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O tamanho do Plano de Segurança de Jungmann

Edson Pereira Filho

Mais uma vez os moradores do Rio, passados três anos da Copa do Mundo, irão conviver com o desvario militar e policial nos morros cariocas, com o novo Plano de Segurança do governo federal.

Uma grande operação montada pelo exército e policias pretende esquadrinhar cada canto das favelas cariocas.

Tais operações militares e policais, acontecerão sem pedir licença, sem alerta e sem direito de defesa legal para cidadãos comuns, lógico, todos serão suspeitos, mesmo que se prove o contrário.

Muita gente inocente terá como ponto de encontro, nestes locais, as tais balas perdidas.

Mais mortos entre civis, principalmente, é o que se deduz na fala do ministro da Defesa, Raul Jungmann.

“É preciso, para fechar comunidade com mil, dois mil homens? Vai ter (esse efetivo). Vamos fechar, fazer aquela varredura. Feito isso, saímos. Não vai ficar (nenhum marginal). Não faz sentido (permanecer). É necessário uma nova operação daqui a um mês ou 15 dias? Estaremos lá. Diante disso, a operação agora não vai ser comunicada, vai ser surpresa, assim como acontecem as operações da Polícia Federal”, detalha Jungmann, respondendo a reportagem da Agência Brasil.

No comando das operações que começarão no Rio a qualquer hora e tempo, sem que ninguém saiba, está o chefe de Gabinete de Segurança Institucional, Sergio Etchegoyen, general que comandou o exército em Brasília contra os manifestantes do Fora Temer, no último dia 24 de maio.

O Plano de Segurança, como sempre, atua nas fronteiras e estradas também, dando a visão de que o inimigo, no caso os chefões do narcotráfico, estejam carregando drogas para lá e para cá. Comprando armas e passeando nos morros cariocas.

A ironia se explica, quando se sabe que o narcotráfico fatura muito mais do que a indústria automobilística mundial. Você acredita mesmo que o chefão estaria transportando drogas e armas?

No tal plano o que não se vê, novamente, é o serviço de inteligência para prender quem de fato comanda o crime no Rio.

Há anos, por exemplo, que se fala em acabar com a comunicação nos presídios com o lado externo das prisões, agora, novamente, o ministro prometeu que vai acabar de vez com isso. Alguém acredita?

“Cortar a comunicação deste comando (do tráfico) que está hoje na cadeia e suas trocas é fundamental”, pontificou Jungmann.

Em outro ponto da entrevista o ministro destaca que “a cabeça, o comando de organizações que se internacionalizaram se encontra dentro dos presídios e penitenciárias. Na Itália, você tem a cela dura, você tem nos Estados Unidos, na Inglaterra. Isso não significa restringir o direito de defesa de quem quer que seja”, afirma.

(Entrevista de Raul Jungamann, ministro da Defesa, desrespeitando direitos básicos do preso, segundo  a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB)
O detalhe é que se cogita na fala do ministro algo perigoso, que desrespeita, frontalmente, nossa Constituição e nossas leis, no que diz respeito ao amplo direito de defesa e de garantias constitucionais para qualquer cidadão, seja ele criminoso ou não.

Desde ponto de vista, a fala do ministro deixa entrever a possibilidade do Exército tomar para si a tarefa de administrar o estado do Rio, a sua maneira e jeito.

Atuando como se fosse numa guerra.

Sem qualquer observância a direitos básicos, seja para bandidos, seja para a população ordeira.

Assusta o que está sendo planejado e pretendido pelo atual governo em termos de segurança o Rio e para o País, já que tal projeto pretende atuar durante os próximos 18 meses.

Uma certeza, entretanto, salta aos olhos, os chefões do crime serão os menos incomodados, mais uma vez, com tais operações.

Este é o tamanho do plano de Julgmann.