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Festa Junina já incendia nove estados nordestinos

Reportagem Edson Pereira Filho

A tradicional festa junina já incendeia  os noves estados nordestinos do Brasil neste mês de junho.

Centenas de quadrilhas se revezam em festas e campeonatos para a grande final nacional que será em julho.

Enquanto o campeonato nacional está distante, em Sergipe as quadrilhas (escolas) Unidos em Asa Branca e Pioneiros da Roça prometem muito arrasta-pé neste final de semana.

A grande final nordestina de quadrilhas em Sergipe termina neste domingo.

Sendo considerada uma das maiores São João do nordeste, Sergipe divide o título com Campina Grande (Paraíba) e Caruaru (Pernambuco). As festas juninas mobilizam milhões de pessoas, dia e noite, nos nove estados nordestinos do País.

O campeonato junino em Sergipe acontece no ginásio da cidade de Itabaiana, capital do agreste sergipano.

A estreia da Unidos em Assa Branca, no dia 1 deste mês, chamou a atenção pela beleza, coreografia e plasticidade.

Com 88 componentes, os quadrilheiros evitaram lances teatrais para não tirar o ritmo quente da dança. Já os Pioneiros, também se apresentaram com a mesma desenvoltura.

A final do campeonato estadual em Sergipe é amanhã, domingo.

A festa junina sergipana existe há pelo menos 35 anos, e concorrem 18 quadrilhas no grupo especial.

Festa Junina no Sergipe começa animada este ano.
Manoel Pedro, componente da Unidos em Asa Branca

As apresentações estão todas com lotação esgotada. Em cada apresentação, o público lota o ginásio, que tem capacidade para duas mil pessoas.

Um dos componentes da Unidos em Asa Branca, Manoel Pedro, informou que a temática da dança de sua escola este ano é Feitos da Fé. “Retrata o amor entre pessoas de religiões diferentes. Traz o respeito como elo central entre as personagens centrais, além de trazer elementos da cultura sergipana como o São Gonçalo”, acrescenta.

Após o campeonato estadual de Itabaiana, a festa continua com concursos de quadrilha pelo estado, estes de caráter local, em cidades e na própria capital sergipana, como Concurso de Itabaianinha, SESC, Jeremoabo, Rio Real, Centro de Criatividade, Gonzagão, Orla de Aracaju.

Unidos em Asa Branca e Pioneiros da Roça estão empatados 5 vezes em vitórias no campeonato estadual.

Em julho, acontece o campeonato da Rede Globo Nordeste, envolvendo os nove estados nordestinos. Logo depois, acontece o Campeonato Nacional, onde participam todos os estados do Brasil.

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QUADRILHEIRO DANÇA DIA E NOITE NA FESTA DE SÃO JOÃO

‘Quadrilheiro’ dança dia e noite na Festa de São João

Reportagem Edson Pereira Filho

A reportagem da Folha Metrópole entrevistou Manoel Pedro, professor de Educação Física e aficionado pela dança de quadrilha.

Manoel Pedro, componente da Unidos em Asa Branca, Sergipe.

Ele contou como é a preparação da festa e como cada componente contribui com a temática, a dança, coreografia, teatralidade, vestimenta. Antes, é bom que se diga, o quadrilheiro, no Nordeste, é aquele que dança quadrilha, nada além disso.

Folha Metrópole (FM)- Sempre dançou quadrilha?
Manoel Pedro (MP) – Sim. Então, eu sou quadrilheiro. Aqui de Sergipe, apesar de ser baiano, do sertão (interior baiano). Mas moro já algum tempo aqui em Sergipe. Danço em uma das quadrilhas considerada grandes aqui no estado. Há inúmeras, Sergipe tem certa tradição.

FM- Quando começa o preparo da festa junina?
MP – Começamos ensair e nos preparar para o São João em novembro. São em média sete meses por ano nos preparando para dançarmos.

FM – A festa mesmo, quando começa?
MP – O mês de junho e julho, geralmente, que é a chamada temporada junina no nordeste.

FM – Qual quadrilha você participa? Tem um nome? Quantos componentes?
MP – Unidos em Asa Branca. Esse ano estamos com 88 componentes dançando. Mais componentes do grupo musical, acho que são oito. Na direção da quadrilha, mas quatro pessoas. Tem também o pessoal da produção, cenário, bem, entre todos, dá uma 120 pessoas.

FM – Vocês possuem uma quadra, um local para ensaiar?
MP – Tem uma sede, mas é pequena, lá, geralmente, só fazemos reuniões e comemorações. Ensaiamos em espaços com os quais fechamos parcerias. Esse ano estamos ensaiando em uma escola do estado, um espaço da prefeitura municipal de Aracaju e uma quadra de num colégio particular. Então os ensaios acontecem no Colegio Sabino Ribeiro, na Escola Park (atual sede da guarda municipal de Aracaju) e no Colegio Particular Coesi. Nossa sede fica no Conjunto Leite Neto, em Aracaju.

