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Escritor fala sobre Generais e Ditadura

Contando histórias depois do período da ditadura militar, o livro Generais, do escritor Edson Pereira Filho, constrói uma ficção histórica a partir dos escombros sociais deixados pelas ditadores militares na América Latina (AL).

Longe de fazer um texto cheio de citações fascistas ou marxistas, o autor traz para o mundo das pessoas comuns, num texto despojado, o universo deixado por este tempo obscuro e violento.

O livro, como faz questão de assinalar Pereira, fala do legado deixado pelos ditadores militares 25 anos depois destes apearem do poder.

Os capítulos do livro são recheados de histórias e dramas humanos, numa linguagem ágil, leve e extremamente desprendida do discurso político. “É uma história humanizada”, assinala Pereira.

Uma viagem textual cheia de imbricações, ora em prosa, ora um texto jornalístico, ora uma crônica, ora um conto, ora romântica, ora cheia de drama, ora cheia de comédia, ora extremamente hilária, ora cheia de violência. “A ditadura espelha o que aconteceu, anos depois, com a sociedade”,  descreve Pereira.

O pano de fundo é o cidadão comum, que levanta cedo todos os dias, cumpre com suas obrigações, paga seus impostos, trabalha de sol a sol, mas não sabe o que acontece nas altas esferas do poder. “Já não sabia na época da ditadura, agora, pelo visto muito menos”, compara o autor, ao falar da crise política que o País enfrenta.

Livro Generais mostra herança da ditadura militar na América Latina.
O escritor Edson Pereira Filho lança livro Generais em Sarau do DIC 4, em Campinas/Fotos: Rafael Renan

O personagem principal, Artur Serrilha, um jornalista, vai garimpando no seu dia a dia as desgraças sociais deixadas pelos ditadores 25 anos depois.

Para o escritor, a ditadura deixou um legado de destruição moral, pois desarticulou as organizações básicas da sociedade brasileira, como o Congresso Nacional. Segundo ele, os conflitos entre “coxinhas” e “mortadelas” que assistimos hoje expõem a ferida da falta do debate democrático entre as pessoas. “A ditadura plantou o ódio social entre classes”, assinala.

O personagem analisa, através de causos da vida humana, o que aconteceu com a cultura, a liberdade de expressão, a educação, a violência, a miséria, o latifúndio, a religião, o bar, o poder entre outros temas.

“É uma história humanizada, e não se pretende no livro uma análise política aprofundada, e sim a visão anônima de um cidadão comum”.

Lendo a obra se tem a ideia da resultante social deixada pelos militares, duas décadas e meia depois. “Acredito que somos o resultado do que vivenciamos e aprendemos no passado”, alinhava Pereira.

Para ele, países da América Latina em dificuldades nos vários campos da vida em sociedade, são o que são devido às ditaduras do passado.

“Até pela sua história escravagista”, arremata o autor.

A violência de então, a ignorância escolar, a corrupção política, a dependência das classes mais abastadas com o poder central, a religião e seus descaminhos são alguns dos eixos que reforçam a história fictícia do escritor, ao mesmo tempo tão real.

Para quem quiser adquirir a obra, que só está à venda pela internet, basta clicar aqui. A editora é a Perse, sediada em São Paulo. O escritor campineiro está realizando pequenos lançamentos da publicação. “As pessoas compram e marcam um evento qualquer e eu apareço para autografar o livro”, sugere.

Seu livro já faz parte de algumas bibliotecas em escolas públicas. “Diretoras e diretores de escolas onde trabalhei estão adquirindo os livros para os alunos. Fiquei espantado com a repercussão, tomará que gostem do que escrevi”, torce.