Uma uva e meia: a revolução de Cármem Lúcia

Edson Pereira Filho

A presidente do STF Cármem Lúcia diz que estamos vivendo uma revolução social no País. Revolução de costumes, de mudanças de rumos.

Carmem Lucia, presidente do STF/Banco de imagens do STF

Um novo paradigma social, enfim, não se trata apenas de uma limpeza de esgoto a Lava Jato, ao explicar o papel revolucionário da Força Tarefa de Curitiba.

Lógico, Cármem jogou com imagens em sua fala, dizendo que esta está sendo a postura não só da Lava Jato, mas da sociedade, do povo, das pessoas, que desejam ter mertiolate nos postos de saúde, entre outras imagens simplórias e desconexas.

Desculpe o mau-humor, mas desde o episódio da determinação judicial do afastamento de Renan Calheiros do Senado, por ordem do STF, perdi minha paciência com o Supremo. Como todos sabem, o Justiça, como é conhecido Renan no mundo da propina, não foi afastado, ele simplesmente passou por cima da decisão do STF.

Voltando à revolução de Cármem, quem disse que se tratava apenas de uma limpeza de esgoto foi a roqueira Rita Lee,

Carmem pensa que não, é algo além disso, mudança de rumo mesmo da sociedade brasileira.

No mundo de Cármem, porém, não há a revolta na rua por emprego, direitos trabalhistas e previdenciário. Não há a Greve Geral, ah, o programa Conversa com Bial foi gravado no dia 1 de maio de 2017, portanto, depois das manifestações que se seguiram País afora, no último dia 28 de abril.

Nenhuma palavra sobre o estudante de Goiânia, que teve a face destruída e parte do cérebro também, por uma porrada do capitão Augusto Sampaio, subcomandante da 37ª Companhia Independente.

Sampaio é o mais fresco covarde que a PM produziu nas últimas horas.

Falemos de Revolução de Cármem então. Não entendo ser de bom tom uma juíza participar de um talk show para falar da vida alheia, mesmo de réus, ainda não condenados, quando muito, julgados por ela, quando ainda tudo está em primeira instância.

É essa a postura que deve ter alguém que julga pessoas? Participar de programa de televisão, dizer, mesmo que informalmente, o que pensa sobre seus futuros réus, sem se assentar nos autos do processo, é isso mesmo?

Afinal, era este o script, para que a classe media se deleitasse com a Carmem sedutora, cheia de picardia e rapapés, mais parecia um encontro de marocas.

Uma palavrinha sobre Bial

Vendo Bial me lembrei de Justus e Britto Júnior, este último levou o pé na bunda da Fazenda, o BBB da Record, porque o velhaco de madeixas brancas tinha os patrocínios sobre sua tutela. Não preciso dizer no que deu a Fazenda.

Cármem de Bizet

E Bizet de Cármem se viu ultrapassado pela Cármem, a sedutora dos trópicos, que convive com os homens, não querendo saber o que estes pensam ou andam fazendo. Ela disse que este é um conselho de mãe, o qual segue regiamente.

E com uma uva e meia de Cármem, sua refeição diária, pergunto-me: temos um novo regime para homens e mulheres.

Basta o povo agora comer uma uva e meia, mostrando seu lado austero, e aguardar esta tal revolução que, pelo visto, interessa a este teatro de horrores em que se transformou o STF.

Por Edson Pereira Filho, jornalista, professor e escritor.

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