FM – Quais são os preparativos feitos durante os ensaios?
MP – Então, primeiro começamos a montagem das coreografias, que são feitas pelo coreógrafo e marcador Waterlin. Depois juntamos coreografia com o grupo musical, para harmonizar os elementos coreográficos com o repertório. Há um tema, em que montamos a parte cênica e algumas das coreografias. O tema é o ponto chave do trabalho. É sobre ele que nos debruçamos. Há um trabalho teatral em cima também.

FM – O nome do tema este ano, pode me dizer?
MP – A temática este ano é “Feitos da Fé”. Retrata o amor entre pessoas de religiões diferentes. Traz o respeito como elo central entre as personagens centrais, além de trazer elementos da cultura sergipana como o São Gonçalo. Esse ano será um tema marcante. Este tema está relacionado a discussões fortes que vem acontecendo no país (com relação a intolerância religiosa).

FM – Você tem ideia de quantas quadrilhas participam do São João de Aracaju?
MP – São muitas. É porque há concursos, além do campeonato estadual, há quadrilhas em várias cidades do estado. Na divisão principal, geralmente, participam 20 quadrilhas, este ano tem 18. Mas há outros concursos que não há divisão. Mistura. Ai existem eliminatórias, semifinais e final. Concursos como o Centro de criatividade, Rua São Joao, Gonzagão. O principal campeonato é o estadual. Quem ganha, participa do “Rede Globo Nordeste de Quadrilhas”, é a principal competição do país. E participam as campeãs dos nove estados do nordeste.

FM – É um mês a festa, em junho?
MP – No nordeste o principal mês é junho. Nos outros estados (do país) as quadrilhas dançam mais em julho. Geralmente, começamos dançar na primeira semana de junho e dançamos praticamente todos os dias. Até a primeira ou segunda semana de julho. Um mês e um pouco mais dançando.

FM – Onde dançam?
MP – Alguns dias dançamos em 2 ou 3 lugares diferentes. É uma correria. Só nos dias dos principais concursos que só dançamos uma vez, geralmente, porque o esforço físico é muito forte. A pressão psicológica também conta. Há uma certa rivalidade entre as quadrilhas, o que, em certos momentos, chega a ser excessiva (ri).

FM – Há quadrilhas, ou melhor, grupos de quadrilhas que são conhecidos, respeitados e vitoriosos? Seu grupo mesmo, está na primeira divisão ou segunda?
MP – Sim. Somos a mais conhecida. Aqui são duas que, geralmente, são as mais vitoriosas, a Unidos em Asa Branca e os Pioneiros da Roça. Tem a Cangaceiros da Boa, mas, geralmente, o titulo fica entre Unidos em Asa Branca e Pioneiros da Roça.

FM – Há rivalidade?
MP – Sim, muita. Alguns quadrilheiros discutem, chegam a brigar. Há provocações, tipo torcida de futebol (ri). Nós temos a maior torcida com certeza.

FM – O Asa Branca existe há quanto tempo?
MP – Há 30 anos.

FM – A Festa Junina em Aracaju existe há quanto tempo você sabe?
MP – Há pelo menos 35 anos.

FM – As músicas de quadrilha são sempre as mesmas ou há também compositores?
MP – No caso da Unidos temos diversas composições próprias. Mas usamos músicas fora do meio junino e adaptamos também, depende do tema. Lembro de dois temas que marcaram: Eu sou Unidos e Nordestina da Bahia ao Maranhão.

FM – Você faz o quê, além de ser um quadrilheiro?
Sou professor de Educação Física da rede municipal de Socorro e do estado de Sergipe. Há muitos professores de diversas áreas que dançam na Unidos. Muita gente de teatro também. Da área de dança mesmo. E outras pessoas de diversas áreas.

FM – Quem apresenta a quadrilha para o público?
MP – As vezes, alguém da direção ou marcador (uma espécie de mestre de cerimônias, anfitriã do grupo e da festa). Há concursos que há pessoas para fazer as chamadas.

FM – Há a noiva? O pai da noiva? O casamento? Este enredo está em toda quadrilha? Ou o tema impõe outros enredos?
MP – Noiva e noivo sempre. Em 2014, a noiva não se vestia de noiva, porque Maria Bonita já era casada, então a união foi simbólica. Mas sempre há noivos. Muitas vezes a história fica em torno deles. Dependendo do tema, entram outras personagens. As vezes tem padre, outras não. A Unidos tem uma característica própria nesse sentido. Sergipe. geralmente, faz casamentos dançados, não tanto teatrais, como em outros estados do nordeste. Em outros estados o casamento tem mais ênfase. Em Sergipe não se faz isso, é curto, com música e coreografado (dançado).
A simbologia, tudo o que cerca, a história, e a própria releitura da dança. O que você sabe da origem da dança?
As quadrilhas vieram da corte francesa. E tiveram uma releitura e foram adapatadas para a cultura junina do nordeste. Depois de um tempo, foram se espalhando, se popularizando. Deixando de ser das elites e virando uma dança popular.

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