mesmo tempo tão real.

Para quem quiser adquirir a obra, que só está à venda pela internet, basta clicar aqui. A editora é a Perse, sediada em São Paulo. O escritor campineiro está realizando pequenos lançamentos da publicação. “As pessoas compram e marcam um evento qualquer e eu apareço para autografar o livro”, sugere.

Seu livro já faz parte de algumas bibliotecas em escolas públicas. “Diretoras e diretores de escolas onde trabalhei estão adquirindo os livros para os alunos. Fiquei espantado com a repercussão, tomará que gostem do que escrevi”, torce.